domingo, 12 de novembro de 2006

Luis de Matos aprende galego

Como em julho passado critiquei aqui o mágico português Luís de Matos polo desprezo à língua comum nas suas colaborações no programa Luar, da TVG, é justo que agora informe que, polo menos no último programa, emitido na sexta-feira passada, de Matos ensaiou umha mistura de português e espanhol para falar "galego".


Luís de Matos fala galego


De facto, na sua primeira apariçom no programa dessa noite informou que estaria em Lugo no sábado 11 para apresentar a gala de magia internacional As jovens estrelas da magia e que o maior repto para el seria o de falar num galego "quase normativo". Com motivo desse evento, concedeu também umha entrevista à Voz «numha mistura de mal português, mal castelhano e mal galego»

O seu maior mérito, para além de fazer umha aleatória mistura de castelhano e português com efeito mui próxima ao "galego normativo" da RAG, foi talvez o de manter o seu "galego" mesmo falando coa artista espanhola com quem o pugérom a fazer o número mágico, nesta ocasiom a cantante Karina.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Marta Rivera e a literatura galega

A finalista do Prémio Planeta deste ano, Marta Rivera de la Cruz, nascida em Lugo em 1970, e residente em Madrid desde há 18 anos, aproveitou a repercussom mediática que lhe confere a distinçom conseguida para denunciar a sua discriminaçom por parte das instituições galegas por escrever em castelhano, que nom é considerada "escritora galega" (ela define-se como umha "escritora gallega aunque libremente escriba en castellano"), nem convidada a dar conferências nas universidades galegas.

Mesmo denuncia nom ter sido nunca convidada aos actos «de las letras gallegas», obviando ou desconhecendo olimpicamente (ou antes mesquinha e interessadamente) o significado dessa celebraçom e a sua relaçom coa reivindicaçom do uso literário do galego.

Penso que o caso é bem ilustrativo da miséria intelectual e o défice de consciência cívica e democrática de que falei recentemente, que supom um défice importante no nosso país para avançar no processo de normalizaçom lingüística, e de como isto pode interagir cos crescentes ataques do espanholismo à nossa língua e cultura.

A intervençom de Marta Riveira está na esteira da polémica surgida pola participaçom da literatura catalã na Feira do Livro de Frankfurt, onde será literatura convidada no ano 2007, e que está a ser atacada polo espanholismo por nom incluir os autores catalães de expressom castelhana. Esta polémica catalã nom foi alimentada por nengum dos principais escritores que na Catalunha escrevem e publicam em espanhol (como Eduardo Mendoza, Juan Marsé, Enrique Vila-Matas. Ruiz Zafón...). O único a alinhar-se co espanholismo parece ter sido Félix de Azúa.

Literatura catalã é a escrita em catalám e literatura galega é a escrita em galego, ou galego-português da Galiza, do mesmo jeito que literatura russa é a escrita em russo e ucraniana a escrita em ucraniano, e assi por diante, e por esta razom lingüística essencial à literatura um escritor como Gogol forma parte da literatura russa e nom da ucraniana, mesmo sendo ucraniano, e mesmo apesar da importáncia da cultura ucraniana na sua literatura.

O compromisso das instituições galegas é o de promocionar a cultura e a literatura galegas. A literatura espanhola, à que ela pertence, nom está nada carente de instrumentos de promoçom, e menos se comparada coa literatura galega. Marta Rivera nom só optou por escrever em castelhano e nom em galego mas também por estabelecer-se em Madrid. Mas desde Madrid, escrevendo em castelhano, di sentir-se excluída por nom ser convidada aos actos do Dia das Letras Galegas.

Estas declarações som profundamente hostis coa cultura e a literatura galegas e estám ao serviço do espanholismo. Esse espanholismo paifoco que a leva mesmo a declarar-se castelhana numha entrevista, entre outras cousas:

SP- ¿Por eso el protagonista es argentino?

MR- Sí. Pero también me interesaba incluir en esta sociedad a una persona absolutamente ajena a ella. En una ciudad española lo mejor era alguien de Latinoamérica, por la facilidad del idioma que le permite integrarse rápidamente. Admiro muchísimo la cultura latinoamericana, y creo que nos queda mucho que aprender de ella a los castellanos.

SP- Has dicho "nosotros los castellanos", ¿no eres independentista? ¿No escribes en gallego?

