terça-feira, 31 de agosto de 2010

Blog Day 2010

Blog Day 2010
Cada 31 de Agosto comemora-se o Blog Day, umha iniciativa para que cada blogue recomende outros 5 de países e áreas de interesse diferentes ao seu. Eu aderim somente em 2006 e vejo que dos blogues que recomendava naquela altura só continuo lendo o que punha como primeiro.

Pois bem, eis cinco magníficos blogues que recomendo como contributo ao BlogDay2010:

1.- Sound + Vision
João Lopes, crítico cinematográfico do Diário de Notícias, e Nuno Galopim, director executivo do mesmo jornal e crítico musical, mantenhem este blogue que, além dessas duas áreas culturais aludidas no título, prestam eventual atençom a outros assuntos (literatura, actualidade política, viagens...). É um dos blogues que sigo, no possível, desde hai mais tempo.

2.- Homodesiribus
"homosexualité masculine et culture, peinture, photographie, art, littérature, journal personnel" é o subtítulo ou apresentaçom deste blogue francês, se nom o melhor, com certeza um dos melhores sobre homosexualidade e homoerotismo masculinos na arte.

3.- Liberal, Libertário, Libertino
O escritor brasileiro residente em Nova Orleans, Álex Castro, consegue reflexionar sobre temas que geralmente conduzem à obscuridade textual e densidade conceptual sem cair nesses obstáculos. Acho que os seus textos som sempre sugerentes, mesmo para quem nom concorde com el, e talvez por isso originem freqüentes debates nos comentários. Conhecia outro web que el mesmo criara (Sobre Sites) e nalgumha ocasiom tinha caído por ali ou por este blogue, mas só passei a inclui-lo no Google Reader depois da viagem a Cuba em Outubro de 2007, ainda comovido polas impressões que me causara esse país, e que descobrim reflectidas em vários textos seus (daquela hospedados noutro servidor). Recomendo muito por isso os post sobre Cuba, sobre o racismo e também sobre literatura.

4.- Vasco Szinetar. Frente al espejo y otras historias
O fotógrafo venezuelano Vasco Szinetar, famoso pola série de autorretratos realizados acompanhado dos mais diversos e afamados escritores frente a espelhos de banhos, vem publicando nesse blogue algumhas das suas obras.

5.- Leituras do Dia
Este blogue brasileiro propom cada dia umha ligaçom para ler um artigo, notícia, ensaio... dos temas e fontes mais diversos e interessantes...  Também o acompanho desde hai vários anos e já me referim nalgumha ocasiom a el.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Efeitos colaterais da vitória da selecçom espanhola

Nom podemos senom estar, por princípio, frontalmente em contra das selecções espanholas e de qualquer deportista polo qual se vinherem a sentir representados os "españoles" ou cujos triunfos sejam convertidos numha épica nacional espanhola. O sentimento de "orgulho espanhol" provocado pola vitória no mundial de futebol da África do Sul está avivando o supremacismo castelhano, o espanholismo mais ranço e a xenofobia contra as línguas e culturas nacionais basca, catalã e galega com um nível de descaro, desrespeito e impunidade que deixa bem patente o cerne racista da "espanholidade".

Eis três eloqüentes mostras das últimas semanas:
  1. Vídeo da festa de fim de curso de 2.º infantil, do colégio marista de San Lucar La Mayor de Sevilha, com beijos à bandeira espanhola e promoçom do militarismo e o sexismo entre as crianças ao melhor estilo franquista: http://www.dalealplay.com/informaciondecontenido.php?con=259121
  2. Notícia dumha vendedora de Telefónica que respondeu "Viva España!" ao pretendido cliente, por pedir ser atendido em galego: http://www.ciberirmandade.org/sitio2009/index.php?option=com_content&view=article&id=1365
  3. Notícia dum vendedor de Vodafone que respondeu "Su idioma es una mierda" a um cliente que pediu ser atendido em catalám: http://www.radiocatalunya.ca/noticia/vodafone-el-catala-es-una-merda
O primeiro caso é umha mostra do reforço do supremacismo do grupo dominador, que usufrue del por tê-lo imposto violentamente  e que o mantém através dum sistema legal injusto que lhe permite perpetrar com mais ou menos impunidade humilhações e discriminações como as que mostram os outros dous casos.

