sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Lo Dia Internacional de Hablarse Portuñol



Hoje está a ser recuperada no Brasil a comemoraçom de Lo Dia Internacional de Hablarse Portunhol, inicialmente proposta em 2005 para o 13 de Outubro, que em 2006 ficou esquecida
e agora é mudada para a última sexta-feira do mesmo mês.

No Brasil as pessoas brincam co absurdo e ridículo que resulta misturar galego-português e espanhol de forma caótica e imprevisível, enquanto que na Galiza tal brincadeira é a expressom habitual de relevantes e seríssimas personagens públicas.

Como novidade, este ano foi apresentado o novo Tradutor para portunhol.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Carod-Rovira contra o espanholismo



A entrevista ao dirigente de Esquerra Republicana de Catalunya (ERC), Josep Lluis Carod-Rovira, emitida anteonte pola televisom pública do Estado Espanhol foi umha rara ocasiom para ver um discurso diferente sobre a concepçom do Estado, igualitário e contrário a hierarquizaçom estabelecida na legalidade vigente, que subordina as línguas e culturas de expressom basca, catalá e galego-portuguesa à hegemonia e supremacia do castelhano, co decorrente efeito discriminador dessas comunidades lingüísticas diferentes da castelhana.

Esta discriminaçom é vivida como umha situaçom normal ou natural, inclusive às vezes por sectores dos colectivos discriminados, que assumem a sua subordinaçom, mas sobretodo na comunidade castelhana, que defende os privilégios de que beneficia, polo qual é fulcral um labor de conscienciaçom igualitária a respeito, cousa que poucas vezes se fai. Por isso aplaudo a coragem de Carod-Rovira ao contradizer com firmeza e argumentos democráticos o discurso xenófobo e negador da diversidade cultural e lingüística do Estado Espanhol.

As pessoas que mostrárom desprezo à língua e cultura catalãs, e ao própio Carod-Rovira castelhanizando reiteradamente o seu nome, nom agiriam com esse descaro, prepotência e falta de respeito se esse comportamento nom estivesse amparado e mesmo promovido polos partidos estatais, nomeadamente o Partido Popular, e mesmo pola legalidade actual do Estado espanhol.

Carod-Rovira pudo ter sido mais didáctico nalguns pontos, mas em geral conseguiu reivindicar um cenário legal mais justo, através da opçom independentista, deixando sem argumentos os elementos mais reaccionários entre o público entrevistador, maioritariamente contrário nom só ao independentismo com que se confrontavam, mas mesmo a umha versom plurinacional do Estado.

Contodo, julgo ilustrativa a resposta de umha mulher que colocou a questom do significado que para o Vice-Presidente catalám teria Espanha. Depois de el expor a sua identificaçom com Catalunha, mas nom com Espanha, por esta nom integrar e reconhecer a diversidade lingüística, cultural e nacional que envolve, a senhora retrucou perguntando por que nom se queria integrar. Penso que esta pessoa, a diferença de outras, nom pretendia faltar ao respeito ao dirigente catalám, mas contodo nom entedeu o problema que Carod-Rovira expunha. Isto reflecte a falta de debate sobre o assunto e sobretodo o desconhecimento que os espanhóis têm sobre os argumentos que fundamentam os discursos das reivindicações mais justas que se fam desde os nacionalismos e os independentismos basco, galego e catalám, umha vez que lhes chegam geralmente deformados por umha comunicaçom social valedora do discurso sustentador da supremacia cultural castelhana.

Esse caso, e a resposta indignada coa necessária e corajosa intervençom de Carod-Rovira que estám a dar amplos sectores da bloguesfera espanhola, mostra quam necessários som debates como este para que estas questões sejam entendidas por um sector mais amplo da populaçom hoje identificada com essa naçom unitária espanhola que nom se corresponde coa realidade, de modo a permitir o reconhecimento dos direitos cívicos agora conculcados.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

People's Choice Award

Estamos na metade do período de votaçom para a eleiçom do Prémio do Público do Cinema Europeu, que começou o passado 1 de Setembro e finaliza o 31 de Outubro, e cuja entrega terá lugar em Berlim na vigésima ediçom dos Prémios Europeus do Cinema, o sábado 1 de Dezembro.

