quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O preconceito lingüístico

Depois de ter publicado um artigo em Outubro no novo Portal Galego da Língua, saiu hoje um novo texto, reflexom sobre o preconceito lingüístico na Galiza perante as novas políticas galegofóbicas do governo Feijóo.
Penso que é necessário reflexionar sobre as estratégias que devemos implementar para nom continuar na mesma dinámica que levou, nos últimos anos, à impune discriminaçom lingüística e espalhamento dos preconceitos contra o galego em que agora convivemos. Reflexom a que convidava também Miguel Louzao, desde outra perspectiva, num artigo publicado na revista Tempos Novos.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Políticas contra a homofobia ou políticas homofóbicas

Esta é a diferença entre o governo bipartido e o governo do PP: o primeiro, sob a vicepresidência do BNG, desenvolveu pola primeira vez em Galiza políticas sociais de apoio à populaçom lésbica, gay bissexual e transexual (LGBT ou GLBT), como o programa Entendo, que agora o governo reaccionário do PP clausurou.

Mais informaçom, com proposta de contestaçom a esta reaccionária medida, no mui recomendável blogue de Carlos Callón, que atinadamente alerta sobre a ameaça que o PP supom para a continuidade dos centros Quérote. Veremos quanto tardam em desmantelá-los ou reformulá-los à sua visom repressiva da sexualidade.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O PP com Micro$oft

O passado 1 de Março foi um dia fatídico para Galiza, ao produzir-se a vitória eleitoral da direita supremacista castelhana e a derrota do primeiro governo galego que tivo umha política nacional de regeneraçom democrática, educaçom cívica, normalizaçom lingüística e cultural, bem-estar social e desenvolvimento económico autocentrado.

Contodo, isto nom é visto assi pola maioria social e só se conseguirá realmente umha valorizaçom do governo bipartido em contraste co actual governo do PP através da contrastaçom entre as políticas que desenvolva o governo Feijóo e as que implementou a coligaçom PSdG-BNG, nomeadamente o BNG.

Em política lingüística, coas múltiplas iniciativas galegofóbicas do PP, está a ficar clara a diferença entre ambos os governos possíveis para este país, e a necessidade de trabalhar para impedir que os extremistas anti-galegos continuem a governar-nos, quer dizer, a violar os nossos direitos básicos e a bestializar a populaçom, que é o que realmente fam.

Mas temos outro exemplo que nom está a ter a atençom que merece: o esbanjamento do dinheiro público para a aquisiçom de licenças do software privativo dumha empresa estadunidense que exclui o galego do seu sistema operativo: nada menos que 2,2 milhões de euros, sem publicidade nem livre concorrência, e contrariando as promessas de promoçom do software livre e de austeridade económica. Autêntica corrupçom tecnológica.

Que podemos esperar agora que aconteça com iniciativas exemplares levadas a cabo polo BNG no governo bipartido como a Rede de Dinamizaçom da Sociedade da Informaçom ou Mancomun, donde surgiu Galinux?

Com certeza teremos ocasiom de comprovar mais vezes a diferença entre os prejuízos sociais dum governo do PP e os benefícios dum governo do BNG neste e noutros campos. Esclarecer essas diferenças será vital para evitar a continuidade das nefastas políticas que já estamos a sofrer nestas poucas semanas e que teremos que enfrentar durante os próximos anos.






quarta-feira, 10 de junho de 2009

Apropriar-se da língua

Protegerei a língua dos que querem apropriar-se dela.
(Alberto Núñez Feijóo, Presidente da Junta de Galiza, na véspera do Dia das Letras de 2009).

Es la lengua de quien quiere apropiársela. No tiene fronteras: es mexicana, peruana, castellana, estadounidense... No olvidemos que hay más de 40 millones de hispanohablantes en Estados Unidos.
(Mario Vargas Llosa, em declarações feitas ao jornal El País [9.06.09] após conhecer a concessom do Prémio Dom Quixote à difusom e defensa do espanhol).

quarta-feira, 4 de março de 2009

Língua, igualdade, e maioria popular


No passado 20 de Fevereiro, um júri popular absolvia em Vigo o autor do assassinato dos companheiros de apartamento Júlio Anderson e Isaac Pérez, conhecido como Al-Daní desde a sua conversom ao islamismo. Apesar de ter confessado ser o autor das 57 punhaladas que acabárom coa vida de ambas as vítimas, o assassino só foi considerado polo júri culpável do posterior incêndio realizado para ocultar as provas do seu crime. Com umha votaçom de sete a dous, o júri decidiu pôr-se de parte do assasino, um cidadão galego, católico, branco, pai dumha criança, que alegou ter sofrido o pánico de ser violado. Doutro lado da balança estavam um homossexual galego mussulmano e outro homossexual brasileiro e negro, as vítimas. O júri preferiu identificar-se co assassino, e justificá-lo. Nom se identificou coas vítimas e decidiu acreditar que o crime fora cometido em legítima defesa, apesar das provas que contrariam tal hipótese. Em conseqüência, a maioria esmagadora dos membros do júri nom tivo reparo em pronunciar umha sentença homofóbica, racista e xenófoba.

