sábado, 19 de novembro de 2005

Google News Reintegracionista

Esta semana Google News lançou a sua esperada versom em galego-português, com dous interfaces:
Google News Brasil [1] e Google News Portugal [2].

Em qualquer das duas interfaces, portuguesa ou brasileira, as buscas em Google News mostram resultados dos meios lusófonos de ambos os países, mas nom só. Também aparecem meios africanos de expressom galego-portuguesa como Angolapress ou Panapress.

Mas o que mais nos interessa aqui é o facto de a versom lusófona do Google News ser reintegracionista, umha vez que inclui, entre as fontes em que procura notícias, os artigos publicados em galego-português de muitos meios galegos como La Voz de Galicia, La Opinión de A Coruña, El Correo Gallego (mas nom, por enquanto, Galicia Hoxe [!]), Xornal.com, El Ideal Gallego... Parecem faltar Vieiros, A Nosa Terra, Galiza Livre, Arroutada Notícias e outros integramente em galego-português.

Podem fazer-se sugestões [3] ao Google News lusófono para que acrescente fontes de notícias. Eu já sugerim que acrescentem o PGL [4], como a magnífica fonte de notícias sobre língua que é.

Disponibilizo aqui um mecanismo de pesquisa de Firefox ou Mozilla para o Google News-Lusofonia [5] em formato zip (descompactar e incluir na pasta "searchplugins"). Se estás navegando agora com Firefox ou Mozilla, podes instalá-lo automaticamente clicando aqui.


O novo Google News em Galego-Português:


    quarta-feira, 16 de novembro de 2005

    Agradecido ao Blogue de Esquerda

    Agradeço desde aqui ao Blogue de Esquerda (II) a gentileza de publicar o meu poema O Pegureiro, e nomeadamente ao prezado amigo Fernando Venâncio, que tivo a iniciativa de propô-lo para a secçom «Versos que nos salvam».

    domingo, 30 de outubro de 2005

    Sexo e infáncia

    Apesar de talvez a maioria dos adultos ter consciência ou lembranças de algum aspecto da sua própria sexualidade infantil, existe umha concepçom geral das crianças como seres assexuais, imagem falsa que com certeza nom fai nengum bem nem às crianças nem aos adultos.



    Imagino que as histórias bobas sobre cegonhas ou parisinos espalhados por todo o mundo levem já tempo em decadência. Mas seja como for, contos como o alemám da imagem superior som bem mais úteis para responder quando um neno pergunta donde vém as crianças.

    Rusty is a homosexual é outro, irónico e divertido, conto infantil. O autor é o filólogo Sean Crist.



    As ligações de ambos os contos estám ultimamente a ganhar pontos na Internet.

    quinta-feira, 20 de outubro de 2005

    O meu Firefox

    Como complemento ao anterior escrito, partilho aqui agora o aspecto deste blogue visto do meu Firefox (a versom 1.5 beta 2 e eu próprio adaptei algumha das extensões):

    Espalhando Firefox e as suas extensões

    Onte conhecia-se que o navegador de código aberto e distribuiçom gratuita Firefox superava os 100 milhões de descargas.

    Eis dous contadores das descargas do Firefox: umha imagem estática e outra dinámica, que requer Javascript activado:


    Firefox é um navegador muito mais seguro e com mais utilidades e ferramentas que Internet Explorer (IE), que contodo continua a ser o mais empregado. Ainda que entre leitores de blogues a hegemonia de IE está em causa.

    O único inconveniente ou desvantagem de Firefox com respeito a IE decorre justamente do quase-monopólio deste último. Há muitos webs que fôrom desenhados para ver co programa da Microsoft e alguns deles com certeza serám pior exibidos ou as suas funções serám pior realizadas por Firefox. Contodo, este problema raramente acontece e mesmo que se nos apresentar, sempre poderemos recorrer nesse caso concreto ao IE. A melhor soluçom é instalar no próprio Firefox a extensom IE view

    Com efeito, as extensões, melhoram muito o desempenho de Firefox e confirmam de vez a sua superioridade com respeito a IE e mesmo a Opera, a alternativa comercial.

    Vou partilhar aqui, por isso, as minhas extensões de Firefox preferidas, destacando, pola sua utilidade para a leitura de blogues, a extensom Sage:

    1. - Sage 1.3.6
    2. Imprescindível para ler blogues no Firefox
    3. - ConQuery 1.5.4
    4. Mui útil para fazer buscas
    5. - Plain Text Links 0.2
    6. Permite seleccionar e abrir endereços sem código html como este: http://www.agal-gz.org
    7. - Add Bookmark Here 0.5.5
    8. Para adicionar páginas como esta aos teus favoritos
    9. - Paste and Go 0.4.3
    10. Melhora o desempenho da barra de endereços através do menu contextual
    11. - Diggler 0.9
    12. Outro óptimo complemento à barra de endereços.
    13. - Search Button 0.4.9
    14. Agiliza as buscas agregando um botom
    15. - Translation Panel 1.4.13.0.1
    16. Magnífico tradutor para integrar no Firefox através da barra lateral
    17. - easyGestures 3.1
    18. Menu circular configurável.
    19. - Download Sort 2.5.3
    20. Organizador de descargas.
    21. - FlashGot 0.5.9.93
    22. Complemento aos gestores de descargas instalados no computador, esta parece ser a extensom favorita dos usuários de Firefox.
    23. - IE View 1.2.5
    24. Para abrir páginas em Internet Explorer, como foi dito.
    25. - CustomizeGoogle 0.30
    26. Acrescenta ligações a outros buscadores nos resultados do Google
    27. - ImageZoomer 0.2
    28. Aumenta o tamanho das imagens
    29. - SearchPluginHacks 0.1
    30. Para apagar motores de pesquisa que deixemos de empregar
    31. - SessionSaver .2 0.2.1.028
    32. Para continuar no ponto em que abandonamos ou restaurar a navegaçom que falhou
    33. - Stop-or-Reload Button 0.2
    34. Une os dous botões de actualizar e parar num único
    35. - Tabbrowser Preferences 1.2.8.5
    36. Agrega opções à navegaçom por abas ou separadores
    37. - MR Tech Local Install 3.1.0
    38. Para trabalhar melhor coas extensões.
    39. - Web Developer 0.9.4
    40. Para usuários mais exigentes

    quinta-feira, 13 de outubro de 2005

    Lo Dia Internacional de Hablarse Portuñol

    Algo assi como se os brasileiros jogassem a ser galegos e meter castelhanismos atreu.


    13 de lo otubro, lo dia Internacional de Hablarse Portunhol

    quinta-feira, 6 de outubro de 2005

    Defensor de quê?

    O governo de Aznar nomeou Enrique Múgica Defensor del Pueblo espanhol porque o seu conhecido espanholismo e a sua beligeráncia contra os partidos nacionalistas, nomeadamente o basco, seriam mui úteis para a sua estratégia de regressom democrática e homologaçom espanholista da diversidade nacional do Estado, e nesse sentido o facto de ser membro do PSOE também lhes serviria para dissimular o seu sectarismo.

    Agora que o PSOE no governo sofre umha forte divisom interna entre os sectores mais federalistas e mesmo favoráveis ao reconhecimento do carácter plurinacional do Estado (nomeadamente o Partit dels Socialistas de Catalunya, PSC) e os sectores mais espanholistas (Rodríguez Ibarra, Alfonso Guerra...), o Defensor del Pueblo decidiu entrar na cena para defender os privilégios dos indivíduos castelhanófonos nas nações do Estado com língua própria diferente à espanhola, atacando os esforços de normalizaçom lingüística desenvolvidos nomeadamente na Catalunha e no País Basco.

    A intervençom de Enrique Múgica coincide coa proposta feita polo seu partido no País Basco para neutralizar o constante avanço do ensino monolíngüe em basco e o conseqüente declínio do ensino em castelhano nesse país, estabelecendo um novo sistema de escolarizaçom bilíngüe mais próximo ao galego, que nestes anos mostrou a sua eficácia para a substituiçom lingüística.

    Coincide também co debate gerado polo Conselho de Europa ao ter proposto para a Galiza a implementaçom dum modelo de ensino monolíngüe em galego, que ultrapassa os objectivos nesse ámbito do Plano de Normalizaçom Lingüística, colocando em primeiro plano o direito ao ensino íntegro na língua própria.