Este prémio do publico ao melhor filme europeu só foi entregado em 1997 e 2006, resultando vencedores Full Monty e Volver, respectivamente. Outros anos fôrom concedidos os prémios do público à melhor actriz, melhor actor e melhor director, mas nom ao melhor filme. A Academia Europeia do Cinema parece ter decidido finalmente estabelecer apenas um prémio do público ao melhor filme, pois este ano volve ser a única categoria considerada.

A votaçom pode realizar-se através do web People's Choice Award, sendo estes os filmes nomeados:

2 Days in Paris, de Julie Delpy,
A fost sau n-a fost? de Corneliu Porumboiu,
Alatriste, de Agustín Díaz Yanes,
La Môme, de Olivier Dahan,
La Sconosciuta, de Giuseppe Tornatore,
Obsluhoval jsem anglického krále, de Jiri Menzel,
Perfume: The Story of a Murderer, de Tom Tykwer,
Reprirse, de Joachim Trier,
The Last King of Scotland, de Kevin Macdonald,
The Queen, de Stephen Frears,
Zwartboek, de Paul Verhoeven,

Devido à péssima distribuiçom do cinema europeu no próprio continente, é provável que a maioria dos votantes nom podam ver boa parte delas nas salas de cinema das suas cidades, mas ainda bem que temos a alternativa das redes P2P e os sítios de legendas.

Pessoalmente, e só nom podendo ter visto o filme de Jiri Menzel, para o que nom parece haver legendas na rede, dei o meu voto sem a menor dúvida a Perfume, umha mais que satisfactória adaptaçom do romance de Patrick Süskind, injustamente recebida pola crítica, nomeadamente a puritana crítica estadunidense, que reprovou a intensa e audaz seqüência da rendiçom do povo encolerizado perante a apariçom do réu Jean-Baptiste Grenouille e a transposiçom à linguagem cinematográfica das descrições dos fedorentos ambientes do Paris do século XVIII do romance original, como se as suas páginas realmente exalassem odores, e nom fossem através das palavras evocados, como Tykwer conseguiu atinadamente fazer através das imagens e co importante apoio da banda sonora composta por el mesmo e os seus companheiros do trio Pale 3.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Perdidos e Achados: A História Humana, por Milo Manara

A rede parece funcionar às vezes como ondas de informaçom, endereços, imagens, webs... que a dada altura concitam um vasto interesse, para depois perder actualidade, que mais tarde, numha próxima vaga, poderiam recuperar.

A essa maresia constante e caótica contribuem, tentando conferir certa ordem, os sítios de compartilhamento de ligações favoritas como del.icio.us, reddit ou o nosso chuza.

Por alguns desses sítios passou a ligaçom dumha imagem que foi depois várias vezes referida, nomeadamente em blogues, durante os últimos dias. Mas o endereço original, http://pics.obra.se/humanity.jpg, já nom funciona mais.

Foi esse endereço o que chegou onte ao meu leitor de feeds. Nom é a primeira vez que recebo informaçom de interesse recente mas logo desaparecida, às vezes por causa da grande procura, que provoca o excesso de tráfego de dados em sítios que tanto nom suportam.

Como me dei ao trabalho de recuperar a imagem e o nome do seu autor, visto que provocara algum interesse, compartilho-a agora aqui no que talvez passe a ser umha secçom de achados e perdidos.

Neste caso tratava-se deste longo desenho do italiano Milo Manara que parece resumir a história humana, com grande presença do sexo e a violência. Clicando na imagem à esquerda surge a longa ilustraçom, que demora algo a carregar.

Também deixo a seguir esta outra disposiçom da mesma imagem.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

11 de Setembro chileno

Este 11 de setembro, data de múltiplas efemérides, fai 34 anos do golpe de estado contra o governo socialista chileno de Salvador Allende, e da morte deste último.

Com este motivo, o blogue El Corsario de Gascuña recompliou umha série de documentários, discos e outros arquivos relacionados coa encorajadora experiência do socialismo marxista e democrático da Unidade Popular chilena e coa figura do seu presidente, Salvador Allende, a quem desta forma rende homenagem.

