segunda-feira, 17 de julho de 2006

Al-Daní

Conhecim Al-Daní em Madrid no verão de 2003, se bem lembro. Era um moço vitalista, determinado, empreendedor e que sabia curtir a vida ao seu jeito. Durante algum tempo continuamos em contacto através da Internet e por eu estar a trabalhar no Ministério de Cultura, mui perto do apartamento em que el morava, no bairro de Chueca. Depois que passei a desempenhar liberaçom para a CIG e deixei de usar o messenger, após conhecer a minha parelha, perdim o contacto.

Agora que regressei à Galiza, estava a lembrar-me com freqüência del. E pensei que mais cedo que tarde teríamos ocasiom de encontrar-nos e botar uns contos. Mas já nom poderá ser.

Na sexta-feira passada deparei por acaso coa notícia en Internet do seu assassinato (e do seu companheiro de apartamento). Talvez teria sido bom contar nesse momento polo menos coa mínima disposiçom para encontrar más notícias com que imagino munirem-se, como quem coloca os óculos, os leitores de esquelas dos jornais locais. Mas topei coa notícia casualmente e digerim-na em soledade, como na anterior ocasiom em que me acontecera algo semelhante, mas desta vez lendo com indignaçom o relato macabro das várias páginas que dedicou a versom em internet da Voz ao horrível crime. Este jornal digital nom quijo deixar nengumha hipótese sem formular, nem declaraçom de vizinhos ou supostos amigos sem ecoar, por mais absurdas, contraditórias ou despropositadas que fossem, com total desprezo polas vítimas e chegando a insinuar, por boca de "alguns amigos" a responsabilidade delas mesmas pola sua própria morte. Tampouco o Correo desaproveitou a ocasiom de mostrar a sua faceta mais bisbilhoteira, ao que parece mesmo causando o protesto explícito da família de Al-Daní nos comentários online. A Opinión, mesmo parecia justificar o assassino. O Faro, que parece ter conseguido nom dar rédea solta aos instintos preeiros e mórbidos à hora de relatar a notícia, nom pudo evitar contodo levar o álcool e as drogas à manchete. Omito todas as ligações às outras notícias que refiro, entre as publicadas na mesma sexta-feira, salvo essa.

Visto o panorama, e como já se comenta em foros gays com indignaçom polo tratamento informativo, fica por esclarecer qual é a utilidade do Acordo Galego pola Igualdade nos Meios de Comunicaçom recentemente assinado por vários dos jornais citados e a Vice-Presidência da Junta de Galiza.

1 comentário:

EMF disse...

Sintolho, sinceiramente (com toda a sinceridade que se pode desprender por estas ondas dixitais).