    E também tenta influir no debate sobre o novo Estatuto da Catalunha (e portanto no debate sobre o modelo de Estado) aprovado por esmagadora maioria no Parlamento dessa naçom ibérica, o que nom impedirá que os partidos espanholistas modifiquem o documento no Congresso dos Deputados de Madrid.

    Por enquanto, o Síndic de Greuges catalám já contestou aos ataques do Defensor espanhol contra a política de normalizaçom da comunidade lingüística catalã.

    O oportunismo do Defensor del Pueblo, e a indignaçom que está a provocar na Galiza, deveria fazer reflexionar sobre a importáncia de os galegos reclamarmos constantemente os nossos direitos lingüísticos, visto que os sectores espanholistas nom deixam de reclamar o exercício dos seus privilégios e bloquear o avanço dos nossos direitos, contando, aliás, coas instituições estatais que nestes casos costumam funcionar como garantes da nossa discriminaçom.

    A melhor forma de contestar ao Sr. Múgica seria exigir do nosso direito ao ensino íntegro em galego, que deveria ser implementado nesta legislatura.

    Para mais, a página web do Defensor del Pueblo só está em castelhano. Outro motivo de protesto.

    sábado, 1 de outubro de 2005

    De tráileres e outras manipulações cinematográficas

    Imagem do programa VirtualDub
    Eis umha prova da distáncia que pode haver entre um filme e o seu tráiler promocional. Neste caso é The Shining, de Kubrick, reinventado como comédia romántica polo jovem ajudante de ediçom Robert Ryang. A ligaçom está a espalhar-se como o lume pola blogosfera nos últimos dias e hoje chegou ao The New York Times.

    Um fenómeno recente, relacionado com este experimento, é o das edições alternativas de filmes aparecidas em comunidades de compartilhamento de arquivos na Internet. Ainda nom vim nengumha delas, mas sei-que duas das mais conhecidas som Matrix Dezionized, umha versom que une Matrix Reloaded e Matrix Revolutions eliminando a trama relativa a Zion, e The Phantom Edit, versom de Star Wars: Episode I - The Phantom Menace valorizada por ter eliminado a maioria das aparições de Jar-Jar Binks.

    Primeiro começárom os próprios directores a revisar as suas obras coas famosas "Director's cut". Agora som os espectadores que passárom à acçom.

    terça-feira, 27 de setembro de 2005

    Deixou-nos Antonio Drove

    Onte à noite deparei por internet coa notícia da morte de Antonio Drove. Com certeza nom é a melhor forma de inteirar-te da morte de quem foi um admirável mestre e amigo. Antes de vir a Madrid, em 1991, coleccionei alguns dos seus artigos sobre cinema publicados na imprensa e posteriormente foi o meu professor de guiom na academia cinematográfica Metrópolis c.e. Veu depois a transiçom de aluno a amigo, apoiando-o em vários projectos, como o livro de entrevistas a Douglas Sirk, em que incluiu um poema meu que a sua cativante personalidade me inspirou, co que ganhei um prémio, e que cópio aqui também.

    Talvez o seu projecto cinematográfico mais querido e infelizmente irrealizado foi a longametragem "Inocencia y perversión", que el mesmo gostaria de ter interpretado. Tem razom Octavi Martí ao falar del como "um dos grandes talendos desaproveitados do cinema espanhol" e é injusta a pouca repercusom desta fatal notícia nos meios espanhóis.

    Deixou-nos a sua obra cinematográfica, o magnífico livro referido, Tiempo de vivir. Tiempo de revivir, os seus artigos e trabalhos espalhados em jornais e revistas, extraordinária obra de amor ao cinema que cumpre recuperar, e a sua marcante pegada para quem tivemos o privilégio e a sorte de o conhecer.


    cadeia de dedicatórias


    vontade de viver

    a Antonio Drove Shaw

    ser fogos-de-vista
    e aportar novas estrelas ao céu
    ser umha vela acesa polos dous extremos

    viver em contínuo movimento

    explorar todos os caminhos
    olhar todas as luzes
    ser toda a verdade
    viver todas as vidas de umha vez
    escuitar o sussurro do vento
    ter vontade de viver

    buscar as verdades de todos os contrários
    e em ti próprio sintetizá-las

    guardar em ti
    a sabedoria da paz
    e a força da guerra

    cumprir a missom de cada momento
    fazer um cúmplice do tempo

    ressuscitar de todos os eclipses

    ser o solitário sol no dia
    e à noite estrela acompanhando à lua
    amar sem barreiras, de todas as maneiras

    nascer, viver e morrer cada dia
    renascendo sempre em pulos novos de energia

    abrir as portas de todas as possibilidades
    morar em todas as estâncias
    deixar falar todas as vozes que em ti morem

    andar todos os caminhos do labirinto
    olhar tudo de todas as perspectivas
    viver dentro dos limites para os derrubar

    cobrir o mundo
    com o frescor do orvalho
    que fertilize todos os eidos
    e doar-lhe a luz do sol

    e afinal
    cumprir a saudade de Universo

    sábado, 24 de setembro de 2005

    A natureza sai do armário


    (calcar na imagem para aumentar)

    Além de deitar definitivamente por terra o preconceito de a homossexualidade ser antinatural, o documentário Out in Nature. The Homosexual Behaviour in the Animal Kingdom põe em dúvida o dogma darwiniano da melhoria reprodutiva como explicaçom de todo comportamento sexual animal, sugerindo a possibilidade de dissociaçom de sexo e reproduçom em nom poucas espécies, além do ser humano, e relata episódios da histórica acçom dos preconceitos homofóbicos contra o avanço do conhecimento e da ciência, como a frase «os elefantes estám a cometer vícios e delitos sexuais proibidos polas normas do cristianismo» de um relatório sobre elefantes de 1892 ou a censura a qualquer referência aos comportamentos homossexuais nas orcas num documento do governo estadunidense de 1980.

    Co título "El comportamiento homosexual en los animales", é possível encontrar em redes P2P a versom espanhola de Canal Odisea.

    quarta-feira, 7 de setembro de 2005

    Ensino gratuito e propaganda

    O Bretemas está a actualizar desde onte a informaçom sobre a polémica surgida acerca da gratuidade dos livros de texto do ensino primário, anunciada onte polo governo da Junta.

    Som mui recomendáveis as leituras que propõe, nomeadamente o relatório da Associaçom Galega de Editores de abril passado, pois é este um sector directamente atingido e que, sendo favorável à medida, opõe-se à métodologia, que acovilha injustiça, desigualdade e esbanjamento, escolhida polo PP e agora avalizada pola nova Conselharia de Educaçom.

    A gratuidade dos livros de texto do ensino obrigatório vinha nos programas de governo do PSdG-PSOE e do BNG e daí passou ao texto do Acordo de Governo entre os dous partidos. Ora, no do PSdG dizia-se textualmente:
    "Acelerar a implantación do programa de gratuidade dos libros de texto de
    xeito que se xeneralice a todo o alumnado do Ensino Obrigatorio. Escoitar neste
    proceso ós sectores afectados".
    Parece que nesta ocasiom a vontade de diálogo ficou preterida em favor das necessidades propagandísticas.

    sábado, 3 de setembro de 2005

    Xavier Alcalá

    O autor d'A Nosa Cinza, deu um passo à frente digno de louvança publicando o mês passado o seu relato do verão na Voz na ortografia culta e nom na demótica que costuma empregar.

    Também é recomendável o seu apelo à normalizaçom lingüística da antroponímia.

    Pergunto-me se o terám lido a própria presidenta do Parlamento aludida no título, Dolores Villarino (Vilarinho), ou os conselheiros Fernando Blanco (Branco), Pachi Vázquez (Vásquez ou Vasques), Carme Gallego (Galego), e outros altos cargos da novo governo galego como Antón Losada (Lousada) ou Encarna Otero (Outeiro).

    quarta-feira, 20 de julho de 2005

    Antony and the Johnsons

    Antony polo chãoA banda nova-iorquina Antony and the Johnsons actua em Compostela amanhã, 21 de julho, às 23:30.

    Para quem interessar, deixo aqui a ligaçom para um documento coas letras das suas canções, incluindo umha traduçom de Óscar Mendes e Milton Amado do poema "The Lake" de Edgar Allan Poe.