Os arquivos fôrom disponibilizados através do portal Rapidshare. Para descarregá-los é conveniente usar o programa Rapget.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

O Valedor do povo e a língua

Todas as suspeitas que levantárom os elogios feitos nos meios mais galegófobos ao "profundo conhecimento do galego" (ABC) ou à realizaçom dos cursos de iniciaçom e aperfeiçoamento (a Voz) da nossa língua por parte do novo Valedor do Povo, Benigno López, vam confirmando-se, após a entrevista à TVG que concedeu esta manhã. O seu péssimo galego, inclusive pior que o de Emilio Pérez Touriño ou Laura Elena Sánchez Piñón, reflecte umha atitude pouco respeitosa, ou antes desprezativa, cara à língua. Se indivíduos com essa capacidade de desfigurar a língua nacional conseguem méritos polo seu "conhecimento" ou polos cursos feitos, é que a avaliaçom do galego deve fazer-se de outra forma, valorizando o uso prático e a correcçom sintáctica e fonética, e que os cursos de galego nom garantem o devido domínio lingüístico.

Num país onde os direitos lingüísticos nom som respeitados e com freqüência os seus defensores sofrem graves discriminações, cabe ainda esperar algum contributo positivo dum Valedor como este? Como se explica que tenha sido eleito por unanimidade e portanto co apoio dos sectores do Parlamento Galego mais comprometidos coa língua, e nomeadamente o BNG?

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Cultura galega e recurso ao castelhano

Um dos aspectos em que podemos comprovar a subordinaçom do galego ao castelhano na Galiza é na preferência geral, perante a falta de traduções galegas, pola leitura de traduções ao castelhano antes que ao galego-português internacional. Nisto influem também aspectos económicos, como o facto de ser geralmente mais caro no nosso país adquirir um livro impresso no Porto ou em Lisboa que um editado em Barcelona, Madrid ou mesmo Buenos Aires ou México, mas é também umha questom ideológica que mostra a força do preconceito político contra a unidade lingüística galego-portuguesa, mesmo em amplos sectores galeguistas.

Esse preconceito é parte da identidade nacional alienante que nos é incutida desde a mais terna infáncia, em que aprendemos de cor o alfabeto espanhol, fundamental para lermos a letra J como espanhóis bem instruídos, assumindo porém a diversidade em palavras catalãs como Pujol ou Jordi mas castelhanizando a fonética de palavras galegas como Feijóo, Araújo, Janeiro, etc.

Temos o casiom de comprovar esta subordinaçom da cultura galega ao espanhol na ediçom de hoje do suplemento "Luces" do jornal espanhol "El País". Este suplemento, únicas páginas redigidas em galego dessa ediçom "galega", apresenta as recomendações e propósitos de leitura estival de 20 personagens destacadas do mundo da cultura galega. Nas recomendações de leitura aparecem geralmente títulos galegos ou traduções galegas de fácil acesso nas livrarias ou bibliotecas do país e nengum dos 20 recomenda umha só leitura em espanhol, mas nas leituras previstas já aparecem um bom número de títulos condicionados pola actualidade do mercado editorial espanhol e em castelhano, ainda que coa presença sobranceira de livros e traduções galegas.



Apesar desse predomínio da literatura e as edições galegas, nom faltam autores e livros traduzidos ao espanhol entre os que lerám as personagens escolhidas polo jornal e que poderiam ser lidos e recomendados em traduçom ao galego-português, como umha selecçom de poemas e ensaios de W.H. Auden (Los señores del límite), citado por Antón Baamonde; Mao, La Historia Desconocida, de Jung Chang, citado pola actriz Arantza Vilar; o Libro de los Pasajes de Walter Benjamin (que tem traduçom da Assírio & Alvim) citado polo fotógrafo Manuel Vilariño; ou Los Buddenbrook de Thomas Mann e La Consciencia de Zeno, de Italo Svevo, que prevê ler em espanhol ninguém menos que o Presidente do Conselho da Cultura Galega, Ramón Villares.

Por outro lado, as edições lusófonas que recomendam ou prevem ler alguns dos inquiridos (somente Uxía Senlle e Elias Torres) som obras originariamente escritas em português.