MR- No soy independentista. Escribo algo en gallego, sobre todo para una revista en la que hago las páginas en gallego. He hecho artículos, he trabajado en la televisión gallega... Pero literatura en gallego no hago, es mi segunda lengua materna. Desconfío de la idea del bilingüismo total a la hora de escribir, a mí escribir en gallego no me sale, aunque no tengo que traducir. De todas formas, creo que de todas las "comunidades históricas" somos los que mejor nos hemos sabido integrar en todas partes sin hacer de nuestra tierra un estandarte para imponerlo a nadie.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

BlogDay2006

Nom foi fácil escolher 5 blogues bem diferentes ou afastados deste, quer polo ponto de vista, a atitude ou a cultura. Decidim-me por 5 blogues temáticos, o qual já os diferencia deste na atitude. E ainda que incluo um sobre língua, um tema aqui recorrente, está em inglês e nom em galego-português. Uno-me assi à celebraçom do BlogDay2006.

  1. Um blogue de literatura: The Literary Saloon O blogue do portal de crítica literária Complete Review, com notícias, comentários e informaçom sobre actualizações do portal.

  2. Um blogue político: Tupiniquim, weblog sobre povos indígenas, feito em Portugal, e que levou o prémio do público a melhor blogue do mundo em 2005 nos The BOBs (The Best Of The Blogs)

  3. Um blogue sobre ciência: Malaciencia «Disparates, barbaridades y patadas a la ciencia, en noticias, películas o incluso en el saber general»

  4. E finalmente um blogue pornográfico gay: Mundo Gay que se define como «um site onde você conta... pequenos clips e muitas fotografias para delicias do corpo e da alma».

Technorati Tag: BlogDay2006

sábado, 12 de agosto de 2006

Os incêndios assediam a Junta de Galiza



Imagens do incêndio que deflagrou onte no arrabalde norte de Compostela, vistas desde a sede da Junta de Galiza, em Sam Caetano.

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

O galego queima

Desde que perdeu as últimas eleições galegas, o espanholismo de direita do PP está em pé de guerra contra o galego, enquanto o espanholismo de centro-esquerda do PSOE continua co método seguido até agora, a política do bilingüismo harmonico como a mais efectiva para a substituiçom do galego polo espanhol.

O meio neofascista Libertad Digital já deu várias mostras nos últimos meses. O jornal La Razón mostra a sua hostilidade ao galego falando de "fiebre de galleguización". E a reaccionária plataforma "Hazte Oir" encontra excessos galeguizadores que mesmo qualifica de totalitários.

O povo galego, a pouco e pouco, vai deixando de ter no imaginário espanhol essa imagem de gente amável, melosa, e mais bem sofrida, resignada e paciente, além de ignorante ou no mínimo rara ou esguelhada, para transformar-se num povo tanto mais antipático quanto mais ponha em perigo os privilégios que o espanholismo sustenta por meio da sua subordinaçom lingüística e cultural (mas também económica, social e política) no quadro do Estado espanhol.

Com ocasiom da fatal vaga de incêndios que sofre o país nestes dias, a direita espanholista nom deixou passar a oportunidade para atacar a nossa língua, animada pola plena disposiçom do PP galego e do seu líder Núñez Feijóo para fomentar o auto-ódio. Os jornais El Mundo, ABC e La Razón, os noticiários da estaçom de televisom Antena3... toda a frente mediática do espanholismo imperialista e xenófobo culpabilizou unanimemente da situaçom de acoso incendiário a exigência, para aceder aos empregos públicos de efectivos contra-incêndios, do conhecimento da língua que falam as pessoas que habitam no meio em que os incêndios se estám a produzir e que sofrem as conseqüências dos mesmos. Queima-lhes o galego.

Felizmente, estes ataques estám a ter a contestaçom social que merecem.

Mas este episódio deve servir para tomar consciência do que nos espera e para avançarmos no caminho da normalizaçom. Tal como vem acontecendo no País Basco e na Catalunha desde o fim do franquismo, agora que o faguismo -a nossa seqüela do franquismo- perdeu o poder, qualquer medida em prol da normalizaçom lingüística galega, por morna que seja, será boicotada desde a Espanha, virulentamente pola direita, e subtilmente pola esquerda espanholista, e as pessoas e colectivos que apoiarem dentro da Galiza a substituiçom lingüística serám encorajados e convertidos em heróis da democracia contra o 'totalitarismo nacionalista' do governo galego... Surgiu de vez o povo galego como o terceiro antagonista do projecto nacional espanholista, ao lado do basco e o catalám.