    Neste vídeo pode ver-se a interpretaçom feita no Círculo de Belas Artes de Madrid, no 28 de março passado, da sua versom do poema.

    Bom proveito...






    The Lake

    Edgar Allen Poe (1827)

    In spring of youth it was my lot
    To haunt of the wide world a spot
    The which I could not love the less-
    So lovely was the loneliness
    Of a wild lake, with black rock bound,
    And the tall pines that towered around.

    But when the Night had thrown her pall
    Upon that spot, as upon all,
    And the mystic wind went by
    Murmuring in melody-
    Then- ah then I would awake
    To the terror of the lone lake.

    Yet that terror was not fright,
    But a tremulous delight-
    A feeling not the jewelled mine
    Could teach or bribe me to define-
    Nor Love- although the Love were thine.

    Death was in that poisonous wave,
    And in its gulf a fitting grave
    For him who thence could solace bring
    To his lone imagining-
    Whose solitary soul could make
    An Eden of that dim lake.

    O Lago

    (Trad. de Oscar Mendes e Milton Amado)

    No verdor de meus anos, meu destino foi só
    habitar, de todo o vasto mundo,
    uma região que amei mais do que todas,
    tanto encantava a solidão de um lago
    selvagem, que cercavam negras rochas
    e altos pinheiros, dominando tudo.

    Mas quando a Noite, em treva, amortalhava
    esse recanto e o mundo, e o vento místico
    chegava, murmurando melopéias,
    então, ah! sempre em mim se despertava
    o terror desse lago solitário.


    Não era, esse, um terror, porém, de espanto,
    mas um delicioso calafrio,
    sentimento que as jóias mais preciosas
    não inspiram, nem fazem definir;
    nem mesmo o amor, nem mesmo o teu amor.

    Reinava a Morte na água envenenada
    e seu abismo era um sepulcro digno
    de quem pudesse ali achar consolo
    para seus pensamentos taciturnos,
    de quem a alma pudesse, desolada,
    no torvo lago ter um Paraíso.




    domingo, 17 de julho de 2005

    O espanholismo alerta

    Portada do jornal madrileno Ahora de 28/06/05Página do jornal madrileno Ahora de 28/06/05




























    (calcar nas imagens para vê-las ampliadas)

    Esta é a visom da situaçom política depois do resultado das últimas eleições galegas que davam a portada e a notícia da página 3 do diário madrileno de distribuiçom gratuita Ahora da terça-feira 28 de junho passado, jornal de que já falei aqui.

    segunda-feira, 11 de julho de 2005

    Dívida histórica: Homologaçom e facto diferencial

    A configuraçom política do Estado espanhol, que parece pretender a homologaçom dos diversos povos que envolve, nom consegue impedir que mais cedo que tarde acabe por emergir a hierarquizaçom dos diversos grupos nacionais que subjaz ao discurso estatal falsamente igualitário. O problema provém de pretender igualar realidades diferenciadas, sem levar em conta as diferenças, ou diferenciar aspectos homologáveis produzindo na Galiza um tratamento injusto e subordinado bem conhecido.

    Umha das formas em que assoma esta contradiçom é a do conflito ou contraste entre o Estado e Galiza ou entre Galiza e outras comunidades. Nas recentes eleições autonómicas vimos o facto diferencial eleitoral galego, co voto emigrante, como já tratei aqui.

    Agora, coas conversas entre os futuros sócios de governo, estám a aflorar outras contradições deste tipo, como a da dívida histórica, em torno à qual o BNG vem demandando um pacto nacional desde hai tempo.

    No fim de semana passado, Emílio Pérez Touriño manifestou os seus reparos a aceitar o conceito de "dívida histórica", apesar de o Secretário Geral do PSOE Estatal tê-lo admitido inicialmente. Já antes, Rodríguez Ibarra, presidente de Extremadura, negava a existência de tal dívida histórica.

    Ora, é curioso que o partidário e nacionalista termo "dívida histórica" seja exactamente o que aparece na reivindicaçom do último parágrafo da exposiçom de motivos do Orçamento Geral da Comunidade extremenha de 2005 e em anos anteriores... E que esse mesmo termo esteja a ser usado nestes dias em Andaluzia, que desde hai anos fai a mesma reclamaçom.

    Enfim, também co debate sobre o conceito "dívida histórica" fica à vista, mais umha vez, o comportamento dos partidos estatais e que o sentido em que chega a Galiza a pretensa homologaçom das comunidades autónomas nom é outro que o da subordinaçom.

    segunda-feira, 4 de julho de 2005

    Homossexualidade e plurinacionalidade no Estado Espanhol

    Na noite de sábado passado, 2 de julho, o canal "La 2" de Televisom Espanhola modificou a programaçom prevista e, aproveitando que aquele dia fora aprovada a conhecida como Lei do Matrimónio Homossexual, substituírom o filme inicialmente previsto no espaço "Versión Española" por Carícies, de Ventura Pons.

    Mas está visto que TVE deve considerar o catalám umha língua estrangeira, umha vez que a cópia projectada no citado programa foi a versom dobrada ao castelhano, privando assi aos espectadores, e nomeadamente aos milhões de catalanófonos do Estado, de ver o filme na versom original em catalám.

    sexta-feira, 24 de junho de 2005

    Contra a homofobia



    O matrimónio é umha instituiçom legal que protege e alarga os direitos das pessoas que se acolhem a essa instituiçom, a qual tradicionalmente está restringida apenas a alguns grupos sociais, pois adopta na sociedade ocidental moderna a forma heterossexual monogámica.

    Enquanto que nos últimos anos vem avançando-se cara a devaluaçom da instituiçom matrimonial, procurando a máxima equiparaçom legal do matrimónio com outras formas de uniom, através da promulgaçom polos Estados de leis de parelhas de facto ou de leis de uniões civis, o movimento LGTB (ou GLBT, siglas que referem às iniciais de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais) demanda em todo o mundo o acesso das parelhas homossexuais aos privilégios e benefícios legais do matrimónio e qualquer outra figura legal emergente (parelhas de facto, uniões civis, etc.), a total equiparaçom legal, enfim, entre homossexuais e heterossexuais.

    Na Central de Notícias Gays, podemos acompanhar em galego-português a evoluçom das reivindicações dos movimentos GLBT em todo o mundo.

    Cabe ao Estado Espanhol um papel protagonista nestes momentos na reivindicaçom mundial da equiparaçom legal entre homossexuais e heterossexuais, umha vez que o governo saído da maioria progressista surgida das últimas eleições legislativas apresentou um projecto de lei equiparando o matrimónio homossexual ao heterossexual sem qualquer discriminaçom legal, inclusive na adopçom.

    A direita reaccionária espanhola, fiel ao seu compromisso com um mundo desigual e hierárquico, costuma defender os privilégios sociais para apenas uns grupos sociais contra a extensom desses privilégios aos demais grupos sociais equivalentes. Para tal, aliada coa Igreja Católica (reconhecida instituiçom antidemocrática, hierárquica, machista e homofóbica), organizou umha manifestaçom estatal em Madrid, coincidido coa jornada de reflexom da campanha eleitoral galega, que supujo um fracasso de assistência pois nom conseguiu a afluência que esperava, ainda que a sua falta de escrúpulos e pudor impediu-lhes de reconhecê-lo, e em troca fizérom um ridículo e patético exercício de compensaçom freudiana contabilizando mais de um milhom de manifestantes (alguns falárom até de dous milhões, talvez somando todas as pessoas que naquela tarde se encontravam nas ruas de Madrid, e nom apenas no reduzido percurso que impossibilita acreditar nem sequer na metade dessas cifra).

    Estes grupos homofóbicos e reaccionários, muitos claramente fascistas com bandeiras franquistas, dizem defender o "direito a um pai e umha mãe" das crianças, co qual nom estám indo apenas contra homossexuais e bissexuais, mas também contra heterossexuais com filhos ou que queiram adoptar filhos, em famílias monoparentais, como permite a legislaçom em vigor, e ainda que afirmam respeitar os homossexuais, aduzem como umha das razões para pôr-se em contra da adopçom de filhos por casais homossexuais a sua crença de que esses filhos terám mais probabilidades de serem homossexuais que os criados em famílias heterossexuais.

    Neste contexto estám programadas ainda várias mobilizações sociais para festejar o Dia do Orgulho Gay, que é comemorado cada ano em 28 de junho, com manifestações nessa data ou nos fins de semana próximos a ela.

