sábado, 12 de fevereiro de 2011

A reproduçom social da galegofobia



Se estas afirmações galegofóbicas de Marta López, a participante galega de Gran Hermano, proferidas já hai quase meio mês (no 31 de janeiro passado), e divulgadas no web de Tele5 no mesmo dia, e depois nas redes sociais, nom som ainda umha polémica que trascenda o círculo de espectadores do programa é por causa da ampla margem social de conivência cara a esses preconceitos contra o galego no nosso próprio país.

Provavelmente, se os preconceitos expressados referissem a língua catalã, a polémica teria estourado. Produziriam-se debates tanto nesse programa como noutros, nos que os jornalistas e comentadores habituais, nomeadamente catalães (como p. ex. Pilar Rahola), mas também outros nom catalães (como a galega Maria Antonia Iglesias, p. ex.), uniriam as suas vozes no combate a tais preconceitos, e realizariam intervenções de pedagogia social para repudiá-los, mostrando a sua inconveniência social ou as discriminações a que conduzem, e até defendendo medidas políticas para eliminá-los. É bem possível também que mesmo os jornais sérios incorporassem algumha notícia referente à polémica. E se fossem preconceitos racistas ou xenófobos nom haverá a menor dúvida da dimensom da reacçom social que causariam.

A expressom deste tipo de preconceitos sociais por parte de concorrentes doutras edições desse programa já trascendeu anteriormente o ámbito dos seus espectadores, para provocar debates sociais. Lembro o caso de um participante expulsado por atitudes violentas e machistas. Naquela ocasiom, as notícias e comentários sobre a polémica chegavam mesmo a quem nom víamos o programa. A emissom noutros países desse mesmo tipo de concursos ou reality-shows também deu lugar a polémicas similares, como no Brasil por causa da homofobia ou na Gram-Bretanha polo racismo.

Ainda que estas polémicas surgem num contexto de tele-lixo, já polémico de seu, ganham entidade própria e do que se trata nesses casos é de que umha parte da sociedade nom está disposta a permitir a reproduçom social desses preconceitos. Dependendo da contundência do preconceito expressado e da força dos sectores sociais a el contrários, os meios de comunicaçom e instituições cívicas, políticas e públicas, como conseqüência da polémica, colaborarám para conscienciar das discriminações que sustentam esses preconceitos e avançar na sua erradicaçom.

Afinal ganha-se umha batalha: a de impedir o espalhamento do preconceito, que perde assi força, ao ver limitado o seu espaço de difusom, o que permite novas acções cívicas e políticas no sentido contrário a el.

Mas como é do galego de que se fala, dos velhos e novos estereótipos contra o seu uso normal no nosso país, e da sua assunçom ou conivência com eles por parte da concursante e de boa parte da sociedade galega, a polémica nom surgiu. E os jornalistas galegos, como a citada Maria Antonia Iglesias (que nom emprega o galego nem quando trabalha para a Radio Galega) provavelmente nom aproveitarám a ocasiom para combater o preconceito com cujo espalhamento em muitos casos eles mesmos colaboram.

A falta de polémica e indignaçom social coa reproduçom do preconceito lingüístico reflecte a imoral situaçom social da Galiza neste aspecto.