quinta-feira, 16 de junho de 2005

Galiza nom é Espanha

A esta consigna independentista repetida em paredes, muros e indicadores da Galiza estám a aderir hoje a maioria dos meios de comunicaçom do Estado plurinacional ibérico, demonstrando, mais umha vez, o seu medular nacionalismo castelhano-espanhol, com motivo da concessom do Prémio Príncipe de Astúrias das Letras à escritora brasileira Nélida Piñon.

O recente e extraordinário facto, carregado de futuro normalizador, da publicaçom na Galiza do seu último romance, Vozes do Deserto, pola editora Candeia na versom original (em galego do Brasil), que tivo algumha cobertura mediática (veja-se Vieiros, o PGL, o Consello da Cultura Galega, a Voz, o artigo de X. M. Sarille n'A Nosa Terra, etc.), é agora, só algumhas semanas depois, deliberadamente ocultado na imprensa galega e desconhecido ou omitido no resto do Estadol, mesmo afirmando falsamente que o livro ainda nom teria sido publicado no Estado Espanhol.

Vejamos algumhas mostras nos meios de comunicaçom galegos:

O Faro de Vigo publica notícia em espanhol informando que «"Voces del desierto" (2004), será lanzada en octubre próximo en España». Nom diz nada da sua recente publicaçom na Galiza.

A Voz, em castelhano também, informa que A república dos sonhos «acaba de ser publicada en gallego por Galaxia», mas omite a outra recente ediçom.

No Berzo:

O Diario del Bierzo afirma que «Su última novela, Voces del desierto, llegará a España en octubre» .

E em meios do resto do Estado:

Terra diz que «'Voces del Desierto' (2004), será lanzada en octubre próximo en España», e noutra informaçom, que a jornalista Blanca Berasategui lamentou que Nélida Piñon «no sea suficientemente conocida en España, donde publicará en octubre su obra 'Las voces del desierto'»

Também em El Periódico se afirma que o último romance da Piñon «aparecerá en España el próximo mes de octubre».

Afinal, ainda que muitos meios querem apresentá-la como "la voz más española de la literatura brasileira" (veja-se também aqui), a biografia da escritora facilitada pola Academia Brasileira das Letras, que ela presidiu, nomeia o Brasil e a Galiza como as suas duas pátrias:

«Na infância, seus pais a estimularam para a leitura, deram-lhe livros e levaram-na a viajar. Aos dez anos foi para a Galiza, onde ficou dois anos. Essa vivência foi fundamental para a futura escritora, que em sua obra irá revelar, sobretudo, o amor por duas pátrias: a Galiza e o Brasil».

P.S.: Observe-se como quase todos os meios escrevem o apelido da premiada autora de forma diferente a como ela própria assina.

4 comentários:

galeidoscopio disse...

Parabéns pola bitácora. Tenho uma grande queréncia pelo Brasil, mas a túa piada de alcunhar a súa língua de galego e muito por demais. Saúde sempre.

J. Manuel Outeiro disse...

Obrigado, galeidoscópio. Mas nom é piada, nom. Vai a sério. A unidade lingüística galego-portuguesa foi tradicionalmente defendida polo galeguismo histórico e actual, inclusive nom som nada original, já falava Camilo Nogueira do Galego de Porto-Alegre

galeidoscopio disse...

Xa sabia que ia a sério.
Partilho a ideia da unidade, mas uma outra coisa é a percepção e a vontade (marcada ideologicamente) dos falantes. Podes falar de galego-português, no entanto, as pessoas lusófonas (que já pôrão en causa esta denominação) rejeitarão o conceito de galego, aplicado à súa língua.
Seguirei mais de vagar logo.
Saúde.

J. Manuel Outeiro disse...

Entendo o que dizes. A minha pretensom nom é modificar o nome por que é conhecida a nossa língua (ou as variantes internacionais da nossa língua) no mundo ou nesses outros países, senom contribuir na Galiza à consciência de unidade lingüística galego-portuguesa, da que decorrem imensos benefícios para o nosso país e para normalizarmos a língua nacional. Obrigado polas tuas contribuições