Com certeza, o actual enaltecimento do supremacismo castelhano polos meios de comunicaçom e pola massa social espanholista terá levado muitos deles, e nom só os dous vendedores telefónicos das notícias citadas, a dar um passo avante no exercício dos seus privilégios e a conseqüente negaçom dos direitos dos subordinados.

sábado, 10 de julho de 2010

Brigam Espanha e Holanda

Umha poesia da actriz brasileira Leila Diniz, musicada por Milton Nascimento, contra a alienante histeria espanholista perante a final do mundial de futebol.






"Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar
O mar é das gaivotas
E de quem sabe navegar.

Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
Brigam Espanha e Holanda
Porque não sabem que o mar
É de quem o sabe amar. "
poema de Leila Diniz 

(in Cavalcanti, Cláudia.1983. Leila Diniz. Uma história de amor. São Paulo: Editora Brasiliense)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Fortuna Crítica

Quem tenha interesse na literatura e a crítica literária pode dar um passeio por aqui.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Entre Galiza e Espanha

(...) Fez muito bem o Brasil em estabelecer um acordo ortográfico que unifica a língua, pois se há 190 milhões de brasileiros, há outros tantos [sic] milhões de falantes do português em lugares como Angola, Moçambique, Macau ou Portugal mesmo, totalizando um mercado linguístico imenso. Vejo como uma boa oportunidade o Brasil globalizar suas publicações não só para o mundo que fala português, mas estendendo também ao mundo que fala espanhol. Se temos alguma dificuldade para entender o que vocês falam, não temos para ler o que vocês escrevem. E há uma cultura em comum. Sempre digo que Portugal não se separou da Espanha, somente da Galícia. E fez bem (ri).
(José Luís Cebrián, entrevistado n'O Estado de São Paulo, 17-04-2010)

terça-feira, 20 de abril de 2010

A falácia da tendência ao bilingüismo na Galiza

Praticamente todos os meios que informárom sobre os dados de uso e conhecimento do Galego de 2008 recentemente publicados polo IGE salientavam o "aumento do bilingüismo" ou da "tendência ao bilingüismo", baseando-se na comparaçom entre 2001 e 2008 dos relativos à língua usada habitualmente.

Mas afirmar hoje que a tendência nos comportamentos lingüísticos na Galiza é ao bilingüismo, entendendo por tal o uso habitual de ambas as línguas é totalmente falso. A tendência, devido ao nível de conculaçom dos direitos lingüísticos galegos pola imposiçom maciça do Castelhano, nom pode ser outra que ao monolingüismo nessa língua, ao abandono (mais ou menos conflivo) do Galego, e posteriormente ao seu desconhecimento e incapacidade ou incompetência para usá-lo.

Isto fica reflectido nas tendências observáveis na Galiza urbana, que é a que marca o passo que depois seguirám as vilas e mais tarde o rural. Utilizando os dados das sete cidades galegas em conjunto e homologando as opções "mais galego que castelhano" e "mais castelhano que galego" de 2008 à opçom "ambas" do recenseamento municipal de 2001 (que constitui os dados que o IGE atribui ao 2003), eis a comparativa entre 2001 e 2008, que reflecte o aumento do monolingüismo que já se verificava na comparativa por cidades publicada hai dias.







Obviamente, a mudança significativa nom está na tendência ao bilingüismo.

Mas hai ainda outro dado interessante que nega a suposta tendência ao bilingüismo. O bilingüismo consiste na capacidade de compreender e usar duas línguas e os dados publicados polo IGE mostram factores que estabelecem umha tendência à diminuiçom do bilingüismo na Galiza, ao produzir-se, entre 2001 e 2008, um aumento das pessoas que afirmam nom saber falar Galego (de 1,80% para 3,13%) e dos que dim compreendê-lo pouco ou nada (de 2,79% para 5,21%)

Obviamente, esta tendência é maior nas cidades, havendo incluso algumha em que a percentagem de pessoas que dim nom saber falar Galego é similar à de monolíngües em Galego. Em Vigo 6,85% afirmam nom saber falar Galego e outros 18,16% dim sabê-lo pouco face aos 7,09% que dim falá-lo sempre (mas que Galego poderám usar ao topar-se com um desses 25,01 % que nada ou pouco sabem del?). 

