sexta-feira, 28 de julho de 2006

O mago que trocou o Galego-Português polo Castelhano

Veja actualizaçom de novembro de 2006

A TVG tem umha importante e contínua presença no blogomilho, provavelmente devido à expectativa que ainda existe de que a mudança política galega se traduza nesse meio num aumento da qualidade e um maior respeito polo pluralismo, e polo próprio espectador. Aqui mesmo já falei várias vezes do que tenho por um dos programas mais representativos dessa mudança: "Hai Debate".

Um dos programas cuja desapariçom mais demandava parte do público que apoiou a mudança política, "Luar", considerado símbolo do fraguismo televisivo polo seu folclorismo ranço e a participaçom dos mais ressessos cantantes e grupos espanhóis, permanece porém no ar, bem que com algumhas modificações.

Neste programa está a participar com algumha freqüência o mágico português Luís de Matos, mui famoso em Portugal, utilizando reiterada e exclusivamente o castelhano.

Isto já foi referido no blogue Coisas do Gomes o passado mês de Janeiro, e posteriormente reiterado num comentário ao artigo "O que ganhamos com o galego" publicado no Renas e Veados em Abril.

Pois bem, no Luar emitido na semana passada o mágico lusófono voltou a assombrar-nos coa desapariçom dos seus lábios da língua galego-portuguesa, substituída pola espanhola, mesmo quando interpelado exclusivamente na língua comum polos condutores do programa. Umha atitude de puro desprezo à língua galego-portuguesa, e à audiência do programa, tanto galega como portuguesa, pois os próprios apresentadores comentárom, justo depois de Matos terminar o seu número, que o Luar é mui visto no Além-Minho.



Luis de Matos em Luar (TVG 21.07.06)


A TVG poderia fazer mais para realmente contribuir à normalizaçom da língua, que é um dos fins para o que foi criada em 1984. Seria interessante ver o comportamento de Luís de Matos nom só falando com Gayoso, ou com este e um/ha artista hispanófono (como já aconteceu, reforçando o seu uso do espanhol), mas um/ha lusófono/a que só empreguasse a língua comum (como Filipa Pais ou João Afonso, p.ex.).

Mas enquanto algo assi nom aconteça, o comportamento de Luís de Matos bem merece umha mensagenzinha de protesto, e para animar a enviá-la, deixo um formulário com um breve texto, que pode ainda ser modificado e enviado ao endereço da empresa Luís de Matos Produções Lda. (lmp@luisdematos.pt).


Nome:






P.S. de 31 de julho: Mudei o endereço de destino, umha vez que o anterior (lm@luisdematos.pt) começou a devolver mensagens.


segunda-feira, 17 de julho de 2006

Al-Daní

Conhecim Al-Daní em Madrid no verão de 2003, se bem lembro. Era um moço vitalista, determinado, empreendedor e que sabia curtir a vida ao seu jeito. Durante algum tempo continuamos em contacto através da Internet e por eu estar a trabalhar no Ministério de Cultura, mui perto do apartamento em que el morava, no bairro de Chueca. Depois que passei a desempenhar liberaçom para a CIG e deixei de usar o messenger, após conhecer a minha parelha, perdim o contacto.

Agora que regressei à Galiza, estava a lembrar-me com freqüência del. E pensei que mais cedo que tarde teríamos ocasiom de encontrar-nos e botar uns contos. Mas já nom poderá ser.

Na sexta-feira passada deparei por acaso coa notícia en Internet do seu assassinato (e do seu companheiro de apartamento). Talvez teria sido bom contar nesse momento polo menos coa mínima disposiçom para encontrar más notícias com que imagino munirem-se, como quem coloca os óculos, os leitores de esquelas dos jornais locais. Mas topei coa notícia casualmente e digerim-na em soledade, como na anterior ocasiom em que me acontecera algo semelhante, mas desta vez lendo com indignaçom o relato macabro das várias páginas que dedicou a versom em internet da Voz ao horrível crime. Este jornal digital nom quijo deixar nengumha hipótese sem formular, nem declaraçom de vizinhos ou supostos amigos sem ecoar, por mais absurdas, contraditórias ou despropositadas que fossem, com total desprezo polas vítimas e chegando a insinuar, por boca de "alguns amigos" a responsabilidade delas mesmas pola sua própria morte. Tampouco o Correo desaproveitou a ocasiom de mostrar a sua faceta mais bisbilhoteira, ao que parece mesmo causando o protesto explícito da família de Al-Daní nos comentários online. A Opinión, mesmo parecia justificar o assassino. O Faro, que parece ter conseguido nom dar rédea solta aos instintos preeiros e mórbidos à hora de relatar a notícia, nom pudo evitar contodo levar o álcool e as drogas à manchete. Omito todas as ligações às outras notícias que refiro, entre as publicadas na mesma sexta-feira, salvo essa.

Visto o panorama, e como já se comenta em foros gays com indignaçom polo tratamento informativo, fica por esclarecer qual é a utilidade do Acordo Galego pola Igualdade nos Meios de Comunicaçom recentemente assinado por vários dos jornais citados e a Vice-Presidência da Junta de Galiza.

quinta-feira, 13 de julho de 2006