    Neste ano, a Federaçom Galega de Grupos GLBT "Aturuxo" convocou manifestaçom nacional em Lugo para sábado 2 de Julho, às 20 horas, desde a Praza Maior (diante do edifício da Cámara Municipal) até a Praza de Campo Castelo, onde será lido um manifesto. Pode obter-se mais informaçom em Vieiros e Lesbicompos.

    No passado fim de semana já houvo manifestações em Compostela e muitas outras cidades como a capital do Tejo, Valência, Málaga, Paris, Berlim...

    Além da manife galega de Lugo, noutros países ibéricos estám agendadas mobilizações similares: Porto, Barcelona e Madrid (a que iremos o meu companheiro e eu).

    Se nom puderes assistir a nengumha delas, com certeza terás ocasiom de colaborar com algumha outra iniciativa contra a homofobia


    Homofobia

    quarta-feira, 22 de junho de 2005

    Mudança para a normalizaçom lingüística

    Um dos maiores desafios do novo governo galego de mudança que sairá das recentes eleições autonómicas vai ser o de impulsionar o processo de normalizaçom lingüística, como parte da normalizaçom política e democratizaçom da Galiza.

    Neste, como noutros aspectos, o BNG tem demostrado um maior compromisso coa mudança que o PSdG-PSOE. O PSOE com freqüência tem sido um freio às propostas de normalizaçom política e promoçom do bem-estar implementadas desde o BNG. Um dos exemplos mais recentes e relevantes para o momento actual foi o seu voto contrário (enquanto o PP se abstinha) no Congresso dos Deputados às mudanças propostas polo BNG para evitar a fraude eleitoral no voto emigrante, cousa à que agora, apenas umhas semanas depois, todos os grupos se mostram sensíveis, visto que a maioria absoluta do PP dependerá do resultado desse voto.

    Quanto ao aspecto lingüístico, o PSdG protagoniza o principal conflito na política local, coa sua atitude de incumprimento da Lei de Normalizaçom Lingüística e desacato às diversas sentenças judiciais que o obrigam a cumpri-la no que diz respeito à forma oficial do topónimo crunhês, que se empenha em castelhanizar, de acordo coa sua manifesta galegofobia e auto-ódio.

    Além disso, o PSdG tem mostrado umha atitude menos decidida pola normalizaçom lingüística, que reflecte um certo complexo ou mal-estar co Galego, visível mesmo no seu programa eleitoral em frases como esta:
    «A televisión e a radio públicas teñen que ser un instrumento básico na vertebración do país, promovendo a cultura e a lingua galegas, cunha identidadepropia, pero aberta ó mundo e integradora» (Programa de Governo do PSdG, pág. 323).
    A escolha da conjunçom adversativa "pero" [= porém, mas] em vez dumha copulativa "e", trai à tona os preconceitos que subjazem na sua concepçom do galego.

    E ainda que na secçom sobre a política lingüística afirmam que:
    «O vehículo de expresión natural da identidade galega é a lingua galega. Os socialistas galegos, en consonancia coas teses do galeguismo transversal de Ramón Piñeiro, cremos que a extensión e preservación desta identidade debefacerse a través da súa cultura e a súa lingua» (p. 70)
    e definam Galiza como
    «un territorio, unha paisaxe, unha lingua, unha cultura, pero Galicia é, sobre todo, o conxunto dos seus cidadáns e das súas cidadás» (p. 8)
    Depois incluem no programa demandas de promoçom do castelhano como estas:
    «Impulsar a utilización da lingua galega establecendo as modificacións e convenios necesarios para que o sistema informático dos órganos xudiciais permita o uso do galego e do castelán.» (p. 333)

    «Reforzamento dos programas iniciais de inmersión lingüística para inmigrantes nas dúas linguas oficiais. Impartición de cursos gratuítos de linguas para adultos...» (p. 253)
    E sobre isto último, nom se leva em conta que, como afirmam no mesmo documento, 20% de imigrantes som portugueses (p. 249) e portanto já falam umha variante internacional do galego-português (continuará sendo inválida, do ponto de vista oficial, a sua variante do galego-português no nosso país, mas válidas as variantes americanas do castelhano?).

    As diferenças neste e noutros aspectos da política lingüística do PSdG com respeito ao Partido Socialista da Catalunha (PSC) som significativas. Veja-se o seu Programa Eleitoral de 2003:
    «Assegurar el paper del català com a llengua d’acollida dels nous col·lectius d’immigrants i impulsar les mesures adequades per tal que aquesta premissa sigui seguida per totes les administracions públiques i per l’àmbit de l’ensenyament públic, privat i d’adults». (pág. 52)
    A cooperaçom com Portugal, a naçom mais próxima geograficamente das que compartilham a nossa língua, é vista apenas no quadro da Euro-Regiom Galiza-Norte de Portugal, da acçom exterior do governo no ámbito europeu, e nomeadamente do ponto de vista de acordos económicios e sobre infra-estruturas, mas nom da cooperaçom cultural.

    E à lusofonia em conjunto nom se dá a mínima atençom, nem se leva em conta a imensa utilidade para a normalizaçom lingüística da enorme produçom literária, editorial, educativa, musical, informática, cinematográfica, televisiva, etc., dos países da CPLP, si presente, porém, no programa do BNG:
    «A REINTEGRACIÓN CULTURAL NO MUNDO GALEGO-PORTUGUÉS COMO FACTOR NORMALIZADOR

    O goberno do BNG manterá unha política activa de intercambio e promoción de produción cultural entre Galiza, Portugal e o resto dos países de expresión galego-portuguesa, na procura da normalización e internacionalización da cultura expresada no noso idioma». (pág. 111)





    Ainda que a posiçom teórica do PSdG a respeito da língua nom seja o mais favorável à normalizaçom, polas incoerências e os preconceitos derivados dumha concepçom do galego subordinada ao castelhano, na realidade é muito mais favorável que o do PP, que desprende a língua do seu aspecto social, observando-a apenas como um fenómeno meramente individual:
    «O PPdeG considera que na sociedade galega debe existir unha situación de igualdade entre as dúas linguas oficiais, pois unicamente dende este punto de partida se poderá falar dunha verdadeira liberdade individual de expresarse nunha ou noutra lingua de opción». (Programa eleitoral do PP, pág. 199).
    Na sociedade cada vez estám mais presentes demandas em prol da normalizaçom social do uso da nossa língua nacional, coincidindo porém com umha deturpaçom e castelhanizaçom cada vez maiores. E apesar das contradições dos partidos espanholistas, há um certo consenso no discurso público em torno à promoçom do galego que deve ser fomentado e aproveitado.

    Em qualquer caso, a sociedade deverá aumentar a pressom em prol dos direitos lingüísticos da Galiza. A normalizaçom lingüística nom é tarefa apenas das instituições públicas nem dos partidos políticos.

    Haverá que conseguir também que o novo governo galego apoie as iniciativas sociais normalizadoras sem discriminar umha parte tam importante e activa do movimento normalizador como é o reintegracionismo, que deve poder aceder às ajudas públicas e as suas iniciativas normalizadoras devem ser promonionadas à par das do resto de movimentos sociais em prol da língua.

    Por sua vez, o movimento reintegracionista, e nomeadamente a AGAL, tem a oportunidade de multiplicar a sua presença social e o apoio aos seus projectos, mas terá que manter interlocuçom com todas as forças políticas e nom apenas coas nacionalistas ou as efectivamente reintegracionistas, para garantir a influência e o aumento da sua base social, aspirando a liderar o movimento apartidário para a normalizaçom lingüística do país.

    P.S.: Este artigo foi publicado também no Portal Galego da Língua.

    terça-feira, 21 de junho de 2005

    O novo Carod-Rovira

    Apesar de ter baixado de 17 a 13 lugares no Parlamento Galego, o BNG vai ter um protagonismo muito maior na política galega e estatal do que nunca antes tivera e sobretodo tem a possibilidade de que Galiza ocupe um lugar mais destacado na política estatal.

