quinta-feira, 28 de abril de 2005

O defeito e o excesso

Onte tivo lugar no programa "Hora 25" da estaçom de rádio espanhola "Cadena Ser" o primeiro debate eleitoral galego em 12 anos. O anterior produzira-se em 1993, entre os candidatos do PP (Manuel Fraga) e PSOE (Antolín Sánchez Presedo), também num meio de comunicaçom foráneo (Antena 3 TV).

O facto de o debate ter lugar num meio nom galego é a primeira mostra da asfixiante situaçom do país, como dixo no programa Suso de Toro. Os principais meios de comunicaçom galegos, públicos e privados, estám subordinados à rede caciquil e clientelar da Junta e do PP e nom se atrevem a sair-se das linhas que lhes marca o Big Brother. O carácter estatal da emissom condicionou totalmente o debate, e nom só por nom se desenvolver na língua do país, em que previsivelmente decorrerá a campanha dos três partidos.

PPSOE

Os dous partidos estatais debatérom pensando no ámbito estatal e desde um ponto de vista centralista e espanholista, desfocando assi o debate. É por isso que o representante do PP, Núñez Feijó utilizou como um argumento contra o PSdG a negativa situaçom da Galiza em 1996, ou desde 1982 a 1996, anos em que -salvo a breve parêntese do governo tripartido presidido por González Laxe- governou na Galiza o PP. Acontece que nesses anos na Moncloa residia um Presidente do PSOE, Felipe González.

Quase pior do que esta actuaçom do representante do PP foi a do porta-voz do PSdG, José Luís Méndez Romeu, quem em nengum momento foi capaz de lembrar ao seu oponente que nesses anos quem governava o país era o PP, de forma que esses argumentos, como um boomerang, acabassem virando-se contra quem os utilizava. Méndez Romeu pensava também no governo Estatal e nom na Galiza, que é do que vam -ainda que nom se acabem de inteirar- estas eleições.

O representante do BNG, Anxo Quintana foi porém o único que interveu com umha visom centrada na Galiza, denunciando a visom subordinada da política galega por parte dos representantes do espanholismo. Mas a sua insistência foi repetitiva, aborrecida e monologante. Quase nom debateu cos outros representantes, partiu da premissa de que a situaçom do país é ruim, mas nom deu nengum dato nem falou quase nada sobre políticas sociais, de emprego, de sanidade, de educaçom, de infra-estruturas, de cultura, nem do conflito lingüístico, salvo sobre o desacato à lei por parte de Francisco Vázquez quanto ao topónimo da cidade herculina.

Anxo Quintana foi quase monotemático. Nom se cansou de repetir e explicar, até a náusea, que queria "umha mudança galega" ("um cambio gallego").

3 comentários:

luisfoz disse...

Caro José Manuel: eu procuro nom ler nem ouvir nada do que di Quintana; o motivo é que tenho medo de que me faga mudar a decissom que tenho tomada de votar BNG o 19 de Junho. O pior é que, estando recenseado na província da Crunha, o meu voto vai ser para el pessoalmente. País...

J. Manuel Outeiro disse...

Caro Foz, compreendo perfeitamente o que dizes, mas eu animo-te contodo a escuitá-lo pois hoje mesmo, na entrevista que lhe fizérom em TVE, e que anunciava o web do BNG, estivo muitíssimo melhor que no debate da SER.
A minha situaçom é pior ainda que a tua. Tu polo menos ainda podes contribuir à mudança no país, votando inclusive pessoalmente ao Quin. Eu, em troca, nom podo votar porque sou um emigrante de segunda e nom tenho direito de voto como os emigrantes na Argentina ou em Venezuela, ou os seus filhos e netos.
Pretendo tratar isto noutra mensagem do blogue.

luisfoz disse...

Caro José Manuel: compreendo o que dis e a minha resoluçom de votar BNG é firme mas escuitar um candidato à Presidência da Junta conjugar o verbo "seguer" umha e outra vez pom-me dos nervos. Onte tivem o "prazer" de ouvir-lhe dizer "exagerao" como um bom espanhol-falante; tem em conta que o Quinito é de Vigo - Ourense, nom é um galego oriental que tenhem essa forma, dialectal, por própria.
Nom falo em política porque é ainda pior.
Contodo, acredito que, polo menos nos desfaremos da besta fascista e isso já é algo.