O monolingüismo em Galego nom compete já nas cidades cos níveis do monolingüismo em Castelhano, mas cos da ostentaçom da ignoráncia do Galego, ignoráncia que a minoria galegofóbica que o governo Feijóo alenta pretende converter num valor social na Galiza de hoje, em detrimento dos direitos lingüísticos galegos, da subsistência da língua própria de Galiza e do bilingüismo com que tanto enchem a boca, mas na realidade desprezam.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A imposiçom do castelhano na Galiza urbana

Merecem muita atençom os dados de conhecimento e uso do Galego correspondentes ao inquérito de condições de vida das famílias de 2008, publicados onte polo IGE. Nomeadamente, na sua comparativa com os anteriores dados publicados em 2003, que na realidade nom som dados de 2003 pois correspondem ao recenseamento de populaçom e vivendas de 2001.

Com essa comparativa corrobora-se o que já comprovamos no dia a dia: a maciça imposiçom da língua de Castela em praticamente todos os ámbitos da vida social das urbes galegas está a acarretar a drástica diminuiçom do monolingüísmo em Galego (na maioria dos casos passa em 2008 a menos da metade) e o correspondente aumento do monolingüismo em Castelhano (repare-se no assustador caso de Vigo, berço da organizaçom galegofóbica Galicia Bilíngüe).

A populaçom galega está a optar de forma massiva por abandonar a língua própria do país em vez de contestar a imposiçom do Castelhano, e  isto manifesta-se mais claramente ali onde a imposiçom do Castelhano é mais forte: no ámbito urbano. 

Veja-se a comparativa das percentagens de uso habitual exclusivo da língua própria de Galiza e a língua de Castela nas sete cidades:





quinta-feira, 15 de abril de 2010

A imposiçom do castelhano em Galiza

Os últimos dados publicados hoje mesmo polo Instituto Galego de Estatística mostram como avançou a imposiçom do castelhano na Galiza entre os anos 2003* e 2008:


Fonte: IGE


*correcçom: os dados que o IGE atribui ao ano 2003 correspondem na realidade do recenseamento municipal de 2001.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A verdade e o real na era digital

Reparo na estranha e novidosa relaçom coa verdade ou coa realidade que se reflecte nalguns dos melhores filmes dos últimos meses: Madeo (Joon-Ho Bong, 2009), Shutter Island (Martin Scorsese, 2010) e The Ghost Writer (Roman Polanski, 2010). Talvez o que reflectem som mudanças da nossa forma de relacionar-nos coa verdade ou co real.

Nos três filmes a personagem principal inicia umha investigaçom para conhecer a verdade e nos três o resultado é fatal para si próprio ou para os seus propósitos iniciais. Esta estrutura é paralela ao protótipo da tragédia grega clássica: o herói segue um destino que o leva à sua perdiçom; concretamente co exemplo de Édipo Rei, de Sófocles, em que a própria personagem é a que inicia a investigaçom e a que se vê impulsada a continuá-la apesar de dirigir-se assi à sua autodestruiçom.

O que é novidoso nestes três filmes é que em todos eles a verdade, depois de ser inconvenientemente descoberta polo protagonista, acabará para este ou para o seu mundo oculta, ignorada ou apagada.

Enquanto que no modelo clássico  a verdade, ao ser descoberta, impera e impom-se coa sua força contundente tanto para o protagonista como para o seu mundo, no desfecho destas três novas tragédias cinematográficas, ainda que a verdade poda ter conseqüências, ao final, de umha forma ou de outra, produze-se um retorno à situaçom prévia à sua descoberta.

No filme de Polanski a verdade finalmente fica oculta para o mundo e para a história, co qual propom a que o conhecimento da verdade histórica é, ou pode ser, inalcançável, e no de Scorsese, num final no que se podem aventurar conseqüências para a psiquiatria (em estado de guerra, segundo a personagem de Ben Kingsley) equivalentes aos que tinha para a história o de The Ghost Writer, o protagonista opta, à luz da sua última frase, por apagar a verdade que finalmente acabara por encarar.

Nesses dous filmes a descoberta da verdade continua tendo conseqüências fatais para os protagonistas, como na obra de Sófocles, enquanto que em Madeo o desfecho segue o modelo de Eurípides, com peripécias narrativas equivalentes na suas conseqüências à intervençom dum deux ex machina, mas também aqui a verdade fica oculta: só a protagonista chegou a conhecê-la e, por um segredo mecanismo curativo, poderia apagar as conseqüências negativas que esse conhecimento tivo para ela.