    Onte mesmo, o jornal vespertino madrileno de distribuiçom gratuita Ahora, afim ao PP, dedicava a portada a umha grande fotografia de Anxo Quintana co manchete "El nuevo Carod-Rovira". Acrescentava, num dos três parágrafos de destaque:
    «El PSOE, a pesar de haber perdido las elecciones, gobernará en minoría, al igual que en Cataluña, dependiendo de los caprichos de un partido con ínfulas independentistas que apenas ha logrado el 19,6 por ciento de los votos».
    Também onte, no programa de debate "59 segundos" (em que, diga-se de passagem, numha secçom de entrevistas a respeito do resultado das eleições galegas a representantes de vários jornais omitírom qualquer meio galego), dous dos jornalistas convidados ao debate (um do jornal La Razón, outro da estaçom de rádio católica COPE), lançárom contínuos ataques ao BNG, que outro dos convidados, o galego Antón Losada, contestou com ironia dizendo-lhes que deveriam estar mais satisfeitos, já que agora tinham um novo "bicho": Quintana soma-se a Ibarretxe e Carod-Rovira, e poderám entreter-se demonizando nom apenas o tripartito catalám, mas também o bipartito galego.

    Zapatero nom vai ser mais refém de Carod-Rovira. Agora será refém de Carod-Rovira e de Anxo Quintana.

    segunda-feira, 20 de junho de 2005

    Maioria para a mudança na Galiza

    A maioria eleitoral pronunciou-se nediamente a favor da mudança de governo. 100.000 votos mais apoiárom o PSOE e o BNG que o PP.

    Se Galiza fosse círculo eleitoral único, o apoio à mudança ficaria mais claro ainda no reparto de assentos: PP 35, PSOE 25, BNG 15.

    O BNG, que se pugera na sua última Assembleia Nacional a meta de conseguir nestas eleições o primeiro presidente nacionalista, para o qual fora substituído Beiras por Quintana como candidato, longe de conseguir o seu objectivo, continua a sua fase descendente e passa a ser terceira força parlamentar com 13 deputados, os mesmos que em 1993, perdendo para as próximas eleições gerais o senador por designaçom autonómica (actualmente o próprio Quintana).

    Nos próximos tempos haverá que decidir se é legítimo que decidam os emigrantes (mas nom todos) o governo de Galiza, como já explicamos aqui e estes resultados eleitorais evidenciárom. Se nom acontece isso desta vez e a mudança que se quer na Galiza nom é impedida desde fora, o nosso país começa a transiçom que ainda nom tivo.

    Contodo, mau começo tem Touriño, afirmando que Fraga foi um "digno presidente". Ainda bem que a militáncia do PSdG-PSOE apupou semelhante esbardalhada.

    quinta-feira, 16 de junho de 2005

    Galiza nom é Espanha

    A esta consigna independentista repetida em paredes, muros e indicadores da Galiza estám a aderir hoje a maioria dos meios de comunicaçom do Estado plurinacional ibérico, demonstrando, mais umha vez, o seu medular nacionalismo castelhano-espanhol, com motivo da concessom do Prémio Príncipe de Astúrias das Letras à escritora brasileira Nélida Piñon.

    O recente e extraordinário facto, carregado de futuro normalizador, da publicaçom na Galiza do seu último romance, Vozes do Deserto, pola editora Candeia na versom original (em galego do Brasil), que tivo algumha cobertura mediática (veja-se Vieiros, o PGL, o Consello da Cultura Galega, a Voz, o artigo de X. M. Sarille n'A Nosa Terra, etc.), é agora, só algumhas semanas depois, deliberadamente ocultado na imprensa galega e desconhecido ou omitido no resto do Estadol, mesmo afirmando falsamente que o livro ainda nom teria sido publicado no Estado Espanhol.

    Vejamos algumhas mostras nos meios de comunicaçom galegos:

    O Faro de Vigo publica notícia em espanhol informando que «"Voces del desierto" (2004), será lanzada en octubre próximo en España». Nom diz nada da sua recente publicaçom na Galiza.

    A Voz, em castelhano também, informa que A república dos sonhos «acaba de ser publicada en gallego por Galaxia», mas omite a outra recente ediçom.

    No Berzo:

    O Diario del Bierzo afirma que «Su última novela, Voces del desierto, llegará a España en octubre» .

    E em meios do resto do Estado:

    Terra diz que «'Voces del Desierto' (2004), será lanzada en octubre próximo en España», e noutra informaçom, que a jornalista Blanca Berasategui lamentou que Nélida Piñon «no sea suficientemente conocida en España, donde publicará en octubre su obra 'Las voces del desierto'»

    Também em El Periódico se afirma que o último romance da Piñon «aparecerá en España el próximo mes de octubre».

    Afinal, ainda que muitos meios querem apresentá-la como "la voz más española de la literatura brasileira" (veja-se também aqui), a biografia da escritora facilitada pola Academia Brasileira das Letras, que ela presidiu, nomeia o Brasil e a Galiza como as suas duas pátrias:

    «Na infância, seus pais a estimularam para a leitura, deram-lhe livros e levaram-na a viajar. Aos dez anos foi para a Galiza, onde ficou dois anos. Essa vivência foi fundamental para a futura escritora, que em sua obra irá revelar, sobretudo, o amor por duas pátrias: a Galiza e o Brasil».

    P.S.: Observe-se como quase todos os meios escrevem o apelido da premiada autora de forma diferente a como ela própria assina.

    sexta-feira, 10 de junho de 2005

    Pérez Mariño e Atutxa

    A notícia ou boato publicado onte polo Faro de Vigo acerca da possiblidade de Ventura Pérez Mariño abandonar a Cámara Municipal, facilitando assi umha moçom de censura contra o PP que apoiaria o BNG e investiria a concelheira socialista Maria Xosé Porteiro Presidente da corporaçom, irrompe em plena campanha eleitoral, quando ainda está recente a retirada que o Partido Nacionalista Basco (PNB) tivo que fazer do seu candidato inicial à Presidência do Parlamento Basco para conseguir o apoio necessário.

    Naquela altura, o PSOE chegou a considerar a possibilidade de apoiar um parlamentar do PNB diferente de Atutxa, e depois responsabilizou esse partido de bloquear a situaçom por obstinar-se em apresentar um candidato que nom tinha apoio suficiente.

    Mágoa que o BNG desaproveite esta ocasiom de visualizar a responsabilidade do PSOE no facto de hoje governar o PP em Vigo.

    quarta-feira, 8 de junho de 2005

    Manifestos e manifes

    No Nome da Esperanza: Xa Vai No Estado plurinacional ibérico, a hegemonia espanholista seqüestra a pluralidade e impom-nos de contínuo o seu programa político homologador e colonial. Para tal, os meios de comunicaçom som instrumento sobranceiro.

    Veja-se senom a escassa repercussom que tivo nos meios de comunicaçom de ámbito estatal, e mesmo nos meios de comunicaçom galegos, o manifesto No nome da Esperanza, Xa Vai, promovido por intelectuais galegos em contra do PP e animando à cidadania a promover umha mudança política nas eleições de 19 de Junho próximo.

    E compare-se co grande eco que os meios de comunicaçom estatais (e mesmo os galegos, apesar da campanha eleitoral) estám a dar ao manifesto Por um novo partido político na Catalunha, também conhecido como "manifesto contra o nacionalismo catalám", promovido por quinze intelectuais espanholistas (ou "no nacionalistas", como eles se apelidam) desse país e ao que teríam aderido cerca de 200 pessoas mais.

    Manifestaçom de Batasuna em Bilbau (5/06/05)O mesmo que cos manifestos aconteceu co duelo de manifestações entre Bilbau e Madrid no domingo passado. Os meios estatais que informárom da manife de Bilbau, convocada por Batasuna sob o lema "Orain Herria, Orain Bakea" ("Agora o Povo, Agora a Paz"), a favor de um processo de diálogo para a resoluçom do conflito político basco, raramente dérom imagens e se algumha cifra de manifestantes se podia ler, era o abstracto "milhares". Da de Madrid, convocada pola Associaçom de Vítimas do Terrorismo (AVT) em contra de umha possível negociaçom entre ETA e o Governo espanhol, houvo informaçom avondo, incluindo guerra de cifras.

    domingo, 5 de junho de 2005

    Touriño reprova língua e o BNG decepciona

    Parece que há consenso.