Portanto, mesmo numha amostra como esta se reflecte como desde a cultura galega, apesar de reconhecer-se unanimemente a maior proximidade ao português do galego que ao castelhano, e apesar do peso histórico e actual do lusismo cultural galego e do reintegracionismo lingüístico, o acesso a outras culturas e produtos culturais, a falta de versões nacionais, fai-se antes através do castelhano que, como seria esperável, polas variantes internacionais do galego, num contexto em que a presença da cultura lusófona ainda é bem menor do que a hispana.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

A imposiçom do espanhol na campanha eleitoral

Contrariamente ao que afirmava hai dias o Presidente da RAG, cuja intervençom pública ainda parece com freqüência mais inspirada na filosofia fraguiana do bilinguísmo harmónico que no compromisso pola normalizaçom lingüística, se algumha característica relevante quanto à língua está a ter na Galiza a campanha das Municipais 2007 é a de apresentar o maior uso do espanhol até hoje. E nom só pola ambivalência nos lemas eleitorais escolhidos, mas também polo uso público dessa língua por parte das forças espanholistas, nomeadamente o PP e PSOE, mas também grupos que, como esses dous, dim considerar-se "galeguistas", a começar polo autodenominado "Partido Galeguista" -que já nada tem a ver co partido de Castelão e Bóveda.

Quer na longa pré-campanha, quer no estrito prazo de campanha eleitoral, muitos candidatos do PP e nom poucos do PSOE, estám a utilizar maioritaria ou exclusivamente o espanhol nos comícios e intervenções públicas. Exemplos disso entre os candidatos das cidades som os do PP por Vigo (Corina Porro), Lugo (Joaquín G. Díez) e Ferrol (Juan Juncal) e os do PSOE na Corunha (Javier Losada) e Ferrol (Vicente Irisarri). O candidato do PSOE em Vigo utilizou o espanhol na pré-campanha mas passou a usar maioritariamente o galego na campanha, sem dúvida condicionado pola necessidade de contar co apoio do BNG para poder ser alcaide e tentando reforçar assi a imagem dum possível pacto PSOE-BNG com melhor resultado que o de 2003. Estes candidatos locais utilizam o espanhol mesmo em actos em que os dirigentes nacionais dos seus partidos empregam o galego. Militam, portanto, no preconceito lingüístico. Estám pola discriminaçom do galego e o conflito sociolinguístico e nom pola normalizaçom da língua e a coesom sociolingüística.

Quanto aos dirigentes nacionais dos partidos, estamos já afeitos nos últimos anos a ouvir-lhes um galego deturpado e castelhanizado, que demostra o seu desprezo à língua e aos conflitos subjazentes. Mas nesta campanha eleitoral um dos dirigentes dos três partidos maioritários, Alberto Núñez Feijóo, está a utilizar com freqüência assuntos de política lingüística, sempre num sentido galegófobo e reforçando preconceitos. Assi, um dia di nom querer "que as bonecas falem só em galego", obviando a realidade social de que no mercado galego as bonecas falam só em castelhano, cousa que obviamente si quer manter, vários dias lançou os ataques mais diversos às galescolas, coas que deve ter pesadelos, e ainda hai poucos que proferiu umha ferrenha defesa do uso do espanhol e da deturpaçom do galego afirmando falar "como nos dá a gana" num discurso em que misturou na mesma frase galego e espanhol, prática na que está a reincidir. E ainda que talvez el nom seja consciente do bem que exprimiu a sua atitude lingüística, com efeito, já leva tempo usando o galego como lhe peta, introduzindo castelhanismos a eito e construindo as frases de acordo coa estrutura gramatical do castelhano, razom pola que quase nunca coloca correctamente o pronome átono enclítico. O galego deve ser, na concepçom destes espanholistas, a única língua que se pode falar como lhes pete, e nom como ditam as regras que a definem e que a convertem num instrumento útil de comunicaçom, cousa que eles ameaçam na sua constante agressom castelhanizadora.

sábado, 12 de maio de 2007

Estamos em campanha

Gostei do vídeo eleitoral do BNG.



Oxalá Alexandre Sánchez Vidal seja o próximo presidente da Cámara Municipal de Ourense, que Lores aumente os seus apoios eleitorais em Ponte-Vedra, e aumentem também os alcaides e vereadores nacionalistas nas vilas e no rural, e que o BNG seja decisivo para a formaçom de governos de esquerda por toda a Galiza.