Também no filme de maior êxito de bilheteira do último ano, Avatar (James Cameron, 2009), existia umha fuga do real polo protagonista, que mesmo abandona o seu corpo humano para integrar-se num avatar e ficar no mundo fantástico dos na'vi. Tanto na crítica análise de Slavoj Žižek como na positiva de Daniel Mendelsohn, Avatar estaria a propor a opçom pola fantasia e o abandono ou a desconsideraçom do real.

Estamos mudando a nossa visom do real ou da verdade? ou talvez do seu papel e das suas conseqüências?

quinta-feira, 25 de março de 2010

O experimento Feijóo

Aonde nos conduzirá o governo Feijóo nos próximos três anos? Levamos só um dos quatro que em princípio durará a sua legislatura e resulta inaturável a política de desmantelamento, demoliçom e guerra cultural contra o país que supostamente governam. 

Em poucos dias, a deturpaçom da toponímia galega polo conselheiro de Cultura, a apresentaçom do decretaço rearmado contra o galego, a promoçom do auto-ódio e da imposiçom do castelhano polos representantes da ala mais galegofóbica do PP desde o parlamento ou a administraçom pública, a ridícula e infame traduçom ao castelhano de Castelao por parte do presidente também em sede parlamentar ou a utilizaçom da instituiçom do Valedor do Povo para servir os interesses dessa minoria ultraconservadora no poder impossibilitam umha resposta adequada a tal cúmulo de despropósitos. Estám tentando fazer natural e normal o seu grau extremo de auto-ódio e desrespeito à língua e cultura nacional. 

Assi, o Valedor veu neutralizar  a campanha iniciada hai só uns dias pola Mesa para exigir a demissom dos conselheiros Roberto Varela e Jesús Vázquez. Ante umha irresponsabilidade escandalosa e um desrespeito inaceitável à cultura ou a língua do país, e perante a contestaçom de boa parte da sociedade, submete-se esta a outro despropósito similar ou maior, e assi até que se naturalizem os despropósitos e já nom podam ser vistos como tais, ou seja impossível a sua contestaçom social efectiva. 

É todo um experimento político em desenvolvimento. Um decidido programa de bestializaçom e alheamento que poderá ter conseqüências nefastas para a sociedade. 

Mas a alternativa à naturalizaçom e à assunçom normalizada do despropósito, da irresponsabilidade política e da promoçom do auto-ódio pode ser a saturaçom e a rejeiçom. E além do que, todo experimento abre umha porta ao imprevisto.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Demissom

Adiro à necessária campanha da Mesa para pedir a demissom dos conselheiros de Cultura, Roberto Varela, e Educaçom, Jesus Vázquez.

Podes aderir enviando o e-mail, e espalhando ou publicando os banners da campanha pola internet, se tens un blogue ou qualquer outro web:


código fonte:


<a href="http://www.amesanl.org/campanhas.html"><img src="www.amesanl.org/campanhas/conselleirosdimision.gif" border="0"></a>


versom mais pequena, para colunas laterais de blogues:


código fonte:


<a href="http://www.amesanl.org/campanhas.html"><img src="www.amesanl.org/campanhas/conselleirosdimision.gif" height="70" width="170" border="0"></a>

terça-feira, 9 de março de 2010

Rosa Díez, conselheira de Cultura

Roberto Varela deturpa a toponímia galega

Chama a atençom a contundente resposta social ao uso "mais pejorativo" da palavra galego por Rosa Díez se a comparamos coa toleráncia cara às agressões e insultos à nossa cultura reiterados por ninguém menos que o nosso próprio conselheiro de Cultura, Roberto Varela, cuja continuaçom no cargo é um opróbio para o nosso país.

Este conselheiro já se estreou afirmando que a cultura galega limita, e demonstrando portanto uns preconceitos que o inabilitam para desempenhar o cargo que indignamente ocupa. Mas, por se isso nom bastasse, também qualificou a cultura que deve defender e promover de ensimesmada e acomplexada, polo que mereceu a petiçom de demissom dos 11 escritores galegos distinguidos polo Ministério de Cultura espanhol nos seus Prémios Nacionais de Literatura, que continuam existindo porque o ministério espanhol da Cultura nom tem à sua frente um representante tam inovador como o nosso conselheiro.

