quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Carod-Rovira contra o espanholismo



A entrevista ao dirigente de Esquerra Republicana de Catalunya (ERC), Josep Lluis Carod-Rovira, emitida anteonte pola televisom pública do Estado Espanhol foi umha rara ocasiom para ver um discurso diferente sobre a concepçom do Estado, igualitário e contrário a hierarquizaçom estabelecida na legalidade vigente, que subordina as línguas e culturas de expressom basca, catalá e galego-portuguesa à hegemonia e supremacia do castelhano, co decorrente efeito discriminador dessas comunidades lingüísticas diferentes da castelhana.

Esta discriminaçom é vivida como umha situaçom normal ou natural, inclusive às vezes por sectores dos colectivos discriminados, que assumem a sua subordinaçom, mas sobretodo na comunidade castelhana, que defende os privilégios de que beneficia, polo qual é fulcral um labor de conscienciaçom igualitária a respeito, cousa que poucas vezes se fai. Por isso aplaudo a coragem de Carod-Rovira ao contradizer com firmeza e argumentos democráticos o discurso xenófobo e negador da diversidade cultural e lingüística do Estado Espanhol.

As pessoas que mostrárom desprezo à língua e cultura catalãs, e ao própio Carod-Rovira castelhanizando reiteradamente o seu nome, nom agiriam com esse descaro, prepotência e falta de respeito se esse comportamento nom estivesse amparado e mesmo promovido polos partidos estatais, nomeadamente o Partido Popular, e mesmo pola legalidade actual do Estado espanhol.

Carod-Rovira pudo ter sido mais didáctico nalguns pontos, mas em geral conseguiu reivindicar um cenário legal mais justo, através da opçom independentista, deixando sem argumentos os elementos mais reaccionários entre o público entrevistador, maioritariamente contrário nom só ao independentismo com que se confrontavam, mas mesmo a umha versom plurinacional do Estado.

Contodo, julgo ilustrativa a resposta de umha mulher que colocou a questom do significado que para o Vice-Presidente catalám teria Espanha. Depois de el expor a sua identificaçom com Catalunha, mas nom com Espanha, por esta nom integrar e reconhecer a diversidade lingüística, cultural e nacional que envolve, a senhora retrucou perguntando por que nom se queria integrar. Penso que esta pessoa, a diferença de outras, nom pretendia faltar ao respeito ao dirigente catalám, mas contodo nom entedeu o problema que Carod-Rovira expunha. Isto reflecte a falta de debate sobre o assunto e sobretodo o desconhecimento que os espanhóis têm sobre os argumentos que fundamentam os discursos das reivindicações mais justas que se fam desde os nacionalismos e os independentismos basco, galego e catalám, umha vez que lhes chegam geralmente deformados por umha comunicaçom social valedora do discurso sustentador da supremacia cultural castelhana.

Esse caso, e a resposta indignada coa necessária e corajosa intervençom de Carod-Rovira que estám a dar amplos sectores da bloguesfera espanhola, mostra quam necessários som debates como este para que estas questões sejam entendidas por um sector mais amplo da populaçom hoje identificada com essa naçom unitária espanhola que nom se corresponde coa realidade, de modo a permitir o reconhecimento dos direitos cívicos agora conculcados.

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