O BNG é a alternativa ao bipartidismo espanholista que nos anula como país e aos partidos coloniais que aspiram a continuar gerindo, também desde os concelhos. a marginaçom política, económica, social, cultural e lingüística da cidadania galega. O BNG pode cometer erros, e com efeito comete-os, mas sinceramente penso que poucas vezes justificariam a retirada do voto nom já dum nacionalista convicto, mas mesmo de um galego que opte por um futuro mais digno e justo para Galiza. O seu aumento eleitoral em termos gerais no nosso país é a melhor garantia para que a política galega evolua em termos dignificadores, de formaçom dumha consciência cívica e democrática galega, hoje quase inexistente, e de bem-estar social.

sábado, 10 de março de 2007

Leituras recomendadas

Alguns dos blogues de que mais gosto e que mais consulto ou leio som de leituras recomendadas ou ligações. Numha primeira olhada, destaco entre os que conheço o brasileiro Leituras do Dia e o português Ligações Perigosas.


Outros blogues menos devotados às ligações também dedicam periodicamente espaço às leituras recomendadas de outros blogues ou webs, como os passeios bloguíticos do Fernando Venâncio no Aspirina B.


Umha vez que dedico algum tempo à leitura de blogues e feeds diversos, optei por aproveitar as possibilidades que para o compartilhamento de leituras apresenta a secçom "shared items" (elementos compartilhados) do Google Reader, o leitor que actualmente uso e recomendo, e há semanas que incorporei à planilha deste blogue a secçom de leituras recomendadas.


Deixo agora aqui outra forma de consulta, facilitando também um feed.



sábado, 24 de fevereiro de 2007

Shakespeare por Wainwright


Hai uns dias encontrei o portal Srchfor, que ao pouco tempo deixou de funcionar mostrando apenas a mensagem "srchfor is down due to high volume". Srchfor é (ou era) um buscador de arquivos mp3. Entanto que o descobrim e caiu, deu-me tempo a provar o seu funcionarmento procurando alguns nomes dos cantantes que mais gosto: Antony and the Jonsons, Bjork, Rufus Wainwright, Sufjan Stevens e Uxía. Da galega nom oferecia nengum resultado, e nas demais pesquisas a surpresa foi encontrar vários mp3 de canções de Rufus Wainwright que desconhecia, apesar de já ter os seus quatro álbuns e mais canções avulsas, desde que o meu marido Joel e eu o desobrimos, irá para três anos. Umha dessas canções é umha versom do Soneto XXIX de William Shakespeare. Achei sublime e por isso, agora que o Joel anda de viagem, aproveito este meio para lhe regalar os ouvidos com esta música, e de passagem ao resto dos leitores/ouvintes.


Eis o arquivo mp3 da cançom.

E deixo aqui também outra versom em Castpost que encontrei enquanto preparava isto: 


 




 


SONNET XXIX

William Shakespeare


When in disgrace with fortune and men's eyes
I all alone between my outcast state,
And trouble deaf heav'n with my bootless cries
And look upon myself, and curse my fate,



Wishing me like to one more rich in hope,
Featured like him, like him with friends possessed,]
Desiring this man's art and that man's scope,
With what I most enjoy contented least;


Yet in these thoughts myself almost despising,
Haply I think on thee, and then my state,
Like to the lark at break of day arising,
From sullen earth sings hymns at heaven's gate;


For thy sweet love remembered such wealth brings]
That then I scorn to change my state with kings.


SONETO XXIX

(Trad. de Jorge de Sena)


Quando em desgraça aos olhos dos humanos,]
sozinho choro o meu maldito estado,
e ao surdo céu gritando vou meus danos,
e a mim me vejo e amaldiçoa o Fado,



sonhando-me outro, fico de esperanças,
coa imagem del. como el tão respeitado,
invejo as artes de um, doutro as usanças,
do que mais gozo menos contentado.


Mas se ao pensar assim, quase me odiando,
acaso penso em ti, logo meu estado,
como ave, às portas celestiais cantando,
se ergue na terra, quando o sol é nado.


Pois que lembrar-te, amor, tem tal valia,
que nem com grandes reis me trocaria.



 
Além desta versom de Jorge de Sena, hoje quase mais galega que portuguesa, em que somente eliminei os apóstrofos das contrações, encontram-se também na web traduções de J. G de Araújo Jorge e Vasco Graça Moura (e em espanhol encontrei esta versom).

 

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

El País ediçom galega: o progre espanhol é reaccionário na Galiza

Deparei hoje na Angueira de Suso com um interessante texto que ilustra esta imagem, atinada composiçom do autor desse blogue, Suso Sanmartim:



Vem provocando polémica, e vejo polo blogue citado que continua, o uso diglóssico da língua do país na ediçom galega do jornal madrileno El País e a colaboraçom que está a encontrar em intelectuais até agora comprometidos coa normalizaçom lingüística.

