segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

El País ediçom galega: o progre espanhol é reaccionário na Galiza

Deparei hoje na Angueira de Suso com um interessante texto que ilustra esta imagem, atinada composiçom do autor desse blogue, Suso Sanmartim:



Vem provocando polémica, e vejo polo blogue citado que continua, o uso diglóssico da língua do país na ediçom galega do jornal madrileno El País e a colaboraçom que está a encontrar em intelectuais até agora comprometidos coa normalizaçom lingüística.

É certo que o que vem fazendo tradicionalmente a imprensa galega nom é muito melhor, mas apesar das deficiências que esta sofre, a diferença deste jornal alegadamente progressista é que nega totalmente a possibilidade de usar a nossa língua salvo nas sextas-feiras e exclusivamente em temática cultural, na secçom Luces. Esta assunçom da diglossia foi anunciada já na apresentaçom da nova ediçom, em novembro passado quando já se produziam as primeiras polémicas sobre o assunto, que o próprio jornal registra:«Durante el cóctel se comentaba la doble vía lingüística que trazó Juan Luis Cebrián al evocar al rey Alfonso X el Sabio, quien utilizaba el gallego para la poesía y reservaba el castellano para dictar leyes. Esa dicotomía tenía varias lecturas, no muy optimistas entre los más galleguistas, que, sin embargo, querían ver un ventana abierta para hacer país».

Provalvelmente a receita diglóssica de José Luís Cebrián nom era defendida na Galiza a sério e com tal cinismo, por qualquer sector social que nom fosse marginal, desde a queda do franquismo.

Os sectores mais comprometidos coa normalizaçom lingüística mesmo vinham sendo cada vez mais conscientes e activos à hora de influírem num maior uso da língua na imprensa do país. Defende-se assi a exigência da transcriçom, e nom a traduçom, das entrevistas e declarações feitas em galego, o que deriva na espalhada prátiica de redigir a notícia em castelhano e manter em galego, entre aspas, as declarações assi feitas. Também assi se explica a positiva evoluçom que experimentárom neste aspecto alguns jornais, como o Faro de Vigo, nos últimos anos. Mesmo outro jornal estatal, o ABC, na sua ediçom digital apresenta na secçom dedicada à Galiza notícias de diversa temática redigidas na língua do país.

É neste contexto que aparece a nova ediçom galega do El País, que porém se coloca fora destas dinámicas e traduz ao espanhol todas as declarações e previsivelmente entrevistas feitas em galego, faltando assi à veracidade informativa mais elementar. De porparte, a restrições com efeito postas ao uso do galego na imprensa nacional, ainda que tenham claras tendências diglóssicas, esám contodo mais focadas à quantidade que ao conteúdo. Em qualquer caso, estas tendências diglóssicas nunca som abertamente expostas nem defendidas como linha oficial do jornal, e muito menos apresentadas como um mérito, tal como fizo Juan Luís Cebrián.

Mas, para além disso, este jornal já está a dar alguma amostra de indubitível vocaçom espanholista, ao acolher artigos de opiniom abertamente galegófobos e reaccionários, como El deber de conocer el gallego, publicado a semana passada. Um artigo que nada sério contribui ao debate e que só pretende reforçar dinámicas contrárias à normalizaçom lingüística com argumentos estapafúrdios, como o recurso à liberdade de expressom mesmo no caso de sujeitos submetidos ao cumprimento da legislaçom vigente no exercício da sua profissom. Compare-se o texto do artigo co texto do Decreto que ataca nos parágrafos finais e verá-se que a fraca argumentaçom do jurista (?) equivale a defender o direito de uso do espanhol dos apresentadores da TVG aludindo à liberdade de expressom ou cousa do género. O texto, portanto, equivaleria no quadro estatal a um que defendese o franquismo, cousa que El País nom publicaria, mas na Galiza nom parece encontrar objecções para publicar um texto abertamente galegófobo e colonial, bem que nisto seja equiparável à maioria dos meios galegos.

Todo isto ilustra como às vezes o progre espanhol, por etnocêntrico e galegófobo, fica na Galiza como reaccionário.

Seria bom que os colaboradores desse jornal que estejam a favor da normalizaçom lingüística fagam mais pressom para reverter esta anómala situaçom que nos vem imposta de fora, mas que em nengum caso podemos considerar inamovível.

Nem sequer devemos ficar apenas nestas reivindicações, senom que é necessírio avançar nelas e exigir que no ámbito estatal fluam livremente as diversas línguas nacionais: nomeadamente e, para já, na comunicaçom social pública, nas Cortes Gerais, e na Administraçom estatal. Que impede a um jornal estatal publicar em Galego as notícias redigidas na Galiza, ou as catalãs em Catalám? Ou acham que devem manter os espanhóis a salvo da maléfica influência das línguas románicas mais inteligíveis para eles?

A Ciberirmandade da Fala, com grande acerto, escolherá El País, Edición Galicia como próximo objectivo. Preparem os seus computadores...

3 comentários:

Anónimo disse...

Juan Luis Cebrian....¿Ama y entiende a Galicia? Mariano Fernandez Bermejo.....¿Ama y entiende a Galicia?

lara disse...

Parabéns polo artigo, máis ca certero e oportuno!

Dá gusto verte activo e coherente coma sempre.

Apertas,

J. Manuel Outeiro disse...

O gosto é todo meu de concitar a tua atençom e merecer os teus elogios.

Um beijo.