quinta-feira, 31 de agosto de 2006

BlogDay2006

Nom foi fácil escolher 5 blogues bem diferentes ou afastados deste, quer polo ponto de vista, a atitude ou a cultura. Decidim-me por 5 blogues temáticos, o qual já os diferencia deste na atitude. E ainda que incluo um sobre língua, um tema aqui recorrente, está em inglês e nom em galego-português. Uno-me assi à celebraçom do BlogDay2006.

  1. Um blogue de literatura: The Literary Saloon O blogue do portal de crítica literária Complete Review, com notícias, comentários e informaçom sobre actualizações do portal.

  2. Um blogue político: Tupiniquim, weblog sobre povos indígenas, feito em Portugal, e que levou o prémio do público a melhor blogue do mundo em 2005 nos The BOBs (The Best Of The Blogs)

  3. Um blogue sobre ciência: Malaciencia «Disparates, barbaridades y patadas a la ciencia, en noticias, películas o incluso en el saber general»

  4. E finalmente um blogue pornográfico gay: Mundo Gay que se define como «um site onde você conta... pequenos clips e muitas fotografias para delicias do corpo e da alma».

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sábado, 12 de agosto de 2006

Os incêndios assediam a Junta de Galiza



Imagens do incêndio que deflagrou onte no arrabalde norte de Compostela, vistas desde a sede da Junta de Galiza, em Sam Caetano.

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

O galego queima

Desde que perdeu as últimas eleições galegas, o espanholismo de direita do PP está em pé de guerra contra o galego, enquanto o espanholismo de centro-esquerda do PSOE continua co método seguido até agora, a política do bilingüismo harmonico como a mais efectiva para a substituiçom do galego polo espanhol.

O meio neofascista Libertad Digital já deu várias mostras nos últimos meses. O jornal La Razón mostra a sua hostilidade ao galego falando de "fiebre de galleguización". E a reaccionária plataforma "Hazte Oir" encontra excessos galeguizadores que mesmo qualifica de totalitários.

O povo galego, a pouco e pouco, vai deixando de ter no imaginário espanhol essa imagem de gente amável, melosa, e mais bem sofrida, resignada e paciente, além de ignorante ou no mínimo rara ou esguelhada, para transformar-se num povo tanto mais antipático quanto mais ponha em perigo os privilégios que o espanholismo sustenta por meio da sua subordinaçom lingüística e cultural (mas também económica, social e política) no quadro do Estado espanhol.

Com ocasiom da fatal vaga de incêndios que sofre o país nestes dias, a direita espanholista nom deixou passar a oportunidade para atacar a nossa língua, animada pola plena disposiçom do PP galego e do seu líder Núñez Feijóo para fomentar o auto-ódio. Os jornais El Mundo, ABC e La Razón, os noticiários da estaçom de televisom Antena3... toda a frente mediática do espanholismo imperialista e xenófobo culpabilizou unanimemente da situaçom de acoso incendiário a exigência, para aceder aos empregos públicos de efectivos contra-incêndios, do conhecimento da língua que falam as pessoas que habitam no meio em que os incêndios se estám a produzir e que sofrem as conseqüências dos mesmos. Queima-lhes o galego.

Felizmente, estes ataques estám a ter a contestaçom social que merecem.

Mas este episódio deve servir para tomar consciência do que nos espera e para avançarmos no caminho da normalizaçom. Tal como vem acontecendo no País Basco e na Catalunha desde o fim do franquismo, agora que o faguismo -a nossa seqüela do franquismo- perdeu o poder, qualquer medida em prol da normalizaçom lingüística galega, por morna que seja, será boicotada desde a Espanha, virulentamente pola direita, e subtilmente pola esquerda espanholista, e as pessoas e colectivos que apoiarem dentro da Galiza a substituiçom lingüística serám encorajados e convertidos em heróis da democracia contra o 'totalitarismo nacionalista' do governo galego... Surgiu de vez o povo galego como o terceiro antagonista do projecto nacional espanholista, ao lado do basco e o catalám.

Mas na Galiza nom existe a consciência cívica e democrática da Catalunha e o País Basco, e este défice social, juntamente coa miséria intelectual (o mais claro reflexo da qual é a situaçom do reintegracionismo) em que nos mantém prostrados o mais paifoco espanholismo cultural do Estado espanhol, podem contribuir para que em vez de avanços, soframos retrocesos.

Na situaçom actual de conculcaçom dos direitos lingüísticos, no ensino, as administrações públicas, os serviços sociais e outros ámbitos onde qualquer de nós pode exigir o emprego da nossa língua, o grau de protesto é realmente ínfimo. A maioria dos galego-falantes renúncia a exigir o atendimento em galego (incluso na administraçom pública galega), a pedir a folha de reclamaçom, a fazer a pertinente denúncia. Muitos casos explicam-se pola falta de consciência cívica e democrática de que falámos, pola assunçom da galegofóbia e a subordinaçom ao espanhol. Mas isto muitas vezes também é assi entre membros de colectivos comprometidos coa normalizaçom lingüística (inclusive militantes do BNG ou colectivos independentistas, e sócios e sócias da Mesa ou da AGAL). Isto deve mudar.

Mesmo que haja ámbitos nos quais é praticamente inútil emprender a batalha pola dignificaçom lingüística, e nos quais som fundamentalmente os colectivos os que devem agir, nom é menos certo que a pressom individual é necessária hoje em muitos ámbitos, e com freqüência pode ser efectiva. Está nas nossas mãos acelerar o ritmo da normalizaçom lingüística, coa nossa pressom individual, que quanto maior for, mais forçará a colectiva. Nós marcamos o passo. Se desistirmos, os avanços nom chegarám e continuaremos, coa síndrome de Moisés, a esperar por alguém que no-los consiga.

Chegou o tempo da insubmissom lingüística.