terça-feira, 27 de setembro de 2005

Deixou-nos Antonio Drove

Onte à noite deparei por internet coa notícia da morte de Antonio Drove. Com certeza nom é a melhor forma de inteirar-te da morte de quem foi um admirável mestre e amigo. Antes de vir a Madrid, em 1991, coleccionei alguns dos seus artigos sobre cinema publicados na imprensa e posteriormente foi o meu professor de guiom na academia cinematográfica Metrópolis c.e. Veu depois a transiçom de aluno a amigo, apoiando-o em vários projectos, como o livro de entrevistas a Douglas Sirk, em que incluiu um poema meu que a sua cativante personalidade me inspirou, co que ganhei um prémio, e que cópio aqui também.

Talvez o seu projecto cinematográfico mais querido e infelizmente irrealizado foi a longametragem "Inocencia y perversión", que el mesmo gostaria de ter interpretado. Tem razom Octavi Martí ao falar del como "um dos grandes talendos desaproveitados do cinema espanhol" e é injusta a pouca repercusom desta fatal notícia nos meios espanhóis.

Deixou-nos a sua obra cinematográfica, o magnífico livro referido, Tiempo de vivir. Tiempo de revivir, os seus artigos e trabalhos espalhados em jornais e revistas, extraordinária obra de amor ao cinema que cumpre recuperar, e a sua marcante pegada para quem tivemos o privilégio e a sorte de o conhecer.


cadeia de dedicatórias


vontade de viver

a Antonio Drove Shaw

ser fogos-de-vista
e aportar novas estrelas ao céu
ser umha vela acesa polos dous extremos

viver em contínuo movimento

explorar todos os caminhos
olhar todas as luzes
ser toda a verdade
viver todas as vidas de umha vez
escuitar o sussurro do vento
ter vontade de viver

buscar as verdades de todos os contrários
e em ti próprio sintetizá-las

guardar em ti
a sabedoria da paz
e a força da guerra

cumprir a missom de cada momento
fazer um cúmplice do tempo

ressuscitar de todos os eclipses

ser o solitário sol no dia
e à noite estrela acompanhando à lua
amar sem barreiras, de todas as maneiras

nascer, viver e morrer cada dia
renascendo sempre em pulos novos de energia

abrir as portas de todas as possibilidades
morar em todas as estâncias
deixar falar todas as vozes que em ti morem

andar todos os caminhos do labirinto
olhar tudo de todas as perspectivas
viver dentro dos limites para os derrubar

cobrir o mundo
com o frescor do orvalho
que fertilize todos os eidos
e doar-lhe a luz do sol

e afinal
cumprir a saudade de Universo

sábado, 24 de setembro de 2005

A natureza sai do armário


(calcar na imagem para aumentar)

Além de deitar definitivamente por terra o preconceito de a homossexualidade ser antinatural, o documentário Out in Nature. The Homosexual Behaviour in the Animal Kingdom põe em dúvida o dogma darwiniano da melhoria reprodutiva como explicaçom de todo comportamento sexual animal, sugerindo a possibilidade de dissociaçom de sexo e reproduçom em nom poucas espécies, além do ser humano, e relata episódios da histórica acçom dos preconceitos homofóbicos contra o avanço do conhecimento e da ciência, como a frase «os elefantes estám a cometer vícios e delitos sexuais proibidos polas normas do cristianismo» de um relatório sobre elefantes de 1892 ou a censura a qualquer referência aos comportamentos homossexuais nas orcas num documento do governo estadunidense de 1980.

Co título "El comportamiento homosexual en los animales", é possível encontrar em redes P2P a versom espanhola de Canal Odisea.

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

Ensino gratuito e propaganda

O Bretemas está a actualizar desde onte a informaçom sobre a polémica surgida acerca da gratuidade dos livros de texto do ensino primário, anunciada onte polo governo da Junta.

Som mui recomendáveis as leituras que propõe, nomeadamente o relatório da Associaçom Galega de Editores de abril passado, pois é este um sector directamente atingido e que, sendo favorável à medida, opõe-se à métodologia, que acovilha injustiça, desigualdade e esbanjamento, escolhida polo PP e agora avalizada pola nova Conselharia de Educaçom.

A gratuidade dos livros de texto do ensino obrigatório vinha nos programas de governo do PSdG-PSOE e do BNG e daí passou ao texto do Acordo de Governo entre os dous partidos. Ora, no do PSdG dizia-se textualmente:
"Acelerar a implantación do programa de gratuidade dos libros de texto de
xeito que se xeneralice a todo o alumnado do Ensino Obrigatorio. Escoitar neste
proceso ós sectores afectados".
Parece que nesta ocasiom a vontade de diálogo ficou preterida em favor das necessidades propagandísticas.

sábado, 3 de setembro de 2005

Xavier Alcalá

O autor d'A Nosa Cinza, deu um passo à frente digno de louvança publicando o mês passado o seu relato do verão na Voz na ortografia culta e nom na demótica que costuma empregar.

Também é recomendável o seu apelo à normalizaçom lingüística da antroponímia.

Pergunto-me se o terám lido a própria presidenta do Parlamento aludida no título, Dolores Villarino (Vilarinho), ou os conselheiros Fernando Blanco (Branco), Pachi Vázquez (Vásquez ou Vasques), Carme Gallego (Galego), e outros altos cargos da novo governo galego como Antón Losada (Lousada) ou Encarna Otero (Outeiro).