Mas na Galiza nom existe a consciência cívica e democrática da Catalunha e o País Basco, e este défice social, juntamente coa miséria intelectual (o mais claro reflexo da qual é a situaçom do reintegracionismo) em que nos mantém prostrados o mais paifoco espanholismo cultural do Estado espanhol, podem contribuir para que em vez de avanços, soframos retrocesos.

Na situaçom actual de conculcaçom dos direitos lingüísticos, no ensino, as administrações públicas, os serviços sociais e outros ámbitos onde qualquer de nós pode exigir o emprego da nossa língua, o grau de protesto é realmente ínfimo. A maioria dos galego-falantes renúncia a exigir o atendimento em galego (incluso na administraçom pública galega), a pedir a folha de reclamaçom, a fazer a pertinente denúncia. Muitos casos explicam-se pola falta de consciência cívica e democrática de que falámos, pola assunçom da galegofóbia e a subordinaçom ao espanhol. Mas isto muitas vezes também é assi entre membros de colectivos comprometidos coa normalizaçom lingüística (inclusive militantes do BNG ou colectivos independentistas, e sócios e sócias da Mesa ou da AGAL). Isto deve mudar.

Mesmo que haja ámbitos nos quais é praticamente inútil emprender a batalha pola dignificaçom lingüística, e nos quais som fundamentalmente os colectivos os que devem agir, nom é menos certo que a pressom individual é necessária hoje em muitos ámbitos, e com freqüência pode ser efectiva. Está nas nossas mãos acelerar o ritmo da normalizaçom lingüística, coa nossa pressom individual, que quanto maior for, mais forçará a colectiva. Nós marcamos o passo. Se desistirmos, os avanços nom chegarám e continuaremos, coa síndrome de Moisés, a esperar por alguém que no-los consiga.

Chegou o tempo da insubmissom lingüística.

sexta-feira, 28 de julho de 2006

O mago que trocou o Galego-Português polo Castelhano

Veja actualizaçom de novembro de 2006

A TVG tem umha importante e contínua presença no blogomilho, provavelmente devido à expectativa que ainda existe de que a mudança política galega se traduza nesse meio num aumento da qualidade e um maior respeito polo pluralismo, e polo próprio espectador. Aqui mesmo já falei várias vezes do que tenho por um dos programas mais representativos dessa mudança: "Hai Debate".

Um dos programas cuja desapariçom mais demandava parte do público que apoiou a mudança política, "Luar", considerado símbolo do fraguismo televisivo polo seu folclorismo ranço e a participaçom dos mais ressessos cantantes e grupos espanhóis, permanece porém no ar, bem que com algumhas modificações.

Neste programa está a participar com algumha freqüência o mágico português Luís de Matos, mui famoso em Portugal, utilizando reiterada e exclusivamente o castelhano.

Isto já foi referido no blogue Coisas do Gomes o passado mês de Janeiro, e posteriormente reiterado num comentário ao artigo "O que ganhamos com o galego" publicado no Renas e Veados em Abril.

Pois bem, no Luar emitido na semana passada o mágico lusófono voltou a assombrar-nos coa desapariçom dos seus lábios da língua galego-portuguesa, substituída pola espanhola, mesmo quando interpelado exclusivamente na língua comum polos condutores do programa. Umha atitude de puro desprezo à língua galego-portuguesa, e à audiência do programa, tanto galega como portuguesa, pois os próprios apresentadores comentárom, justo depois de Matos terminar o seu número, que o Luar é mui visto no Além-Minho.



Luis de Matos em Luar (TVG 21.07.06)


A TVG poderia fazer mais para realmente contribuir à normalizaçom da língua, que é um dos fins para o que foi criada em 1984. Seria interessante ver o comportamento de Luís de Matos nom só falando com Gayoso, ou com este e um/ha artista hispanófono (como já aconteceu, reforçando o seu uso do espanhol), mas um/ha lusófono/a que só empreguasse a língua comum (como Filipa Pais ou João Afonso, p.ex.).

Mas enquanto algo assi nom aconteça, o comportamento de Luís de Matos bem merece umha mensagenzinha de protesto, e para animar a enviá-la, deixo um formulário com um breve texto, que pode ainda ser modificado e enviado ao endereço da empresa Luís de Matos Produções Lda. (lmp@luisdematos.pt).