Alguns dias depois, no passado 1 de Março, os galegos, em Vigo e no resto do país, votam os representantes no parlamento da naçom e decidem dar a maioria absoluta a um Partido Popular convertido numha sucursal regional dumha marca ranciosa de Madrid, e que procura a divisom, a segregaçom e o enfrentamento dos galegos pola língua, abandonando o verniz falsamente galeguista com que se disfarçava até hai pouco, um partido que encoraja os cidadãos galegofóbicos a manifestar-se a favor do auto-ódio e da discriminaçom do galego, e que promete desamparar os poucos direitos lingüísticos desenvolvidos nestes anos com base num fraco plano de normalizaçom lingüística aprovado por unanimidade parlamentar durante o governo Fraga.

Para a maioria do eleitorado galego, a chegada do bipartido ao poder foi um mero accidente. Um descuido que permitiu a alteraçom da ordem preestabelecida (ou mais bem estabelecida, polo menos, desde Franco). O passado 1 de Março foi corrigido com determinaçom o descuido. Com participaçom histórica, os galegos acudírom às urnas a colocar no poder àqueles que lhes corresponde esse lugar.

Ficou esclarecido de vez que a sociedade galega é mui conservadora, e amplos sectores mesmo profundamente reaccionários. Nom vale a pena ocultá-lo. Cumpre reconhecê-lo para poder enfrentá-lo. Boa parte da nossa populaçom considera que deve existir umha ordem desigual, hierarquizada, tradicional que deve ser respeitada e mantida. Segundo esta visom, na sociedade convivemos distintos sectores que devemos ocupar cada qual o papel que nos corresponde. É por esta concepçom que se produzírom os episódios de racismo contra os ciganos que nom fôrom tratados polo governo do "cámbio" coa determinaçom e pedagogia social que requeriam. É também por esta concepçom da ordem social que está permitido o uso do galego em determinados contextos, nomeadamente informais e litúrgicos ou simbólicos, do mesmo jeito que umha vestimenta informal é adequada no ámbito doméstico, mas para os contextos sérios, e para dizer as cousas realmente importantes, o que corresponde é o uso do castelhano. E é por isso que persistem em pleno 2009 os preconceitos sociais contra o galego espalhados durante o franquismo. Por outro lado, tambem de acordo com esta concepçom tradicional conservadora, os galegos em conjunto devemos ocupar o papel subordinado que nos corresponde. De forma resumida, somos um país pobre, que devemos estar agradecidos à Espanha por toda a caridade, em forma de pensões de jubilações, quilómetros de auto-estrada e distintos tipos de subvenções que dela e da Europa nos vém.

Tanto na votaçom do júri viguês, como na posterior votaçom do eleitorado galego influiu umha grave falta de assunçom da igualdade entre as pessoas e os colectivos humanos.

Para o júri, o lugar ocupado por um galego pai de família supostamente heterossexual e católico nom é o mesmo que corresponde a um maricas mussulmano ou outro maricas imigrante e negro. O assassino era mais semelhante a eles que as vítimas, portanto as vítimas teriam que ser as culpadas. Quem subverte a ordem estabelecida, tendo relações homossexuais por exemplo, ou tratando como iguais quem som diferentes (partilhando apartamento com um imigrante negro, p. ex.), deve ater-se às conseqüências. Absolvérom o assassino dos homocídios mas culpárom-no do incêndio. Cinqüenta e sete punhaladas som legítima defesa perante dous homossexuais, que por nom ser heterossexuais, como é devido, estám portanto mais próximos de serem violadores e criminais, mas um incêndio é um acto perigoso que podia ter atingido umha pessoa "normal", quem sabe se algum dos próprios membros do júri, um amigo ou conhecido.

Existe umha gravíssima carência democrática de sentido cívico na sociedade galega que dificulta o tratamento igualitário entre as pessoas de forma directamente proporcional à medida em que se afastem da ordem preestabelecida.

Como no caso do júri viguês, a sociedade galega no seu conjunto também sofre umha falta de assunçom da igualdade à hora de conceber-se a si mesma, e a sua relaçom com outros povos. A cultura e língua galegas nom podem ombrear-se coa cultura castelhana. O galego é usado e concebido como um dialecto do espanhol, que é a língua de verdade, e a afirmaçom de que o galego e o português som variantes da mesma língua é umha profanaçom imperdoável da sagrada superioridade castelhana. Estes galegos conservadores, ainda que costumam falar galego maioritariamente, falam aos seus filhos e netinhos em castelhano, esperando assi melhorar o país por via da castelhanizaçom. O seu conservadorismo nom pretende conservar a língua do país, mas conservar a dinámica de substituiçom do galego polo castelhano, nom visa conservar a cultura própria, mas conservar o preconceito do supremacismo castelhano, nom quer conservar o medio natural, mas conservar os mecanismos de destruiçom desse meio. Por isso, o bipartido nom era de fiar, pois constituía umha ameaça, ainda que nom demasiado grave, a esse conservadorismo. Havia que dar o poder a Feijóo, nom apesar de que fale galego, mas porque quando fala galego fica claro que o que considera importante é o castelhano. Coloca mal os pronomes, utiliza fonética e prosódia castelhanizadas, nom hai dúvida com el. É dos deles.