É certo que o que vem fazendo tradicionalmente a imprensa galega nom é muito melhor, mas apesar das deficiências que esta sofre, a diferença deste jornal alegadamente progressista é que nega totalmente a possibilidade de usar a nossa língua salvo nas sextas-feiras e exclusivamente em temática cultural, na secçom Luces. Esta assunçom da diglossia foi anunciada já na apresentaçom da nova ediçom, em novembro passado quando já se produziam as primeiras polémicas sobre o assunto, que o próprio jornal registra:«Durante el cóctel se comentaba la doble vía lingüística que trazó Juan Luis Cebrián al evocar al rey Alfonso X el Sabio, quien utilizaba el gallego para la poesía y reservaba el castellano para dictar leyes. Esa dicotomía tenía varias lecturas, no muy optimistas entre los más galleguistas, que, sin embargo, querían ver un ventana abierta para hacer país».

Provalvelmente a receita diglóssica de José Luís Cebrián nom era defendida na Galiza a sério e com tal cinismo, por qualquer sector social que nom fosse marginal, desde a queda do franquismo.

Os sectores mais comprometidos coa normalizaçom lingüística mesmo vinham sendo cada vez mais conscientes e activos à hora de influírem num maior uso da língua na imprensa do país. Defende-se assi a exigência da transcriçom, e nom a traduçom, das entrevistas e declarações feitas em galego, o que deriva na espalhada prátiica de redigir a notícia em castelhano e manter em galego, entre aspas, as declarações assi feitas. Também assi se explica a positiva evoluçom que experimentárom neste aspecto alguns jornais, como o Faro de Vigo, nos últimos anos. Mesmo outro jornal estatal, o ABC, na sua ediçom digital apresenta na secçom dedicada à Galiza notícias de diversa temática redigidas na língua do país.

É neste contexto que aparece a nova ediçom galega do El País, que porém se coloca fora destas dinámicas e traduz ao espanhol todas as declarações e previsivelmente entrevistas feitas em galego, faltando assi à veracidade informativa mais elementar. De porparte, a restrições com efeito postas ao uso do galego na imprensa nacional, ainda que tenham claras tendências diglóssicas, esám contodo mais focadas à quantidade que ao conteúdo. Em qualquer caso, estas tendências diglóssicas nunca som abertamente expostas nem defendidas como linha oficial do jornal, e muito menos apresentadas como um mérito, tal como fizo Juan Luís Cebrián.

Mas, para além disso, este jornal já está a dar alguma amostra de indubitível vocaçom espanholista, ao acolher artigos de opiniom abertamente galegófobos e reaccionários, como El deber de conocer el gallego, publicado a semana passada. Um artigo que nada sério contribui ao debate e que só pretende reforçar dinámicas contrárias à normalizaçom lingüística com argumentos estapafúrdios, como o recurso à liberdade de expressom mesmo no caso de sujeitos submetidos ao cumprimento da legislaçom vigente no exercício da sua profissom. Compare-se o texto do artigo co texto do Decreto que ataca nos parágrafos finais e verá-se que a fraca argumentaçom do jurista (?) equivale a defender o direito de uso do espanhol dos apresentadores da TVG aludindo à liberdade de expressom ou cousa do género. O texto, portanto, equivaleria no quadro estatal a um que defendese o franquismo, cousa que El País nom publicaria, mas na Galiza nom parece encontrar objecções para publicar um texto abertamente galegófobo e colonial, bem que nisto seja equiparável à maioria dos meios galegos.

Todo isto ilustra como às vezes o progre espanhol, por etnocêntrico e galegófobo, fica na Galiza como reaccionário.

Seria bom que os colaboradores desse jornal que estejam a favor da normalizaçom lingüística fagam mais pressom para reverter esta anómala situaçom que nos vem imposta de fora, mas que em nengum caso podemos considerar inamovível.

Nem sequer devemos ficar apenas nestas reivindicações, senom que é necessírio avançar nelas e exigir que no ámbito estatal fluam livremente as diversas línguas nacionais: nomeadamente e, para já, na comunicaçom social pública, nas Cortes Gerais, e na Administraçom estatal. Que impede a um jornal estatal publicar em Galego as notícias redigidas na Galiza, ou as catalãs em Catalám? Ou acham que devem manter os espanhóis a salvo da maléfica influência das línguas románicas mais inteligíveis para eles?