    Tanto para reintegracionistas, na votaçom em curso no Portal Galego da Língua, onde nestes momentos ninguém considera Touriño o candidato à Presidência da Junta que melhor fale Galego (face aos 36% que votam por Quintana, 15% por Fraga, e os maioritários 47% que acham que os três falam igual de mal), como para oficialistas, nomeadamente para o mais próximo ao reintegracionismo dos professores de Filologia Galega das três Universidades galegas consultados pola Voz, Manuel Ferreiro: o candidato que pior fala a nossa língua é Touriño, com diferença.

    A colocaçom errónea dos pronomes átonos e os castelhanismos léxicos parecem ser os erros comuns aos três candidados principais.

    Co mal que fala Fraga, e o mal que vocaliza, é penoso que haja tam pouca diferença na avaliaçom entre o seu péssimo Galego e o de Quintana, em quem, apesar dos muitos erros, eu percebo umha certa melhoria, e aguardo que nom seja apenas umha miragem motivada porque agora pronuncie Galiza e nom Galícia, como até há pouco.

    No entanto, a política lingüística do BNG decepciona em Monforte, e nada menos que em Alhariz, promotor do «Projecto Maiores», com web co nome em Castelhano: www.mayoresactivos.com, que anuncia interface em Castelhano e em Inglês, e onde a associaçom galega EuroEume e o Centro Social Lousado, de Portugal, utilizam a nossa língua comum, mas nom a Câmara Municipal de Alhariz que, em vez do Galego-Português, emprega o Castelhano e parece querer empregar também o Inglês (mas por enquanto só nas duas primeiras palavras).

    sábado, 4 de junho de 2005

    Torturas

    Tortura Nunca Mais A tremenda realidade da tortura no Estado Espanhol é um fenómeno que infelizmente vem sendo desatendido por parte dos meios de comunicaçom e por muitos grupos políticos.

    No seu Relatório Anual 2005, Amnistia Internacional denucia os numerosos casos de torturas no Estado Espanhol e lembra o relatório especial da ONU sobre a tortura em que concluia que, embora nom fosse umha prática sistemática, a tortura em Espanha era «mais do que esporádica e incidental».

    Tortura Nunca MaisÀ diferença do governo conservador de Aznar, que nom tivo em consideraçom as medidas propostas pola ONU para prevenir a tortura, e mesmo indultou e condecorou torturadores, o governo social-democrata de Rodríguez Zapatero assinou em Abril passado o Protocolo Facultativo da Convençom da ONU contra a Tortura.

    Neste contexto produzírom-se nas últimas horas duas notícias relevantes.

    Por um lado, a resoluçom da queixa apresentada por Kepa Urra em Fevereiro de 2002, depois de o governo Aznar ter indultado guardas-civis que foram condenados por torturá-lo. O Comité contra a Tortura da ONU resolveu que fôrom vulnerados vários artigos da Convençom e concede ao Estado espanhol 90 dias para que achegue as medidas adoptadas para pôr fim à tortura.

    O Comité concluiu que «a falta dum castigo apropriado é incompatível co dever de prevençom de actos de tortura».

    E aqui entra a segunda notícia como exemplo desta conclusom.
    Unai Romano
    O julgado de instruçom número 25 de Madrid, encarregado do caso de Unai Romano, decidiu arquivar a denúncia que este apresentara por torturas recebidas pola Guardia-Civil nos cinco dias em que estivo incomunicado apôs ser detido em 6 de Setembro de 2001, e das quais existe o feroz testemunho de várias fotografias, umha das quais reproduzimos aqui para que o leitor julgue a atitude de alguns juízes espanhóis face à tortura.

    O juiz considera que Unai Romano se autotorturou e acusa-o de ter falsificado as provas de audiometria, para que nelas constasse perda de audiçom, e nom só arquiva a denúncia mas deixa aberta a possilidade de empreender acções contra el.


    domingo, 29 de maio de 2005

    Eleições: Decidem os emigrantes (mas nom todos)

    Nas últimas semanas, diversas sondagens prenunciam a possível perda do governo por parte do Partido Popular ou, polo menos, a perda da maioria absoluta no Parlamento galego (36 assentos para o PP dava a sondagem de La Voz de Galicia e entre 36 e 39 Galicia Hoxe e La Región).


    Acontece que nengumha destas sondagens leva em conta o voto de milhares de galegos e galegas que formam parte do censo de residentes ausentes (CERA), o chamado voto emigrante. Ainda que a Voz advertia que poderiam decidir até 2 deputados.

    Nesta convocatória eleitoral o voto emigrante é constituído por pouco mais de 300 mil eleitores, o que equivale aos 13% dos recenseados na Galiza e representa 11,6% do corpo eleitoral total.

    Levando em conta que nos últimos anos aumenta a percentagem de voto emigrante e que neste o apoio ao PP é superior ao voto interior, concluirá-se que nesta ocasiom é mui povável que se repita a situaçom de 1997, em que o escrutínio do voto emigrante modificou o reparto de escanos inicial do voto residente, a favor do PP e em detrimento do BNG.

    Poderíamos encontrar-nos, portanto, com que a maioria de votantes residentes na Galiza deixasse o PP sem maioria absoluta, e cidadãos que nom moram na Galiza desde há várias décadas, ou que nem sequer conhecem o país (filhos e netos de emigrantes), e que, como já dixemos e convém repetir, nom votam coas mesmas garantias democráticas que os residentes, restituam essa maioria absoluta ao PP.

    Ora, nom todos os emigrantes tém voto. Dentre os galegos residentes noutras comunidades autónomas do Estado Espanhol (mais de 500.000 em 2001), aqueles que estamos empadroados e recenseados no nosso actual lugar de residência, e nom na Galiza, nom podemos participar nestas eleições.

    É certo que a participaçom destes emigrantes nas eleições galegas levantaria problemas técnicos, mas com certeza seria possível habilitar fórmulas que o permitissem, mesmo que fosse a criaçom de um terceiro censo, além do de residentes e o CERA.

    Ao PP, decerto, nom interessará a possível influência desse voto, visto que a emigraçom durante o período de governo de Manuel Fraga tivo como destino maioritário outras comunidades do Estado e foi nutrida nomeadamente por gente nova, e visto também que entre as franjas etárias mais novas é onde menor apoio eleitoral tem esse partido, como confirmam as últimas sondagens da Voz e do Correo. Mas parece que tampouco o BNG nem o PSOE atendem a esta discriminaçom, no que di respeito ao exercício do voto, dos emigrantes galegos a outras comunidades autónomas.

    O certo é que, se se quiger realmente fomentar a participaçom eleitoral dos emigrantes galegos, em igualdade e sem discriminações, deveria defender-se o direito de voto destes emigrantes no resto do Estado nos processos eleitorais em que participem os emigrantes de fora do Estado.

    Caberia também a possibilidade que exercessen o voto somente os residentes, nativos ou imigrantes, evitando assi a excessiva influência que pode chegar a ter o voto de pessoas que nom residem no país e que se estabelecêrom noutros. Cremos que assi acontece, polo menos, na Irlanda, outro país em que a emigraçom, como no nosso, foi mui elevada.

    Concelhos em que o CERA representa
    mais de 40% do censo total:



    Percentagem do CERA sobre o censo total
    nas 7 cidades galegas:


    Fonte: INE

    sexta-feira, 27 de maio de 2005

    Elementos contra a mudança

    Para além dos mais conhecidos instrumentos de que o PP usa e abusa para evitar que as cousas, politicamente falando, mudem a partir do próximo 19 de Junho na Galiza, há outros menos conhecidos como tais, mas que também o som, como o voto emigrante, tradicionalmente muito mais favorável ao PP do que o voto interior, e que carece das garantias deste (pola conivência de PP e PSOE), a divisom da esquerda extraparlamentar (ao que se poderia unir o seu oportunismo eleitoralista), e Paco Vázquez.

    Hoje mesmo, o presidente da Cámara Municipal da Corunha mostrou-se, em entrevista à estaçom de rádio espanhola Cadena SER, claramente desfavorável a um pacto entre o BNG e o PSOE. Quando Antón Losada aludiu à boa experiência de pacto entre estes dous partidos na Deputaçom da Corunha, sem dúvida tentando mostrar a possibilidade dum entendimento que garanta a mudança, Paco Vázquez respondeu, notavelmente amolado, que el nom tinha nada a ver coa Deputaçom da Corunha e que a sua boa experiência de pacto fora co PP quando estivo em minoria no concelho e, por se isso fosse pouco, acrescentou que a boa experiência de pacto entre BNG e PSOE na Deputaçom corunhesa fica compensada coa má experiência de Vigo.

