quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Marta Rivera e a literatura galega

A finalista do Prémio Planeta deste ano, Marta Rivera de la Cruz, nascida em Lugo em 1970, e residente em Madrid desde há 18 anos, aproveitou a repercussom mediática que lhe confere a distinçom conseguida para denunciar a sua discriminaçom por parte das instituições galegas por escrever em castelhano, que nom é considerada "escritora galega" (ela define-se como umha "escritora gallega aunque libremente escriba en castellano"), nem convidada a dar conferências nas universidades galegas.

Mesmo denuncia nom ter sido nunca convidada aos actos «de las letras gallegas», obviando ou desconhecendo olimpicamente (ou antes mesquinha e interessadamente) o significado dessa celebraçom e a sua relaçom coa reivindicaçom do uso literário do galego.

Penso que o caso é bem ilustrativo da miséria intelectual e o défice de consciência cívica e democrática de que falei recentemente, que supom um défice importante no nosso país para avançar no processo de normalizaçom lingüística, e de como isto pode interagir cos crescentes ataques do espanholismo à nossa língua e cultura.

A intervençom de Marta Riveira está na esteira da polémica surgida pola participaçom da literatura catalã na Feira do Livro de Frankfurt, onde será literatura convidada no ano 2007, e que está a ser atacada polo espanholismo por nom incluir os autores catalães de expressom castelhana. Esta polémica catalã nom foi alimentada por nengum dos principais escritores que na Catalunha escrevem e publicam em espanhol (como Eduardo Mendoza, Juan Marsé, Enrique Vila-Matas. Ruiz Zafón...). O único a alinhar-se co espanholismo parece ter sido Félix de Azúa.

Literatura catalã é a escrita em catalám e literatura galega é a escrita em galego, ou galego-português da Galiza, do mesmo jeito que literatura russa é a escrita em russo e ucraniana a escrita em ucraniano, e assi por diante, e por esta razom lingüística essencial à literatura um escritor como Gogol forma parte da literatura russa e nom da ucraniana, mesmo sendo ucraniano, e mesmo apesar da importáncia da cultura ucraniana na sua literatura.

O compromisso das instituições galegas é o de promocionar a cultura e a literatura galegas. A literatura espanhola, à que ela pertence, nom está nada carente de instrumentos de promoçom, e menos se comparada coa literatura galega. Marta Rivera nom só optou por escrever em castelhano e nom em galego mas também por estabelecer-se em Madrid. Mas desde Madrid, escrevendo em castelhano, di sentir-se excluída por nom ser convidada aos actos do Dia das Letras Galegas.

Estas declarações som profundamente hostis coa cultura e a literatura galegas e estám ao serviço do espanholismo. Esse espanholismo paifoco que a leva mesmo a declarar-se castelhana numha entrevista, entre outras cousas:

SP- ¿Por eso el protagonista es argentino?

MR- Sí. Pero también me interesaba incluir en esta sociedad a una persona absolutamente ajena a ella. En una ciudad española lo mejor era alguien de Latinoamérica, por la facilidad del idioma que le permite integrarse rápidamente. Admiro muchísimo la cultura latinoamericana, y creo que nos queda mucho que aprender de ella a los castellanos.

SP- Has dicho "nosotros los castellanos", ¿no eres independentista? ¿No escribes en gallego?

MR- No soy independentista. Escribo algo en gallego, sobre todo para una revista en la que hago las páginas en gallego. He hecho artículos, he trabajado en la televisión gallega... Pero literatura en gallego no hago, es mi segunda lengua materna. Desconfío de la idea del bilingüismo total a la hora de escribir, a mí escribir en gallego no me sale, aunque no tengo que traducir. De todas formas, creo que de todas las "comunidades históricas" somos los que mejor nos hemos sabido integrar en todas partes sin hacer de nuestra tierra un estandarte para imponerlo a nadie.

4 comentários:

Anónimo disse...

Será que o Kafka também se queixa pelo seu trabalho ser considerado parte da literatura austríaca e não da checa? ;)

J. Manuel Outeiro disse...

Com efeito. E mesmo a versom checa da Wikipedia o integra na literatura austríaca.

Junto com Gogol e Kafka, um terceiro exemplo notável é Joseph Conrad "escritor británico" mas nascido polaco.

Também há escritores que, numha certa altura, abandonam a língua materna e passam a empregar outra. Som portanto classificáveis em duas literaturas, embora costume predominar umha delas (Beckett, Nabokov, Brodsky, Kundera).

BlackWyrm disse...

Es grato ver blogs escritos en alguna de las otras lenguas que se hablan en territorio ¿español? Saludos de un navarro que, además, habla catalán :)

Anónimo disse...

Marta Rivera é fila da COPE.
Dalgunha maneira ten que pagar favores de papá