sábado, 24 de fevereiro de 2007

Shakespeare por Wainwright


Hai uns dias encontrei o portal Srchfor, que ao pouco tempo deixou de funcionar mostrando apenas a mensagem "srchfor is down due to high volume". Srchfor é (ou era) um buscador de arquivos mp3. Entanto que o descobrim e caiu, deu-me tempo a provar o seu funcionarmento procurando alguns nomes dos cantantes que mais gosto: Antony and the Jonsons, Bjork, Rufus Wainwright, Sufjan Stevens e Uxía. Da galega nom oferecia nengum resultado, e nas demais pesquisas a surpresa foi encontrar vários mp3 de canções de Rufus Wainwright que desconhecia, apesar de já ter os seus quatro álbuns e mais canções avulsas, desde que o meu marido Joel e eu o desobrimos, irá para três anos. Umha dessas canções é umha versom do Soneto XXIX de William Shakespeare. Achei sublime e por isso, agora que o Joel anda de viagem, aproveito este meio para lhe regalar os ouvidos com esta música, e de passagem ao resto dos leitores/ouvintes.


Eis o arquivo mp3 da cançom.

E deixo aqui também outra versom em Castpost que encontrei enquanto preparava isto: 


 




 


SONNET XXIX

William Shakespeare


When in disgrace with fortune and men's eyes
I all alone between my outcast state,
And trouble deaf heav'n with my bootless cries
And look upon myself, and curse my fate,



Wishing me like to one more rich in hope,
Featured like him, like him with friends possessed,]
Desiring this man's art and that man's scope,
With what I most enjoy contented least;


Yet in these thoughts myself almost despising,
Haply I think on thee, and then my state,
Like to the lark at break of day arising,
From sullen earth sings hymns at heaven's gate;


For thy sweet love remembered such wealth brings]
That then I scorn to change my state with kings.


SONETO XXIX

(Trad. de Jorge de Sena)


Quando em desgraça aos olhos dos humanos,]
sozinho choro o meu maldito estado,
e ao surdo céu gritando vou meus danos,
e a mim me vejo e amaldiçoa o Fado,



sonhando-me outro, fico de esperanças,
coa imagem del. como el tão respeitado,
invejo as artes de um, doutro as usanças,
do que mais gozo menos contentado.


Mas se ao pensar assim, quase me odiando,
acaso penso em ti, logo meu estado,
como ave, às portas celestiais cantando,
se ergue na terra, quando o sol é nado.


Pois que lembrar-te, amor, tem tal valia,
que nem com grandes reis me trocaria.



 
Além desta versom de Jorge de Sena, hoje quase mais galega que portuguesa, em que somente eliminei os apóstrofos das contrações, encontram-se também na web traduções de J. G de Araújo Jorge e Vasco Graça Moura (e em espanhol encontrei esta versom).

 

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