    Mostrou assi o alcaide corunhês clara preferência por um pacto PP-PSOE ou ainda entre o PSOE e umha posível cisom do PP posterior à perda da maioria absoluta, se é que nom a mantém, coa ajuda inestimável das suas declarações.


    quarta-feira, 25 de maio de 2005

    O Quéchua e o Galego. Línguas, nomes e fronteiras



    No domingo passado assistim a umha juntança da associaçom Rumiñahui, de que fum membro fundador junto com meu irmão André, que foi o seu primeiro presidente, e a minha amiga Dora Aguirre, actual presidente e a sua verdadeira alma mater.

    A reuniom tratava sobre diferentes trabalhos para o fomento da leitura entre a populaçom imigrante, no quadro de um convénio assinado co Ministério de Cultura espanhol.

    Como o meu companheiro Joel propunha organizar, como parte do projecto de obradoiro literário em Madrid, um prémio literário aberto a imigrantes de todas as origens, eu defendim que o prémio se estendesse ao ámbito estatal e que se admitissem portanto as línguas das quatro comunidades lingüísticas que abrange o Estado espanhol (galego-português, castelhano, catalám e basco). Esta proposta nom foi bem acolhida, mas originou um debate sobre quais as línguas admissíveis, no sentido de poder admitir-se, além do castelhano, o quéchua (e acaso outras línguas do Equador) porquanto seria mais fácil para Rumiñahui conseguir que os jurados do prémio dominassem essas línguas, ou admitir a escrita na língua nativa dos imigrantes, qualquer que esta for, mas acompanhada de traduçom ao castelhano, opçom adoptada por enquanto.

    Durante o debate eu empreguei indistintamente as formas "quéchua" e "quíchua", pois tinha entendido que ambas se usavam para denominar a mesma língua. Num dado momento, umha companheira da associaçom, Míriam, dixo que nom eram a mesma cousa: o quíchua é de Equador e o quéchua de Peru e só se admitiria o quíchua, nom o quéchua.

    Perguntamos entom o Joel e eu: mas som a mesma língua ou nom? Som diferentes, respondiam. Uns dizem quéchua e outros quíchua, onde uns pronunciam "e" os outros pronunciam "i", as palavras som mui parecidas mas podem soar diferente ou ter significados diferentes, ainda que próximos.

    Afinal, parece claro que se trata de outro caso de trastornos lingüísticos causados por fronteiras políticas, como o nosso galego-português ou o catalám-valenciano.

    E, como nos outros dous casos citados, nas constituições do Peru e do Equador esta língua é citada com nomes diferentes, se bem que somente muda umha vogal.



    Mapa dos dialectos do quéchua-quíchua (runasimi, na língua original)

    domingo, 22 de maio de 2005

    Programas

    Continuamos em pré-campanha.

    O BNG apresentou onte, 21 de maio, o seu Programa de Governo, que nesse mesmo dia passava a estar disponível no seu web, em formato PDF (de livre distribuiçom, pois o programa necessário para abrir documentos PDF é gratuito: Adobe Reader). No seu exaustivo Programa de Governo, de 271 páginas, o BNG explica o negativo resultado das políticas do PP, a situaçom do país, e as medidas que propom para mudar a situaçom. Esperamos que o BNG edite logo um Programa Eleitoral, resumindo as principais medidas do Programa de Governo. Por enquanto dispomos desta sumária apresentaçom.

    Hoje foi o PSdG-PSOE quem apresentou o seu Programa. No entanto, só disponibilizou um breve documento de duas páginas em formato DOC, nom gratuito senom privado e comercial, propriedade da empresa Microsoft, do bilionário estadunidense Bill Gates. O documento condensa 30 medidas do Programa Eleitoral.

    Por enquanto fai-se difícil comparar ambos os documentos, mas numha primeira olhada chama a atençom o facto de coincidirem em começar polo compromisso de avançar no autogoverno através dum novo Estatuto de Autonomia. Encontram-se também algumhas medidas similares no que diz respeito à política sócio-económica e atendem também ambos documentos às demandas sociais favoráveis a um desenvolvimento sustentável, medidas ambientais, e melhoria dos serviços públicos.

    Mas observamos nas 30 medidas de governo propostas polo PSdG umha desatençom aos problemas culturais e linguistico da Galiza. Somente encontramos, no aspecto cultural, a criaçom do Instituto Rosalia de Castro como instrumento para veicular a presença de Galiza no exterior (medida 17), e a promoçom do ensino lingüístico do inglês (medida 14 do PSdG, vid. pp. 83 e 93 do BNG onde se fala de "umha língua estrangeira" sem conceder porém preferência ao inglês). Nada aparece, portanto, sobre a necessidade de avançar na normalizaçom lingüística (um dos aspectos em que mais dano fizérom os governos de Fraga), ou sobre o direito de receber o ensino em galego. Ainda que neste último aspecto o BNG só se compromete à "impartición, como mínimo, dun 50 % das materias en lingua galega", a diferença de tratamento do aspecto cultural e lingüístico é considerável, umha vez que o BNG dedica um dos oito capítulos do Programa a este aspecto (Capítulo IV, pp. 86-124).

    Outra diferença salientável numha primeira olhada é o tratamento de outros direitos cívicos . O BNG intitula o capítulo VII do seu programa "Mais Democracia e Liberdades" com atençom à regeneraçom ética e democrática, código ético e luita contra a corrupçom, transparência, limpeza nas contrataçom pública, objectividade na concessom de subvenções e ajudas públicas, impulsionamento da participaçom cidadã, e até propom a eliminaçom de publicidade institucional e a limitaçom da eleiçom do Presidente da Junta a dous mandatos consecutivos (p. 250).

    Na secçom dedicada ao avanço dos direitos cívicos compromete-se a garantir a igualdade de todas as relações afectivas e a liberdade de opçom sexual, e a elaborar umha Lei de Parelhas de Feito. E na secçom III.7, "Un governo comprometido coa igualdade", constam medidas para fomentar a igualdade de género, como a criaçom dumha Comissom Interdepartamental para a Igualdade ou a elaboraçom dumha Lei Galega Integral para a Igualdade e para os Dereitos das Mulleres. Julgamos que estes aspectos ficárom desatendidos nas 30 medidas avançadas polo PSdG-PSOE.

    quarta-feira, 18 de maio de 2005

    A norma e o erro

    Entre as mudanças anunciadas quando a Real Academia Galega (RAG) aprovou a proposta de modificaçom da sua normativa lingüística, em 12 de julho de 2003, figurava com freqüência a da eliminaçom do uso obrigatório da chamada "segunda forma do artigo", contestada por amplos sectores em prol da normalizaçom do galego, nomeadamente pola ASPG e a AGAL (veja-se o seu Estudo Crítico, pp. 98-100).

    Na página do Conselho da Cultura Galega encontra-se um documento com todas as mudanças, em que se di que o alomorfe
    «–lo pasa a ser de uso obrigatorio só despois da preposición por e do adverbio u. Nos demais casos a súa representación é facultativa. No texto das Normas só se emprega nos casos en que é obrigado.»

    Ainda que na realidade o uso facultativo da "segunda forma do artigo" nom era umha novidade, pois já estava na redacçom das normas de 1982, augurava-se coa mudança normativa o uso preferente das formas sem assimilaçom.

    Quase dous anos depois, o uso da "segunda forma do artigo" continua a ser abundante nos escritos redigidos segundo as normas da RAG.

    Na página 81 do seu recomendável livro Sócio-Didáctica Lingüística (1994), a professora Elvira Souto refere umha experiência realizada num grupo de 73 alunos de primeiro curso da Escola Universitária de Formaçom do Professorado de ensino primário da Universidade da Corunha a quem foi mostrado o texto "TÓDALA PRADEIRA GALEGA" pedindo-se que indicassem o erro que continha a frase. O resultado foi que apenas 6 assinalarom a óbvia incorrecçom da forma *tódala, enquanto que 43 declarárom nom ser capazes de identificar o erro e os 24 restantes corrigírom pradeira para prado.

    Fagamos agora a prova de procurar no buscador Google ocorrências das formas incorrectas *tódolo ou *tódala em páginas recentes.