Nome:






P.S. de 31 de julho: Mudei o endereço de destino, umha vez que o anterior (lm@luisdematos.pt) começou a devolver mensagens.


segunda-feira, 17 de julho de 2006

Al-Daní

Conhecim Al-Daní em Madrid no verão de 2003, se bem lembro. Era um moço vitalista, determinado, empreendedor e que sabia curtir a vida ao seu jeito. Durante algum tempo continuamos em contacto através da Internet e por eu estar a trabalhar no Ministério de Cultura, mui perto do apartamento em que el morava, no bairro de Chueca. Depois que passei a desempenhar liberaçom para a CIG e deixei de usar o messenger, após conhecer a minha parelha, perdim o contacto.

Agora que regressei à Galiza, estava a lembrar-me com freqüência del. E pensei que mais cedo que tarde teríamos ocasiom de encontrar-nos e botar uns contos. Mas já nom poderá ser.

Na sexta-feira passada deparei por acaso coa notícia en Internet do seu assassinato (e do seu companheiro de apartamento). Talvez teria sido bom contar nesse momento polo menos coa mínima disposiçom para encontrar más notícias com que imagino munirem-se, como quem coloca os óculos, os leitores de esquelas dos jornais locais. Mas topei coa notícia casualmente e digerim-na em soledade, como na anterior ocasiom em que me acontecera algo semelhante, mas desta vez lendo com indignaçom o relato macabro das várias páginas que dedicou a versom em internet da Voz ao horrível crime. Este jornal digital nom quijo deixar nengumha hipótese sem formular, nem declaraçom de vizinhos ou supostos amigos sem ecoar, por mais absurdas, contraditórias ou despropositadas que fossem, com total desprezo polas vítimas e chegando a insinuar, por boca de "alguns amigos" a responsabilidade delas mesmas pola sua própria morte. Tampouco o Correo desaproveitou a ocasiom de mostrar a sua faceta mais bisbilhoteira, ao que parece mesmo causando o protesto explícito da família de Al-Daní nos comentários online. A Opinión, mesmo parecia justificar o assassino. O Faro, que parece ter conseguido nom dar rédea solta aos instintos preeiros e mórbidos à hora de relatar a notícia, nom pudo evitar contodo levar o álcool e as drogas à manchete. Omito todas as ligações às outras notícias que refiro, entre as publicadas na mesma sexta-feira, salvo essa.

Visto o panorama, e como já se comenta em foros gays com indignaçom polo tratamento informativo, fica por esclarecer qual é a utilidade do Acordo Galego pola Igualdade nos Meios de Comunicaçom recentemente assinado por vários dos jornais citados e a Vice-Presidência da Junta de Galiza.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

terça-feira, 30 de maio de 2006

Reintegraçom e Integraçom

Parece-me haver, inclusive nos grupos de normalizaçom lingüística, umha grande falta de visom de futuro com respeito a um dos aspectos que ganhará mais peso no processo de normalizaçom nas próximas décadas: a imigraçom, e a sua integraçom na língua do país.

Sem dúvida este aspecto está subordinado ao do próprio processo de normalizaçom interno. Galiza é já um país desintegrado o bastante como para ter difícil a integraçom de qualquer imigrante alófono, mas devemos estar atentos às características da imigraçom que chega ao nosso país para aproveitar as possibilidades favorábeis, nom só para a sua integraçom mas inclusive para o processo geral de normalizaçom.

Por exemplo, segundo a Opinión do passado 24 dos 30.783 trabalhadores estrangeiros de alta na Segurança Social na Galiza, os lusófonos parecem ser o grupo maioritário em funçom da língua (8.760 som portugueses 1.476 brasileiros, e há ainda os cabo-verdianos), em número similar aos hispanófonos (3.185 colombianos, 1.968 argentinos, 1.488 uruguaios, 1.134 peruanos, 1.083 venezuelanos...). Também os dados do IGE reflectem a crescente importáncia da imigraçom brasileira, e a constante portuguesa.

