segunda-feira, 2 de março de 2009

A derrota e a mudança

A esperança dumha Galiza diferente, da dignidade, da mudança, da regeneraçom democrática e da normalizaçom lingüística e cultural foi derrotada nas eleições de onte por umha contundente maioria absoluta do Partido Popular.

Esperam-nos sem dúvida quatro anos difíceis. Previsivelmente veremos o PP avançando num discurso subordinado aos interesses da direita espanholista, ainda que provavelmente avance por esse indigno caminho devagar, para evitar um contraste notável cos avances mais positivos do governo bipartido. Cumpre lembrar que o PP tivo que mudar alguns aspectos da sua estratégia política para adaptar-se à dinámica política introduzida pola aliança PSdG-BNG, do qual som exemplo a sua posiçom a favor do traslado de Ence da Ria de Pontevedra ou o seu alinhamento coa reivindicaçom do retorno à construçom naval civil em Astano. Até hai dous dias, o PP assumia reivindicações incluídas no acordo do governo bipartido que jamais formaram parte da sua agenda política, como a reforma da TVG ou a reforma da lei eleitoral (exigindo o voto em urna, no caso dos emigrantes).

Um dos aspectos mais preocupantes deste futuro é a indigna política lingüística e cultural que nos aguarda. O retorno ao lema do "bilingüísmo harmónico", como forma de ocultar a maciça discriminaçom do galego, e assi avançar nela, só poderá ser enfrentada desde um movimento em prol do galego forte, com umha estratégia que inclua umha pedagogia social capaz de mudar a aceitaçom social da subordinaçom lingüística, e que nom considere este trabalho social desde umha estratégia político-partidária, senom com independência partidária e ao serviço do povo.

O PSdG e o BNG deverám reflexionar nas razões por que, apesar de ter concitado em 2005 o apoio dumha maioria social clara, o seu labor de governo nom conseguiu consolidar essa maioria e mesmo provocou um retrocesso nas aspirações de mudança e regeneraçom democrática.

Mas o protagonista da mudança social deve ser a própria sociedade, com ou sem a participaçom e apoio dos governos. Por isso, desde hoje cumpre trabalhar, corrigindo os erros havidos, para deixar de esperar pola mudança, e pôr-se a construi-la.

1 comentário:

Anónimo disse...

Bom, eu estou razoavelmente esperançado de que o Estado espanhol vaia prò caralho nos vindouros anos, se pensamos na déveda dos bancos espanhois (2,5 bilhões de euros, só cos bancos franceses e alemães), afinal é possível que haja umha soluçom à iugoslava (sem violência, por favor). Como seja, haveria que ir mirando isso também, a falência dos Estados para o futuro.