quarta-feira, 22 de junho de 2005

Mudança para a normalizaçom lingüística

Um dos maiores desafios do novo governo galego de mudança que sairá das recentes eleições autonómicas vai ser o de impulsionar o processo de normalizaçom lingüística, como parte da normalizaçom política e democratizaçom da Galiza.

Neste, como noutros aspectos, o BNG tem demostrado um maior compromisso coa mudança que o PSdG-PSOE. O PSOE com freqüência tem sido um freio às propostas de normalizaçom política e promoçom do bem-estar implementadas desde o BNG. Um dos exemplos mais recentes e relevantes para o momento actual foi o seu voto contrário (enquanto o PP se abstinha) no Congresso dos Deputados às mudanças propostas polo BNG para evitar a fraude eleitoral no voto emigrante, cousa à que agora, apenas umhas semanas depois, todos os grupos se mostram sensíveis, visto que a maioria absoluta do PP dependerá do resultado desse voto.

Quanto ao aspecto lingüístico, o PSdG protagoniza o principal conflito na política local, coa sua atitude de incumprimento da Lei de Normalizaçom Lingüística e desacato às diversas sentenças judiciais que o obrigam a cumpri-la no que diz respeito à forma oficial do topónimo crunhês, que se empenha em castelhanizar, de acordo coa sua manifesta galegofobia e auto-ódio.

Além disso, o PSdG tem mostrado umha atitude menos decidida pola normalizaçom lingüística, que reflecte um certo complexo ou mal-estar co Galego, visível mesmo no seu programa eleitoral em frases como esta:
«A televisión e a radio públicas teñen que ser un instrumento básico na vertebración do país, promovendo a cultura e a lingua galegas, cunha identidadepropia, pero aberta ó mundo e integradora» (Programa de Governo do PSdG, pág. 323).
A escolha da conjunçom adversativa "pero" [= porém, mas] em vez dumha copulativa "e", trai à tona os preconceitos que subjazem na sua concepçom do galego.

E ainda que na secçom sobre a política lingüística afirmam que:
«O vehículo de expresión natural da identidade galega é a lingua galega. Os socialistas galegos, en consonancia coas teses do galeguismo transversal de Ramón Piñeiro, cremos que a extensión e preservación desta identidade debefacerse a través da súa cultura e a súa lingua» (p. 70)
e definam Galiza como
«un territorio, unha paisaxe, unha lingua, unha cultura, pero Galicia é, sobre todo, o conxunto dos seus cidadáns e das súas cidadás» (p. 8)
Depois incluem no programa demandas de promoçom do castelhano como estas:
«Impulsar a utilización da lingua galega establecendo as modificacións e convenios necesarios para que o sistema informático dos órganos xudiciais permita o uso do galego e do castelán.» (p. 333)

«Reforzamento dos programas iniciais de inmersión lingüística para inmigrantes nas dúas linguas oficiais. Impartición de cursos gratuítos de linguas para adultos...» (p. 253)
E sobre isto último, nom se leva em conta que, como afirmam no mesmo documento, 20% de imigrantes som portugueses (p. 249) e portanto já falam umha variante internacional do galego-português (continuará sendo inválida, do ponto de vista oficial, a sua variante do galego-português no nosso país, mas válidas as variantes americanas do castelhano?).

As diferenças neste e noutros aspectos da política lingüística do PSdG com respeito ao Partido Socialista da Catalunha (PSC) som significativas. Veja-se o seu Programa Eleitoral de 2003:
«Assegurar el paper del català com a llengua d’acollida dels nous col·lectius d’immigrants i impulsar les mesures adequades per tal que aquesta premissa sigui seguida per totes les administracions públiques i per l’àmbit de l’ensenyament públic, privat i d’adults». (pág. 52)
A cooperaçom com Portugal, a naçom mais próxima geograficamente das que compartilham a nossa língua, é vista apenas no quadro da Euro-Regiom Galiza-Norte de Portugal, da acçom exterior do governo no ámbito europeu, e nomeadamente do ponto de vista de acordos económicios e sobre infra-estruturas, mas nom da cooperaçom cultural.

E à lusofonia em conjunto nom se dá a mínima atençom, nem se leva em conta a imensa utilidade para a normalizaçom lingüística da enorme produçom literária, editorial, educativa, musical, informática, cinematográfica, televisiva, etc., dos países da CPLP, si presente, porém, no programa do BNG:
«A REINTEGRACIÓN CULTURAL NO MUNDO GALEGO-PORTUGUÉS COMO FACTOR NORMALIZADOR

O goberno do BNG manterá unha política activa de intercambio e promoción de produción cultural entre Galiza, Portugal e o resto dos países de expresión galego-portuguesa, na procura da normalización e internacionalización da cultura expresada no noso idioma». (pág. 111)





Ainda que a posiçom teórica do PSdG a respeito da língua nom seja o mais favorável à normalizaçom, polas incoerências e os preconceitos derivados dumha concepçom do galego subordinada ao castelhano, na realidade é muito mais favorável que o do PP, que desprende a língua do seu aspecto social, observando-a apenas como um fenómeno meramente individual:
«O PPdeG considera que na sociedade galega debe existir unha situación de igualdade entre as dúas linguas oficiais, pois unicamente dende este punto de partida se poderá falar dunha verdadeira liberdade individual de expresarse nunha ou noutra lingua de opción». (Programa eleitoral do PP, pág. 199).
Na sociedade cada vez estám mais presentes demandas em prol da normalizaçom social do uso da nossa língua nacional, coincidindo porém com umha deturpaçom e castelhanizaçom cada vez maiores. E apesar das contradições dos partidos espanholistas, há um certo consenso no discurso público em torno à promoçom do galego que deve ser fomentado e aproveitado.

Em qualquer caso, a sociedade deverá aumentar a pressom em prol dos direitos lingüísticos da Galiza. A normalizaçom lingüística nom é tarefa apenas das instituições públicas nem dos partidos políticos.

Haverá que conseguir também que o novo governo galego apoie as iniciativas sociais normalizadoras sem discriminar umha parte tam importante e activa do movimento normalizador como é o reintegracionismo, que deve poder aceder às ajudas públicas e as suas iniciativas normalizadoras devem ser promonionadas à par das do resto de movimentos sociais em prol da língua.

Por sua vez, o movimento reintegracionista, e nomeadamente a AGAL, tem a oportunidade de multiplicar a sua presença social e o apoio aos seus projectos, mas terá que manter interlocuçom com todas as forças políticas e nom apenas coas nacionalistas ou as efectivamente reintegracionistas, para garantir a influência e o aumento da sua base social, aspirando a liderar o movimento apartidário para a normalizaçom lingüística do país.

P.S.: Este artigo foi publicado também no Portal Galego da Língua.

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