De facto, já o Plano de Normalizaçom Lingüística aprovado por unanimidade no Parlamento, fazia umha referência (despropositada no seu isolacionismo) ao colectivo português ao falar da imigraçom:
Aproveitar a actitude favorable dos inmigrantes e a facilidade que algunhas etnias teñen para os idiomas (dos 50.000 inmigrantes, o 25% son portugueses). (p. 232)

Com esta realidade, o que nom se deveria manter cara ao futuro, agora que está a tratar-se a modificaçom do Estatuto de Autonomia, é a subordinaçom das variantes internacionais do Galego-Português, nom reconhecidas oficialmente, face às variantes internacionais do Castelhano, si reconhecidas, pois daí decorre a discriminaçom dos lusófonos com respeito aos hispanófonos, o qual claramente dificulta a normalizaçom lingüística e propícia a passagem para o Castelhano desses milhares de pessoas provenientes de países que falam variantes da nossa língua, incorporando-os às dinámicas de substituiçom. Portanto, a discriminaçom dos falantes das variantes internacionais da nossa língua é também a discriminaçom dos falantes da variante nacional do Galego-Português.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Mecanismo para pesquisar em Chuza! com Firefox

Publico aqui um novo mecanismo de pesquisa de Firefox, desta vez para Chuza!

Para instalá-lo, usando Firefox, preme no ícone de Chuza! a seguir:



Também se pode instalar desde a página correspondente do Projecto Mycroft.

Como outras vezes, recomendo usar ConQuery

quarta-feira, 10 de maio de 2006

O asteróide do PP

Acho que o programa que emite a TVG nas noites das segundas-feiras, "Hai Debate", é umha boa mostra do que representa a recente mudança de governo concretamente para a televisom pública da Galiza mas também para o debate político e social no nosso país. A simples existência do programa, e os temas que nel som tratados, descolocam aos representantes do Partido Popular, que jamais teriam favorecido debates abertos deste tipo, e de facto impedírom todo o que pudérom a existência de espaços de debate plural na Galiza.

Nos programas que tenho visto, percebim umha especial consideraçom por parte da apresentadora cos representantes do PP e umha tendência a interromper aos representantes do BNG, ainda que no último programa isto nom fosse tam manifesto. De resto, o da passada segunda-feira foi um debate similar aos prévios na posiçom incómoda e neutralizada do Partido Popular, incapaz de fazer com base em argumentos sólidos umha oposiçom séria ao BNG e ao PSdG, que sustentam o actual governo galego. E coa agravante de que nesta ocasiom, pola natureza dos temas tratados, que nom atingiam directamente ao labor do governo autonómico, era mais difícil que se centrassem, como noutras ocasiões, em tentar dar umha imagem de divisom e enfrentamento entre os representantes dos partidos governantes.

Umha eloqüente mostra desta clamorosa falta de argumentos do PP deu-na o seu deputado no Parlamento galego, Ángel Bernardo Tahoces, contestando com umha absurda e ridícula defesa dos EUA, as críticas feitas polo porta-voz do BNG nas Cortes Espanholas, Francisco Rodríguez, à política exterior desse país no Médio Oriente.





Pouco se pode acrescentar. Mas será que filmes como Armageddon podem danar o cérebro?

quarta-feira, 12 de abril de 2006

A língua: nom hai debate

Modesto Web publicou em duas partes o debate sobre a situaçom da língua emitido no programa Hai Debate da TVG na segunda-feira passada.

Vale a pena vê-lo para comprovar o penosos que som os argumentos em prol da normalizaçom empregados polos representantes políticos, que nom passam de proclamas retóricas sobre a identidade, sem que pareçam basear-se sequer numha concepçom da língua como instrumento colectivo de comunicaçom, senom somente como elemento de uso idividual que deve garantir-se em igualdade de direito co Castelhano.

Nem sequer o representante do BNG se referia à normalizaçom lingüística desde um ponto de vista colectivo, e a sua ferrenha defesa da inclusom do dever de conhecer o Galego no futuro Estatuto de Autonomia remetia em todo o momento à equiparaçom do direito ao uso individual do Galego e do Castelhano.

Assim, as referências à "língua própria" e à identidade, resultavam totalmente retóricas e ficavam desprovidas da base que lhe forneceria o ponto de vista dos direitos lingüísticos colectivos em relaçom co aspecto colectivo da língua.

