quarta-feira, 12 de abril de 2006

A língua: nom hai debate

Modesto Web publicou em duas partes o debate sobre a situaçom da língua emitido no programa Hai Debate da TVG na segunda-feira passada.

Vale a pena vê-lo para comprovar o penosos que som os argumentos em prol da normalizaçom empregados polos representantes políticos, que nom passam de proclamas retóricas sobre a identidade, sem que pareçam basear-se sequer numha concepçom da língua como instrumento colectivo de comunicaçom, senom somente como elemento de uso idividual que deve garantir-se em igualdade de direito co Castelhano.

Nem sequer o representante do BNG se referia à normalizaçom lingüística desde um ponto de vista colectivo, e a sua ferrenha defesa da inclusom do dever de conhecer o Galego no futuro Estatuto de Autonomia remetia em todo o momento à equiparaçom do direito ao uso individual do Galego e do Castelhano.

Assim, as referências à "língua própria" e à identidade, resultavam totalmente retóricas e ficavam desprovidas da base que lhe forneceria o ponto de vista dos direitos lingüísticos colectivos em relaçom co aspecto colectivo da língua.

Desde esse ponto de vista, o Estado Espanhol está composto por várias comunidades lingüísticas e, ainda que no plano legal se poda tentar garantir o direito ao uso das línguas faladas no seio do Estado, este Estado deveria respeitar a diversidade cultural e lingüística dos povos que abrange. Colocar o debate nestas coordenadas nom só é necessário para esclarecer termos já totalmente esvaziados de conteúdo, como "normalizaçom", mas imprescindível para poder dar umha soluçom democrática ao conflito lingüístico em qualquer lugar.

De facto, o representante do PSOE deu toda a ênfase à constantemente proclamaçom da coexistência pacífica das duas línguas, qualificando como acidental ou residual qualquer discriminaçom lingüística e nem sequer o representante da Mesa pola Normalizaçom Lingüística, na sua intervençom a respeito da língua no ensino, reivindicou o direito ao ensino integralmente em galego, senom somente o cumprimento da legislaçom imposta polo nacionalismo espanhol do PP (50% do ensino em galego).

Também nom houvo no debate televisivo a menor referência à Lusofonia, a comunidade lingüística internacional de que a Galiza fai parte, perdendo-se umha ocasiom para ir introduzindo a utilidade da unidade lingüística galego-portuguesa na TVG (deveremos habituar-nos a umha maior presença do reintegracionismo nas televisões portuguesas que na galega?).

A ausência no debate da perspectiva colectiva inerente ao fenómeno da comunicaçom lingüística e do uso das línguas, permitírom no programa ao representante do meio neofascista espanhol "Libertad Digital" defender o uso na Galiza da toponímia castelhanizada, ou o "equilíbrio" entre as duas línguas, pedindo cinicamente que nengumha delas esteja por cima da outra, como argumento reaccionário contra qualquer iniciativa normalizadora, preparando o caminho para combater qualquer que tente avançar na promoçom do galego como tem acontecido recentemente coa jornada XuventudeGaliza.net.

Nesse evento, apesar do esforço que é criticado agora nomeadamente desde fora, houvo também importantes falhos de pedagogia normalizadora, desde a falta de promoçom do acto cara a Portugal, para preencher vagas nom cobertas por galegos, até o uso preferente do Castelhano para suplir as carências do Galego-Português da Galiza, em vez de recorrer às variantes internacionais da nossa língua. De facto, a única referência à unidade lingüística que eu vim foi na conferência do catalám Xavier de Blas, que efectivamente fizo um louvável esforço por falar em galego-português, agora criticado desde fora da Galiza.

Ante este panorama, é fulcral que as posições do reintegracionismo, nomeadamente as representadas pola AGAL, saiam da marginalizaçom em que se movem e avancem na sociedade galega, removendo os obstáculos internos e externos para a sua expansom.