Polas mesmas razões que odeiam o galego e nom perdoam que o bipartido implementasse timidamente algumha das medidas normalizadoras previstas no plano de normalizaçom lingüística promovido polo próprio PP, por essas mesmas razões odeiam os catalães. Existe na Galiza um anti-catalanismo ainda mais forte que o anti-catalanismo castelhano. Esses galegos odeiam os catalães porque nom aceitam a subordinaçom da sua língua cultura, e impudicamente mostram orgulho delas, apoiam massivamente forças políticas catalanistas, afirmam-se como a naçom que som, e ponhem em perigo a ordem que corresponde aos povos do Estado, o supremacismo castelhano e a subordinaçom dos que devem ocupar, nom por resignaçom mas por umha questom de decência, o lugar subordinado que lhes corresponde.

Agora sabemos que a mudança social nom estava garantida coa chegada ao poder das forças progressistas. É a sociedade a que deve protagonizar a mudança política, as transformações e os avances sociais. Os partidos políticos, desde os diferentes ámbitos de governo, poderám apoiar e impulsar essas mudanças, mas se nom se conta coa sua colaboraçom, a sociedade nom deve aguardar. As pessoas e sectores sociais comprometidos com umha sociedade mais justa e igualitária, os que acreditamos que outra Galiza é possível, que outro mundo é possível, devemos esforçar-nos dia a dia, desde os ámbitos mais cotidianos, por forçar essas mudanças. Isto nom será nada fácil, como nom foi fácil ao governo bipartido pôr em marcha a lenta locomotiva da mudança política que agora prometiam acelerar, pois os mecanismos de reproduçom da ordem social conservadora estám profundamente gravados nas nossas vidas cotidianas.

O próximo sábado dia 7, às 20 horas, está convocada umha manifestaçom na Porta do Sol de Vigo em repulsa da ignominosa sentença homofóbica e racista. Noutros países, a defesa dos direitos dos homossexuais estám sendo assumidas cada vez mais por toda a cidadania, o qual se percebe nas mobilizações e manifestações, às que acudem cada vez mais pessoas, independentemente da sua orientaçom sexual. Nisto, a Galiza é também mais conservadora, ou mais atrasada.

O próximo dia 7 temos, portanto, umha primeira oportunidade, depois do desalojo do bipartido e a restituiçom da ordem natural das cousas, para contribuirmos à mudança social. Para romper com essa ordem estabelecida, coa sociedade tradicional e conservadora, classista, machista, colonizada ou galegofóbica, homofóbica, xenófoba e racista, a sociedade dessa maioria popular que considera indecente a igualdade entre as pessoas e os grupos humanos.

segunda-feira, 2 de março de 2009

A derrota e a mudança

A esperança dumha Galiza diferente, da dignidade, da mudança, da regeneraçom democrática e da normalizaçom lingüística e cultural foi derrotada nas eleições de onte por umha contundente maioria absoluta do Partido Popular.

Esperam-nos sem dúvida quatro anos difíceis. Previsivelmente veremos o PP avançando num discurso subordinado aos interesses da direita espanholista, ainda que provavelmente avance por esse indigno caminho devagar, para evitar um contraste notável cos avances mais positivos do governo bipartido. Cumpre lembrar que o PP tivo que mudar alguns aspectos da sua estratégia política para adaptar-se à dinámica política introduzida pola aliança PSdG-BNG, do qual som exemplo a sua posiçom a favor do traslado de Ence da Ria de Pontevedra ou o seu alinhamento coa reivindicaçom do retorno à construçom naval civil em Astano. Até hai dous dias, o PP assumia reivindicações incluídas no acordo do governo bipartido que jamais formaram parte da sua agenda política, como a reforma da TVG ou a reforma da lei eleitoral (exigindo o voto em urna, no caso dos emigrantes).

Um dos aspectos mais preocupantes deste futuro é a indigna política lingüística e cultural que nos aguarda. O retorno ao lema do "bilingüísmo harmónico", como forma de ocultar a maciça discriminaçom do galego, e assi avançar nela, só poderá ser enfrentada desde um movimento em prol do galego forte, com umha estratégia que inclua umha pedagogia social capaz de mudar a aceitaçom social da subordinaçom lingüística, e que nom considere este trabalho social desde umha estratégia político-partidária, senom com independência partidária e ao serviço do povo.

O PSdG e o BNG deverám reflexionar nas razões por que, apesar de ter concitado em 2005 o apoio dumha maioria social clara, o seu labor de governo nom conseguiu consolidar essa maioria e mesmo provocou um retrocesso nas aspirações de mudança e regeneraçom democrática.

Mas o protagonista da mudança social deve ser a própria sociedade, com ou sem a participaçom e apoio dos governos. Por isso, desde hoje cumpre trabalhar, corrigindo os erros havidos, para deixar de esperar pola mudança, e pôr-se a construi-la.