sexta-feira, 29 de junho de 2007

Cultura galega e recurso ao castelhano

Um dos aspectos em que podemos comprovar a subordinaçom do galego ao castelhano na Galiza é na preferência geral, perante a falta de traduções galegas, pola leitura de traduções ao castelhano antes que ao galego-português internacional. Nisto influem também aspectos económicos, como o facto de ser geralmente mais caro no nosso país adquirir um livro impresso no Porto ou em Lisboa que um editado em Barcelona, Madrid ou mesmo Buenos Aires ou México, mas é também umha questom ideológica que mostra a força do preconceito político contra a unidade lingüística galego-portuguesa, mesmo em amplos sectores galeguistas.

Esse preconceito é parte da identidade nacional alienante que nos é incutida desde a mais terna infáncia, em que aprendemos de cor o alfabeto espanhol, fundamental para lermos a letra J como espanhóis bem instruídos, assumindo porém a diversidade em palavras catalãs como Pujol ou Jordi mas castelhanizando a fonética de palavras galegas como Feijóo, Araújo, Janeiro, etc.

Temos o casiom de comprovar esta subordinaçom da cultura galega ao espanhol na ediçom de hoje do suplemento "Luces" do jornal espanhol "El País". Este suplemento, únicas páginas redigidas em galego dessa ediçom "galega", apresenta as recomendações e propósitos de leitura estival de 20 personagens destacadas do mundo da cultura galega. Nas recomendações de leitura aparecem geralmente títulos galegos ou traduções galegas de fácil acesso nas livrarias ou bibliotecas do país e nengum dos 20 recomenda umha só leitura em espanhol, mas nas leituras previstas já aparecem um bom número de títulos condicionados pola actualidade do mercado editorial espanhol e em castelhano, ainda que coa presença sobranceira de livros e traduções galegas.



Apesar desse predomínio da literatura e as edições galegas, nom faltam autores e livros traduzidos ao espanhol entre os que lerám as personagens escolhidas polo jornal e que poderiam ser lidos e recomendados em traduçom ao galego-português, como umha selecçom de poemas e ensaios de W.H. Auden (Los señores del límite), citado por Antón Baamonde; Mao, La Historia Desconocida, de Jung Chang, citado pola actriz Arantza Vilar; o Libro de los Pasajes de Walter Benjamin (que tem traduçom da Assírio & Alvim) citado polo fotógrafo Manuel Vilariño; ou Los Buddenbrook de Thomas Mann e La Consciencia de Zeno, de Italo Svevo, que prevê ler em espanhol ninguém menos que o Presidente do Conselho da Cultura Galega, Ramón Villares.

Por outro lado, as edições lusófonas que recomendam ou prevem ler alguns dos inquiridos (somente Uxía Senlle e Elias Torres) som obras originariamente escritas em português.


Portanto, mesmo numha amostra como esta se reflecte como desde a cultura galega, apesar de reconhecer-se unanimemente a maior proximidade ao português do galego que ao castelhano, e apesar do peso histórico e actual do lusismo cultural galego e do reintegracionismo lingüístico, o acesso a outras culturas e produtos culturais, a falta de versões nacionais, fai-se antes através do castelhano que, como seria esperável, polas variantes internacionais do galego, num contexto em que a presença da cultura lusófona ainda é bem menor do que a hispana.