Desde esse ponto de vista, o Estado Espanhol está composto por várias comunidades lingüísticas e, ainda que no plano legal se poda tentar garantir o direito ao uso das línguas faladas no seio do Estado, este Estado deveria respeitar a diversidade cultural e lingüística dos povos que abrange. Colocar o debate nestas coordenadas nom só é necessário para esclarecer termos já totalmente esvaziados de conteúdo, como "normalizaçom", mas imprescindível para poder dar umha soluçom democrática ao conflito lingüístico em qualquer lugar.

De facto, o representante do PSOE deu toda a ênfase à constantemente proclamaçom da coexistência pacífica das duas línguas, qualificando como acidental ou residual qualquer discriminaçom lingüística e nem sequer o representante da Mesa pola Normalizaçom Lingüística, na sua intervençom a respeito da língua no ensino, reivindicou o direito ao ensino integralmente em galego, senom somente o cumprimento da legislaçom imposta polo nacionalismo espanhol do PP (50% do ensino em galego).

Também nom houvo no debate televisivo a menor referência à Lusofonia, a comunidade lingüística internacional de que a Galiza fai parte, perdendo-se umha ocasiom para ir introduzindo a utilidade da unidade lingüística galego-portuguesa na TVG (deveremos habituar-nos a umha maior presença do reintegracionismo nas televisões portuguesas que na galega?).

A ausência no debate da perspectiva colectiva inerente ao fenómeno da comunicaçom lingüística e do uso das línguas, permitírom no programa ao representante do meio neofascista espanhol "Libertad Digital" defender o uso na Galiza da toponímia castelhanizada, ou o "equilíbrio" entre as duas línguas, pedindo cinicamente que nengumha delas esteja por cima da outra, como argumento reaccionário contra qualquer iniciativa normalizadora, preparando o caminho para combater qualquer que tente avançar na promoçom do galego como tem acontecido recentemente coa jornada XuventudeGaliza.net.

Nesse evento, apesar do esforço que é criticado agora nomeadamente desde fora, houvo também importantes falhos de pedagogia normalizadora, desde a falta de promoçom do acto cara a Portugal, para preencher vagas nom cobertas por galegos, até o uso preferente do Castelhano para suplir as carências do Galego-Português da Galiza, em vez de recorrer às variantes internacionais da nossa língua. De facto, a única referência à unidade lingüística que eu vim foi na conferência do catalám Xavier de Blas, que efectivamente fizo um louvável esforço por falar em galego-português, agora criticado desde fora da Galiza.

Ante este panorama, é fulcral que as posições do reintegracionismo, nomeadamente as representadas pola AGAL, saiam da marginalizaçom em que se movem e avancem na sociedade galega, removendo os obstáculos internos e externos para a sua expansom.

sexta-feira, 31 de março de 2006

Tam perto, tam longe

Desde que moro em Compostela, e ainda que tenho visto mui pouco a televisom, já topei várias vezes na TVG com um indignante e humilhante anúncio de promoçom turística portuguesa e do portal VisitPortugal.

Indignante e humilhante por vir dumha instituiçom portuguesa, o Instituto de Turismo de Portugal, que opta na Galiza polo uso do Espanhol em vez de usar, como já fizérom na mesma TVG outras empresas portuguesas, a língua comum.

Podem fazer-se sugestões na secçom contacte-nos

Eu deixei esta, que cópio aqui por se alguém mais quiger aderir:

Depois de ter visto em várias ocasiões um anúncio publicitário do seu web Visit Portugal na TVG (Televisom de Galiza), falado em língua castelhana, solicito que deixem de emiti-lo nessa língua e mudem para a Galego-Portuguesa, quer na versom portuguesa (tal como faziam outras empresas portuguesas na mesma TVG, como Bracalândia, que emitia os seus anúncios sem traduzir), quer adaptados à variante galega, mas nom em Castelhano.

Na Galiza está-se a implementar um processo de normalizaçom lingüística do Galego ou Português da Galiza, tentando corrigir o velho intuito de substituir a nossa língua comum através da imposiçom do Espanhol. É indignante, por isso, que Portugal venha agora obstaculizar este processo de normalizar a língua comum a galegos e portugueses, traduzindo ao Espanhol anúncios de promoçom turística.

Aguardando que corrijam o seu erro, aproveito para apresentar-lhes os meus melhores cumprimentos,


No web aparece também o telefone de contacto para informaçom 902 88 77 12, no qual acho que seria bom dar queixas. Para contactar co ITP em Portugal, está o telefone 00351217810000 onde fum amavelmente atendido por Susana Cardoso, quem mostrou compreender bem a questom.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Bookmarklet para chuza!