Vai ter razom o jornal El País quando afirmava num editorial (posteriormente emendado) que havia algo de suspeitoso na unánime contestaçom social ao comentário galegófobo de Rosa Díez. Pode ser que a consensuada repulsa social nom casasse, em Madrid, co estereótipo do galego submisso mas, estereótipos à parte, nom deixa de ser realmente suspeitoso que todo o arco parlamentar e social se escandalizasse cos seus recentes insultos, mas que anteriormente lhe rissem a graça ou fizessem silêncio (salvo algumha honrosa excepçom) quando, no passado outubro, veu proferir o mesmo insulto aqui, entre nós, no Clube Financeiro da Corunha. Sabemo-lo polo Xornal de Galicia, porque outros meios ocultárom o insulto (veja-se, em contraste, como "informou" a Voz). Ainda hoje nom se sabe, para além da jornalista que assina a notícia do XdG, de ninguém presente naquela palestra que denunciasse o galegófobo comentário da líder política mais valorada polos espanhóis.

Naquel editorial perguntava-se o jornal madrileno se a contestaçom a Rosa Díez  teria sido a mesma no caso de ela ser galega. Mas o realmente pertinente era perguntar que teria acontecido, nom se ela fosse galega, mas se nos vinhesse insultar aqui à Galiza, entre público afim, mais umha vez... ou se os seus insultos tivessem saído dum conselheiro de Cultura.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O próprio nom se impom

Hoje topei em Vieiros co que julgo ser um dos melhores exemplos de discurso pedagógico, a respeito do conflito lingüístico que padecemos, para combater um dos aspectos mais daninhos do discurso galegofóbico: a absurda alusom à imposiçom do Galego na Galiza.

Numha das notícias mais vistas e mais comentadas neste momento nesse portal, sob a manchete O galego na Xunta: un paso cara adiante, outros dous para atrás, di-se que o deputado socialista Xosé Manuel Lage, «anticipándose ás acusacións de intento de "imposición", razoou que "non se impón o que é propio" e atribuíu este argumento ao "complexo dalgúns"».

Talvez nom seja a primeira vez que um representante político ou social emprega este razoamento, mas eu é a primeira vez que o encontro na imprensa, exposto com umha clara finalidade pedagógica e contrapondo, dumha forma singela, a galegofobia com argumentos facilmente entendíveis e adoptáveis na sociedade, independentemente da ideologia política, na defesa dumha legislaçom favorável à normalizaçom (isso que os que odeiam o galego chamam "imposiçom") da língua do país.

Pessoalmente empreguei-no, quando tivem ocasiom, num debate representando à AGAL ao lado do Carlos Callón em representaçom da MNL, na Faculdade de Ciências Políticas da USC, que a Assembleia de Estudantes dessa faculdade organizou no curso passado. E penso que os preconceitos que subjazem ao discurso sobre a "imposiçom do galego" nom estám a ser ainda eficazmente combatidos. De facto, seria conveniente que o argumento agora empregado por Lage Tuñas passe a ser usado com freqüência, pois isso permitirá desenvolver razoamentos mui eficazes para desmascarar os sectores galegofóbicos perante a maioria da sociedade.

Se cada vez que se nega (tam absurdamente como se afirma) que o galego nom é ou nom foi imposto, se denunciasse o absurdo de afirmar que a língua própria de Galiza seja imposta na Galiza (!), nom só se estaria combatendo eficazmente esse despropósito galegofóbico como também se estariam reforçando os alicerces para avançar na normalizaçom da língua.


cartaz ridiculista
cartaz ridiculista

domingo, 17 de janeiro de 2010

Angófilos ou galegófobos?

Como nom ficaria mui bem perante a sociedade que os galegofóbicos do governo Feijóo se mostrassem tal como som, disfarçam o seu ódio ao galego co suposto amor ao inglês. Cada vez que falam do inglês, realmente nom estám a falar do inglês, do que estám a falar é de suprimir o galego. Queremos inglês significa "nom queremos galego" ou "odiamos galego". Por isso nunca propõem a introduçom do inglês nos ámbitos em que o castelhano continua a excluir o galego, como as salas de cinema, ou nas televisões de ámbito estatal, porque realmente eles nom tenhem o menor interesse no inglês. Só querem o inglês entanto lhes sirva para excluir o galego.
E já lhes dura muito a artimanha de aludir à imposiçom do galego em Galiza, que no fundo questiona a própria oficialidade (mesmo subalterna) do galego. Se os sectores favoráveis à língua nom conseguem mostrar o absurdo e socialmente daninho dessa artimanha, o governo Feijóo terá mais fácil continuar com novos ataques contra a normalizaçom lingüística.