quinta-feira, 6 de outubro de 2005

Defensor de quê?

O governo de Aznar nomeou Enrique Múgica Defensor del Pueblo espanhol porque o seu conhecido espanholismo e a sua beligeráncia contra os partidos nacionalistas, nomeadamente o basco, seriam mui úteis para a sua estratégia de regressom democrática e homologaçom espanholista da diversidade nacional do Estado, e nesse sentido o facto de ser membro do PSOE também lhes serviria para dissimular o seu sectarismo.

Agora que o PSOE no governo sofre umha forte divisom interna entre os sectores mais federalistas e mesmo favoráveis ao reconhecimento do carácter plurinacional do Estado (nomeadamente o Partit dels Socialistas de Catalunya, PSC) e os sectores mais espanholistas (Rodríguez Ibarra, Alfonso Guerra...), o Defensor del Pueblo decidiu entrar na cena para defender os privilégios dos indivíduos castelhanófonos nas nações do Estado com língua própria diferente à espanhola, atacando os esforços de normalizaçom lingüística desenvolvidos nomeadamente na Catalunha e no País Basco.

A intervençom de Enrique Múgica coincide coa proposta feita polo seu partido no País Basco para neutralizar o constante avanço do ensino monolíngüe em basco e o conseqüente declínio do ensino em castelhano nesse país, estabelecendo um novo sistema de escolarizaçom bilíngüe mais próximo ao galego, que nestes anos mostrou a sua eficácia para a substituiçom lingüística.

Coincide também co debate gerado polo Conselho de Europa ao ter proposto para a Galiza a implementaçom dum modelo de ensino monolíngüe em galego, que ultrapassa os objectivos nesse ámbito do Plano de Normalizaçom Lingüística, colocando em primeiro plano o direito ao ensino íntegro na língua própria.

E também tenta influir no debate sobre o novo Estatuto da Catalunha (e portanto no debate sobre o modelo de Estado) aprovado por esmagadora maioria no Parlamento dessa naçom ibérica, o que nom impedirá que os partidos espanholistas modifiquem o documento no Congresso dos Deputados de Madrid.

Por enquanto, o Síndic de Greuges catalám já contestou aos ataques do Defensor espanhol contra a política de normalizaçom da comunidade lingüística catalã.

O oportunismo do Defensor del Pueblo, e a indignaçom que está a provocar na Galiza, deveria fazer reflexionar sobre a importáncia de os galegos reclamarmos constantemente os nossos direitos lingüísticos, visto que os sectores espanholistas nom deixam de reclamar o exercício dos seus privilégios e bloquear o avanço dos nossos direitos, contando, aliás, coas instituições estatais que nestes casos costumam funcionar como garantes da nossa discriminaçom.

A melhor forma de contestar ao Sr. Múgica seria exigir do nosso direito ao ensino íntegro em galego, que deveria ser implementado nesta legislatura.

Para mais, a página web do Defensor del Pueblo só está em castelhano. Outro motivo de protesto.

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