Bookmarklet (ferramenta de navegaçom) para chuza!, o agregador social galego de notícias, feito a partir do bookmarklet para menéame.

chuza!


A instalaçom é mui simples: basta clicar a imagem e arrastá-la até a barra de marcadores ou favoritos.

A sua funçom é a de enviar ao chuza! a página que estejas vendo no navegador.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

De Brokeback Mountain aos bascos

Brokeback Mountain é, sem dúvida, o filme do momento. Um dos preferidos polo público e melhor considerados pola crítica da colheita 2005 e todo um fenómeno social que, tomando como base umha história de amor trágico, proibido por umha sociedade homofóbica, entre dous homes de resto nada incomuns no seu contexto, está conseguindo influir na percepçom social da homossexualidade e das conseqüências negativas da homofobia nom apenas para a populaçom GLBT, mas também para as pessoas de orientaçom principal ou exclusivamente heterossexual.

Que o filme mexe coas consciências mostra-o o incomodo de certa audiência imadura, que dá em rir nalgumhas das seqüências mais tensas ou dramáticas, como relatam Fabas Contadas e Pena Moura.

A atençom que está a concitar o filme na blogosfera, e em geral na Internet, é proporcional ao seu impacto social, mas ainda nom tenho visto nengumha referência à estranha aparência da personagem basca de Brokeback Mountain, que no relato original era um «bandy-legged Basque» (basco de pernas tortas) e que no filme é o encarregado de fornecer alimentos aos dous pastores e diz a Ennis del Mar que nom pida sopa, porque é mui difícil de empacotar (min. 8, seg. 43).



Este basco está claramente aparentado com aqueles de MacGyver de que se vem falando ultimamente no Blogomilho (e também recentemente eram referidos nas blogosferas basca, catalã e espanhola), recomendando um hilariante vídeo dum dos episódios da série que começa relatando a imemorial luita dos bascos contra os espanhóis e os franceses, que seqüêstram estadunidenses e andam à procura da bomba atómica.



Este vídeo, do que já falara Sabela hai quase um ano e que foi emitido hai poucos dias em Noche Hache, pode também ver-se em Google Video na versom original e em espanhol, e noutro blogue encontramos algumhas capturas.


domingo, 12 de fevereiro de 2006

A mudança da TVG

Leio em Cultura Galega notícia sobre os novos programas que a partir de amanhã estreia a TVG. Julgo um acerto e um corajoso desafio normalizador a emissom de um concurso cultural como Cifras e Letras, tratando-se talvez do primeiro concurso na história da TVG que premia o conhecimento cultural.

Aguardo que contribua efectivamente para a normalizaçom cultural e lingüística do país, pois já vejo negativos indícios noutros programas como Miraxes, onde os filmes som apresentados sempre co título espanhol, inclusive quando o título original é em catalám, como foi o caso de Animal Ferits, de Ventura Pons, que apresentárom como "Animales Heridos".


'Miraxes' espanholas no cinema



É certo que filmes como Pride & Prejudice, do que também falárom onte, somente som acessíveis em espanhol, co título Orgullo y Prejuicio, nos cinemas da Galiza. Mas também é certo que filmes como esse ou Good Night and Good Luck. som conhecidos em ámbitos culturais e cinéfilos polo título original em inglês muito antes de ganharem traduçom espanhola, e que boa parte do público galego poderia aceder a estes filmes na versom original (até legendada em galego-português) através da Internet, ou nas salas de Além-Minho, com título galego: Orgulho e preconceito.

Um contributo à normalizaçom seria, portanto, que nos filmes mais conhecidos, como os já citados ou Brokeback Mountain, mantivessem o título original na informaçom e, de citar a traduçom espanhola do título, fizessem o mesmo coa traduçom em galego, que obviamente nestes casos seria a portuguesa e nom a espanhola.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Dicionário e-Estraviz

Desde este mês de Fevereiro o Dicionário Estraviz on-line admite buscas em norma RAG, incluindo os utentes desta norma nos seus possíveis consultores, para além dos utentes das normas que até agora admitia (a galega da AGAL e a portuguesa).