A Ciberirmandade da Fala, com grande acerto, escolherá El País, Edición Galicia como próximo objectivo. Preparem os seus computadores...

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Recursos contra a imposiçom da norma RAG

O 9 de Janeiro saírom publicadas no DOG duas resoluções da Secretaria Geral de Comunicaçom e outra da Secretaria Geral de Política Lingüística, convocando ajudas económicas para empresas jornalísticas e de radiodifusom, para publicações integramente escritas em galego e para incrementar os usos da língua galega no ámbito da família, da infáncia e da mocidade, respectivamente.

Em duas delas impõe-se como requisito para aceder às ajudas a utilizaçom exclussiva da norma da RAG, e noutra (as ajudas a empresas jornalísticas e de radiodifusom) estabelece-se como um dos critérios de valorizaçom dos pedidos de ajuda o emprego dessa norma, confundindo assi a promoçom da língua, coa promoçom exclusiva dumha das suas normas de correcçom presentes na sociedade, e discriminando o resto dos usos sociais, tal como se expõe nos recursos.

Esta imposiçom do uso da norma RAG vinha sendo efectuada polo governo do PP e continuou aparecendo nas convocatórias feitas pola actual Presidência da Junta, de que dependem directamente ambas as Secretarias Gerais. Porém, o ano passado pola primeira vez a AGAL recebeu umha ajuda. É provável que outros empreendimentos reintegracionstas nom contassem com ajuda quer por sentir-se excluídos da convocatória, ao figurar a imposiçom citada, quer por serem excluídos efectivamente apesar de se apresentarem.

Em qualquer caso, como o requisito continua a aparecer, seria necessário que o reintegracionismo se oponha a estas práticas herdadas da época fraguiana, de modo a conseguir um comportamento do Governo galego realmente mais democrático e respeitoso com todos os esforços pola normalizaçom lingüística que no país se fam, e nom unicamente aqueles que sigam as normas da RAG.

Por isso, no passado 10 de Fevereiro, apresentei recurso de reposiçom às três resoluções. Os recursos compartem basicamente a mesma exposiçom de motivos e podem consultar-se nas ligações a seguir:

http://docs.google.com/Doc?id=d2c67cd_8qb2bff

http://docs.google.com/Doc?id=d2c67cd_59795c7

http://docs.google.com/Doc?id=d2c67cd_7cnvd7n

A pressom social poderá ajudar a que o reintegracionismo deixe de estar discriminado no país, o que muito beneficiaria ao movimento de normalizaçom lingüística no seu conjunto, e à situaçom da língua na Galiza.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Hierarquizando 2006, investigando 2007

Retomo o blogue depois das férias de dezembro, e já quase finalizando janeiro, para recomendar o resumo hierárquico anual de Fimoculous (com opçom de consulta cronológica).

Já recomendei no ano passado esta lista de listas anual, e entom e noutras ocasiões, consultando esta e outras listas semelhantes, tivem ocasiom de descobrir interessantes produtos e artistas, nomeadamente cinematográficos e musicais (no início de 2006, coas listas de 2005, a principal descoberta foi Sufjan Stevens).

Ao longo do ano, as listas que mais costumo consultar som as cinematográficas, nomeadamente as do IMDb ( a de 2007 está ainda quase vazia), as de Metacritic e eventualmente Twofifty, já que após registro avisa em cada visita das novas incorporações no "top 250" do IMDb. Com estas consultas, descobrim também algum meritório filme como Das Leben der Anderen (que fum perseguindo polas redes P2P e finalmente pudem ver como filme melhor votado em Cineuropa) ou Babam ve Oglum, modesta e humilde obra mas muito mais meritória que outras agora multipremiadas (v.gr. Dreamgirls).

No que diz respeito à literatura, som de interesse as listas da secçom de livros do Metacritic e as múltiplas listas do Complete Review. Infelizmente, parece nom haver nada similar no mundo lusófono nem no hispánico.

As listas, esse intuito desesperado de pôr ordem no caos, como diz o comercial televisivo da Mercedes Benz, cumprem um papel de recolha de informaçom e ao mesmo tempo de hierarquizaçom, importante para peneirá-la ou assimilá-la.

Listible é o mais popular portal comunitário sobre listas. Na nossa língua temos o Listas em Caixas.