    Para limitar a procura a páginas em galego-português e nom noutras línguas em que pudesse ocorrer essa palavra, procuraremos também algumhas das mais comuns em galego-português, como as contracções pola, polo ou do, ou o advérbio de negaçom, escrito em norma RAG, non. Para que se nos mostrem documentos recentes, acrescentamos o algarismo do ano em curso. Finalmente, retiramos o filtro para que nom oculte mais de um resultado no mesmo servidor:

    tódala OR tódolo 2005 pola OR polo OR do OR non

    O resultado som cerca de 500 páginas, entre as que pode haver algumha em espanhol ou noutro idioma, mas facilmente comprovamos que quase todas estám na norma RAG.

    Se retiramos o ano, aparecem mais de 3.500 páginas que contém formas como "tódala noite" (usc.es) "tódala información" (uvigo.es) ou "tódala militancia" (esquerdaunida.org). Webs como os das Universidades da Corunha e de Vigo, o Igape, o Valedor do Povo, Vigo Hoxe, Galicia Dixital e inclusive o mesmíssimo web da Junta de Galiza contém várias páginas coas formas erradas *tódolo ou *tódala.

    Fica claro que algumhas normas induzem ao erro.

    quinta-feira, 12 de maio de 2005

    Blogue, Blog ou Blo?

    Dias atrás, o Todo Nada, que hoje está inacessível por problemas em Blogsome, falava do blo de Quin (Anxo Quintana). Se procuramos no Google "o blo" em páginas escritas em galego-português, veremos que esta forma é empregada, polo menos, também no Brasil e até com mais abundáncia de exemplos que na Galiza. No entanto, som poucos os exemplos deste uso na nossa língua, e a maioria dos casos ocorrem em contextos em que se pretende acentuar um registro mui coloquial ou mesmo vulgar.

    Blog, a forma original em inglês, é a mais usada em galego, com grande avantagem sobre a forma adaptada blogue.

    Nom sei se o tempo irá a favor da adaptaçom ou da manutençom da forma inglesa original. Suponho que a globalizaçom crescente favorece a importaçom directa de léxico inglês, sem adaptações, mas as tendências internas da língua trabalharám teimudamente a favor da estabilizaçom e portanto da adaptaçom.

    Por enquanto, cito aqui um trecho da página 350 da magnífica Nova Gramática para a Aprendizaxe da Língua, editada por Via Láctea em 1988, mantendo a ortografia original:
    «21.- Adaptación de voces estranxeiras (e onomatopeicas):

    Algunhas palabras estranxeiras e onomatopeicas xa familiares entre nós recebem unha vogal de apoio (normalmente un e) para evitar grupos consonánticos ou, sobretodo, consoantes finais inabituais ou impronunciábeis no noso idioma:
    • - be:
    clube, esnobe, pube, Magrebe
    • - fe:
    bife, golfe, pufe, xerife; Cardife, Rife
    • - gue:
    aicebergue/icebergue, buldogue, dogue, pingue-pongue, ziguezague; Béringue, Danzigue»
    ... e blogue, digo eu.

    quinta-feira, 5 de maio de 2005

    Êxodo e importaçom

    Leio no Galicia Hoxe que um assessor japonês da Junta propujo onte que a Galiza imite o exemplo de Irlanda e 'convide' com incentivos moços e moças de outros países da UE para que se estabeleçam na Galiza de modo a renovar assi umha populaçom tam envelhecida.

    E pergunto-me eu se o senhor assesor foi informado pola Junta disto.

    quinta-feira, 28 de abril de 2005

    O defeito e o excesso

    Onte tivo lugar no programa "Hora 25" da estaçom de rádio espanhola "Cadena Ser" o primeiro debate eleitoral galego em 12 anos. O anterior produzira-se em 1993, entre os candidatos do PP (Manuel Fraga) e PSOE (Antolín Sánchez Presedo), também num meio de comunicaçom foráneo (Antena 3 TV).

    O facto de o debate ter lugar num meio nom galego é a primeira mostra da asfixiante situaçom do país, como dixo no programa Suso de Toro. Os principais meios de comunicaçom galegos, públicos e privados, estám subordinados à rede caciquil e clientelar da Junta e do PP e nom se atrevem a sair-se das linhas que lhes marca o Big Brother. O carácter estatal da emissom condicionou totalmente o debate, e nom só por nom se desenvolver na língua do país, em que previsivelmente decorrerá a campanha dos três partidos.

    PPSOE

    Os dous partidos estatais debatérom pensando no ámbito estatal e desde um ponto de vista centralista e espanholista, desfocando assi o debate. É por isso que o representante do PP, Núñez Feijó utilizou como um argumento contra o PSdG a negativa situaçom da Galiza em 1996, ou desde 1982 a 1996, anos em que -salvo a breve parêntese do governo tripartido presidido por González Laxe- governou na Galiza o PP. Acontece que nesses anos na Moncloa residia um Presidente do PSOE, Felipe González.

    Quase pior do que esta actuaçom do representante do PP foi a do porta-voz do PSdG, José Luís Méndez Romeu, quem em nengum momento foi capaz de lembrar ao seu oponente que nesses anos quem governava o país era o PP, de forma que esses argumentos, como um boomerang, acabassem virando-se contra quem os utilizava. Méndez Romeu pensava também no governo Estatal e nom na Galiza, que é do que vam -ainda que nom se acabem de inteirar- estas eleições.

    O representante do BNG, Anxo Quintana foi porém o único que interveu com umha visom centrada na Galiza, denunciando a visom subordinada da política galega por parte dos representantes do espanholismo. Mas a sua insistência foi repetitiva, aborrecida e monologante. Quase nom debateu cos outros representantes, partiu da premissa de que a situaçom do país é ruim, mas nom deu nengum dato nem falou quase nada sobre políticas sociais, de emprego, de sanidade, de educaçom, de infra-estruturas, de cultura, nem do conflito lingüístico, salvo sobre o desacato à lei por parte de Francisco Vázquez quanto ao topónimo da cidade herculina.

    Anxo Quintana foi quase monotemático. Nom se cansou de repetir e explicar, até a náusea, que queria "umha mudança galega" ("um cambio gallego").

    sexta-feira, 22 de abril de 2005

    A língua e as comunidades internacionais

    O presidente do governo catalám, Pasqual Maragall, afirmou antonte em Paris, após reunir-se com o Ministro de Relações Exteriores francês, Michel Barnier, que a Catalunha solicitará o ingresso na Organizaçom Internacional da Francofonia.

    Da Francofonia fazem parte vários países que nom têm o francês como língua oficial. É o caso de Cabo Verde ou Guiné Bissau (ambos de língua oficial galego-portuguesa), Guiné Equatorial (espanhola) ou Moldávia (romena).

    Apenas um dia depois, o presidente da Junta da Galiza, Manuel Fraga, depois de décadas discriminando o reintegracionismo, espeta na conferência de imprensa posterior ao conselho de governo de 21 de abril, que "galego, português e brasileiro som a mesma cousa".

    Sendo a Galiza parte da euro-regiom Galiza-Norte de Portugal, e tendo aprovado o BNG, em Assembleia Nacional, que solicitaria o ingresso do país na CPLP, o que suspeito que incumpriu até hoje, nom se entende que este tema nom ocupe um lugar mais destacado hoje no discurso cultural e sobre a língua.

    Já veremos também que atençom é dada à lusofonia nos programas de governo para as eleições do próximo Junho.

    A este passo, antes que a Galiza considere seriamente a conveniência de entrar na CPLP, já teremos a Paco Vázquez, tam sensível a estes temas lingüísticos, propondo a integraçom na Commonwealth.

    segunda-feira, 18 de abril de 2005

    Início

    Ultimamente venho lendo com certa freqüência alguns blogues, nomeadamente informativos, ou de lingüística ou literatura, e parece que chegou a hora de colocar-me no lado reverso ao de leitor, e contribuir no que poda com um blogue de meu, ou polo menos fazer a prova.

    Para começar, foi difícil a escolha do nome, pois vários dos que fum provando estavam já registados. Afinal ficou como "O Reverso".

    Acho que sempre há várias formas de ver as cousas, diferentes pontos de vista, e daí decorre umha das bases da análise, do estudo e o pensamento. Interesa-me o reverso. Aquilo que às vezes nom vemos, ou nom se vê, mas nom por isso nom está ou nom existe.

    Enfim, como seria a fotografia para o bilhete de identidade de Jano?