Permito-me, por isso, actualizar o mecanismo de pesquisa realizado por aranheira.net. Modifiquei a pesquisa para que utilize a opçom que admite tanto a norma AGAL como a norma RAG e em vez do modo "exacto", apliquei o modo "começar com", que acho mais útil (p. ex. para procurar formas verbais flexionadas, seleccionando ou copiando somente o radical e omitindo os sufixos verbais).

Podes instalá-lo com um simples clique se estás utilizando agora Firefox:



Também o deixo em formato zip (para baixar, descompactar e incluir na pasta "searchplugins" do Firefox).

Recomendo usar ConQuery

Quarto poder

Tanto a reciclagem de Paco Vázquez como o trasacordo de Méndez Romeu demostram a influência política e social dos meios de comunicaçom, e nomeadamente dos jornais. E o segundo exemplo ilustra a necessidade de umha mudança no rançoso panorama da imprensa escrita galega. A audiência de Vieiros na Internet prova que existe espaço para um jornal galeguista e de esquerda. Só falta vontade.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

A unidade lingüística galego-portuguesa na TVG

Desde a chegada ao poder autonómico galego do ex-ministro franquista Manuel Fraga Iribarne, em 1989, a unidade lingüística galego-portuguesa virou um tema proibido nos meios de comunicaçom públicos e mesmo nos principais privados. A política lingüística do Partido Popular espanhol na Galiza foi a de tentar acelerar a substituiçom lingüística do galego-português polo espanhol ao maior ritmo possível, e enfrentar as inércias e mais os movimentos favoráveis à normalizaçom. Por isso o reintegracionismo foi perseguido, discriminado e mesmo criminalizado.

Já passárom vários meses desde a toma de posse do governo de mudança e começam a ver-se alguns sintomas de que esta pode atingir também a política lingüística, ou polo menos a pluralidade dos meios de comunicaçom.

Com um mês de demora com respeito a Portugal, chega agora à televisom galega o debate sobre a unidade lingüística galego-portuguesa.

Eis a entrevista a Carlos Figueiras, porta-voz do MDL, emitida na manhã de hoje, 7 de fevereiro, na TVG e realizada por F. Amado e Marga Pazos:






A entrevista está disponível no Rapidshare em dous arquivos: audiovisual em formato AVI ou sonoro em formato MP3. O mérito da gravaçom é de Berto, membro do PGL.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

O Galego na RTP

Esta é a reportagem, de que já informou o PGL, emitida no informativo "Jornal da Tarde" da RTP-1 no passado 1 de janeiro, com entrevistas a José Posada (ex-eurodeputado de Coalición Galega), Camilo Nogueira (ex-eurodeputado do Bloque Nacionalista Galego), Ângelo Cristóvão (Secretário da AAG-P), Rita Silva (Chefe do corpo de tradutores portugueses no Parlamento Europeu), Vasco Graça Moura (poeta e eurodeputado do PSD português), Edite Estrela (filóloga e eurodeputada do PS português), Alejo Vidal-Quadras (Vice-Presidente do P.E. e eurodeputado do PP espanhol) e Carlos Figueiras (Porta-Voz do MDL):



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quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Gostar da língua

Dinahosting, a companhia galega de serviços de Internet, alinha-se à publicidade sem preconceitos (via Berridos do sur [sic]), ainda que com umha imagem mais bem tímida e meio ocultando o pretenso beijo.



Mágoa que a empresa nom pareça gostar tanto da língua como para nom subordiná-la ao lugar secundário que lhe atribuem, que parece manter o espanhol como língua padrom do seu portal.

Mesmo na versom em "galego" o titulo da página aparece actualmente em espanhol (Hosting y alojamiento...) e para vê-lo em galego devemos ir à versom em "português" (na que também mantenhem, apesar de reiterativo, o termo em inglês: Hosting e alojamento...). Esta diferenciaçom entre o galego-português de aquém e além Minho mostra que em Dinahosting também nom estám a aprender muito de um dos seus clientes: o Portal Galego da Língua.



domingo, 8 de janeiro de 2006

Hierarquizando 2005

Passado já o casamento e as festas natalícias e de passagem de ano, e ainda à espera do possível regresso à Galiza, por enquanto ao que regresso é a este blogue para recomendar umha página com um resumo de listas sobre o melhor do esgotado ano 2005: a Lista de Listas de 2005

Também pode ver-se a página coas listas ordenadas, segundo fôrom adicionadas, das mais recentes às mais antigas: Lista de Listas de 2005 ordenada cronologicamente.