quarta-feira, 25 de maio de 2005

O Quéchua e o Galego. Línguas, nomes e fronteiras



No domingo passado assistim a umha juntança da associaçom Rumiñahui, de que fum membro fundador junto com meu irmão André, que foi o seu primeiro presidente, e a minha amiga Dora Aguirre, actual presidente e a sua verdadeira alma mater.

A reuniom tratava sobre diferentes trabalhos para o fomento da leitura entre a populaçom imigrante, no quadro de um convénio assinado co Ministério de Cultura espanhol.

Como o meu companheiro Joel propunha organizar, como parte do projecto de obradoiro literário em Madrid, um prémio literário aberto a imigrantes de todas as origens, eu defendim que o prémio se estendesse ao ámbito estatal e que se admitissem portanto as línguas das quatro comunidades lingüísticas que abrange o Estado espanhol (galego-português, castelhano, catalám e basco). Esta proposta nom foi bem acolhida, mas originou um debate sobre quais as línguas admissíveis, no sentido de poder admitir-se, além do castelhano, o quéchua (e acaso outras línguas do Equador) porquanto seria mais fácil para Rumiñahui conseguir que os jurados do prémio dominassem essas línguas, ou admitir a escrita na língua nativa dos imigrantes, qualquer que esta for, mas acompanhada de traduçom ao castelhano, opçom adoptada por enquanto.

Durante o debate eu empreguei indistintamente as formas "quéchua" e "quíchua", pois tinha entendido que ambas se usavam para denominar a mesma língua. Num dado momento, umha companheira da associaçom, Míriam, dixo que nom eram a mesma cousa: o quíchua é de Equador e o quéchua de Peru e só se admitiria o quíchua, nom o quéchua.

Perguntamos entom o Joel e eu: mas som a mesma língua ou nom? Som diferentes, respondiam. Uns dizem quéchua e outros quíchua, onde uns pronunciam "e" os outros pronunciam "i", as palavras som mui parecidas mas podem soar diferente ou ter significados diferentes, ainda que próximos.

Afinal, parece claro que se trata de outro caso de trastornos lingüísticos causados por fronteiras políticas, como o nosso galego-português ou o catalám-valenciano.

E, como nos outros dous casos citados, nas constituições do Peru e do Equador esta língua é citada com nomes diferentes, se bem que somente muda umha vogal.



Mapa dos dialectos do quéchua-quíchua (runasimi, na língua original)

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